Poesia e música tornam a infância mais criativa e feliz. Este blog reúne canções e poemas para a educação infantil e os anos iniciais, com sugestões de autores reconhecidos.
A poesia tem o poder de transformar lembranças simples em encantamento. Nas palavras de Marilene Godinho, a infância, a roça, a lua, os animais, a escola, a família e a natureza aparecem como pequenas janelas abertas para a imaginação.
Nesta postagem, o blog Encanto da Infância: poesias e músicas infantis apresenta um material especial dedicado à escritora caratinguense Marilene Godinho, poeta e educadora que soube aproximar a criança do universo da leitura por meio da sensibilidade, da musicalidade e da fantasia.
Seus poemas falam de coisas simples, mas cheias de beleza: a lamparina que iluminava a casa, a viola que consola a saudade, a boneca feita de retalhos, a primavera na roça, a lua doce como rapadura e tantos outros elementos que fazem parte de um mundo afetivo, poético e encantador.
Quem é Marilene Godinho?
Marilene Godinho é poeta, educadora e escritora de Caratinga, Minas Gerais. Sua obra dialoga com a infância, com a cultura regional, com a vida no campo, com a memória e com o prazer de ler.
Em seus textos, as palavras parecem brincar com as crianças. A leitura deixa de ser apenas uma tarefa escolar e passa a ser uma aventura. Como aparece no relatório estudado, em sua obra a leitura pode ser vista como um verdadeiro “passeio de pipa”, capaz de levar a criança a viajar pela imaginação.
Marilene Godinho também criou um universo poético em que o alfabeto, a natureza e as lembranças ganham vida. Suas poesias mostram que ler é abrir portas para um castelo encantado, onde cada palavra pode revelar uma nova descoberta.
A poesia de Marilene Godinho e o olhar da criança
Os poemas reunidos neste material mostram uma escrita cheia de ternura, humor, memória e musicalidade. Em alguns textos, encontramos a vida simples da roça, com fogão de lenha, lamparina, bica, primavera, lua e terra. Em outros, aparecem personagens e situações próximas do universo infantil, como boneca, festa no galinheiro, bicho de pé e dente de ouro.
A criança, ao entrar em contato com esses poemas, pode perceber que a poesia não está apenas nos livros. Ela também está no quintal, no céu, nos animais, nas brincadeiras, na saudade, nas histórias da família e nas pequenas cenas do cotidiano.
Poemas presentes no material
O caderno preparado para esta postagem reúne poemas de Marilene Godinho que valorizam a infância, a natureza, a cultura popular e a memória afetiva. Entre eles estão textos como Terra Braba, A Seca, Viola, Nêga Bá, Menino da Lua, Porteira, Lamparina, Felisbela, Festa no Galinheiro, Fogão de Lenha, Boneca, Bicho de Pé, Bica, Primavera e Lua de Rapadura.
Cada poema pode ser trabalhado de forma sensível, permitindo que as crianças escutem, imaginem, conversem, desenhem, cantem e descubram a beleza das palavras.
O que os poemas nos fazem sentir?
Os poemas de Marilene Godinho nos fazem sentir saudade, alegria, ternura, curiosidade e encantamento. Eles despertam lembranças de casa simples, quintal, lua cheia, histórias contadas, cheiro de comida no fogão, sons da natureza e brincadeiras de criança.
Mesmo quando falam de temas mais sérios, como a seca, a vida do homem do campo ou a partida de alguém querido, os poemas mantêm uma força poética que ajuda a criança a compreender sentimentos humanos de maneira sensível.
Conversando sobre os poemas
Depois da leitura dos poemas, o professor ou a família pode conversar com as crianças sobre as imagens que apareceram nos textos.
Que poema mais chamou sua atenção?
Que palavras fizeram você imaginar uma cena?
Você já viu uma lamparina, uma bica, um fogão de lenha ou uma porteira?
Como você imagina a “lua de rapadura”?
Qual poema parece mais alegre?
Qual poema parece mais saudoso?
Que desenho você faria inspirado nesses poemas?
Essas perguntas ajudam a criança a perceber que a poesia também nasce da escuta, da memória, da observação e da imaginação.
Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho
Para tornar o material ainda mais encantador, foi criada uma música inspirada em alguns poemas de Marilene Godinho. A letra da música é de autoria de Maria Aparecida de Almeida e nasceu a partir da leitura sensível desses poemas.
A canção tem um tom romântico, afetivo e nostálgico, lembrando o estilo de músicas populares brasileiras marcadas por emoção, memória e delicadeza. Ela não copia os poemas, mas conversa com eles, transformando sentimentos, imagens e lembranças em melodia.
Saudade de Mim - Versão 1
Saudade de Mim- Versão 2
LETRA DA MÚSICA : SAUDADE DE MIM
Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho
Ah! Que Saudade de Mim
Nêga Bá, cê me criou,
o tempo não te levou,
e eu já sei bem o porquê:
quando abraço na saudade,
todo bem que foi verdade,
lembrança busca “vancê”.
Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.
Quando em meu peito
saudade se aninha,
encontro um só jeito:
cantar a modinha.
Eu pego a viola
e canto na tarde,
e lamento,
e amanso a saudade.
Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.
Você me ensinou
a olhar a lua,
sentir poesia
na noite fria.
Com você aprendi
que lua derrama prata,
serena estrelas,
passeia no céu.
Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.
Letra: Maria Aparecida de Almeida
Inspirada em poemas de Marilene Godinho
Podcast para crianças
Este material também contará com um podcast infantil sobre Marilene Godinho. A proposta é apresentar a escritora de forma leve, como uma contadora de encantos, mostrando às crianças que seus poemas falam da lua, da roça, dos animais, das lembranças, das brincadeiras e da beleza escondida nas coisas simples.
O podcast poderá começar com uma saudação carinhosa às crianças e seguir explicando, em linguagem simples, quem é Marilene Godinho, por que seus poemas são importantes e como a poesia pode transformar a leitura em uma viagem pela imaginação.
Vídeos, slides e caderno de poesias
Alguns materiais também poderão ser transformados em vídeos para enriquecer a postagem. Os slides com poemas, imagens, música e apresentação da autora podem ser usados como recursos audiovisuais para o blog e para o canal.
Sugestões de atividades
As crianças podem ouvir a leitura de um poema e desenhar a cena que imaginaram.
Podem escolher uma palavra bonita do poema e explicar por que gostaram dela.
Podem criar uma pequena ilustração para a “lua de rapadura”.
Podem conversar sobre as lembranças da vida no campo, da casa dos avós, dos animais ou da natureza.
Podem ouvir a música inspirada nos poemas e dizer que sentimentos ela despertou.
Podem criar, coletivamente, um mural com desenhos, palavras e frases inspiradas na poesia de Marilene Godinho.
Para pensar
A poesia de Marilene Godinho nos ensina que a beleza pode estar nas coisas simples. Uma porteira, uma boneca de retalhos, uma lamparina, uma bica ou uma lua no céu podem se transformar em poesia quando olhamos para elas com carinho.
Ler seus poemas é como entrar em um mundo onde a memória, a infância e a natureza caminham de mãos dadas.
Letra da música inspirada nos poemas: Maria Aparecida de Almeida.
Organização do material: Maria Aparecida de Almeida.
Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis.
Conclusão
Marilene Godinho nos mostra que a poesia pode nascer da terra, da lua, da casa simples, da lembrança, da infância e do coração. Seus poemas aproximam as crianças da leitura de uma forma bonita, afetiva e encantadora.
Que este material ajude professores, famílias e crianças a descobrirem a alegria de ler, ouvir, cantar e sentir poesia.
Encantos da infância: poesias e músicas infantis Por Maria Aparecida de Almeida
Olavo Bilac é um dos grandes nomes da poesia brasileira. Seus versos são marcados pela musicalidade, pelo cuidado com as palavras e por temas que dialogam muito bem com o universo infantil, como a natureza, a casa, a família, o trabalho, a pátria, o tempo, os animais e os sentimentos.
Nesta postagem do blog Encantos da infância: poesias e músicas infantis, reunimos poemas de Olavo Bilac em um caderno de poesias, slides e músicas inspiradas em seus versos. A proposta é aproximar as crianças da literatura brasileira de forma sensível, poética e encantadora.
Ler Bilac com as crianças é uma oportunidade de perceber como a poesia pode ensinar a observar o mundo com mais atenção: o sol que ilumina, a casa que acolhe, as flores que alegram, o tempo que passa, a liberdade dos pássaros e o amor pela terra onde vivemos.
O que encontramos neste material
Neste material, o leitor encontrará uma seleção de poemas de Olavo Bilac apresentados de forma acessível para o trabalho com crianças. Entre os textos selecionados estão poemas que falam do amor à terra natal, da casa, da mãe, do sol, das flores, do tempo, da liberdade e de valores importantes para a convivência humana.
O caderno de poesias traz poemas e adaptações explicativas que ajudam a criança a compreender melhor os temas presentes na obra de Bilac. Os slides ajudam na apresentação visual dos textos, enquanto as músicas inspiradas nos poemas tornam a experiência mais lúdica e envolvente.
Poemas presentes no caderno
O caderno apresenta poemas como “Pátria”, que fala do amor à terra em que nascemos; “À minha mãe”, que aborda ternura, saudade e amor materno; “A Casa”, que valoriza o lar e o carinho familiar; e “O Sol”, que mostra a natureza iluminada pela vida e pelo trabalho.
Também aparecem poemas e textos relacionados a temas como flores, avós, fábulas, bandeira, liberdade, tempo, universo, cotidiano e trabalho, ampliando as possibilidades de leitura e conversa com as crianças.
Música e poesia
A música pode ser uma ponte muito bonita para aproximar as crianças da poesia. Quando os versos ganham melodia, a escuta se torna mais envolvente e a criança percebe melhor o ritmo, a repetição, a sonoridade e as imagens poéticas.
As músicas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac não substituem os poemas originais. Elas funcionam como uma releitura poética e musical, criada para dialogar com os textos e despertar o interesse das crianças pela leitura.
Apresentação do autor
👤 Sobre o autor: Olavo
Bilac
Olavo Bilac foi um importante poeta brasileiro,
conhecido pela beleza, musicalidade e cuidado com as palavras. Sua poesia
apresenta versos marcantes, linguagem expressiva e grande valorização da
pátria, da natureza, da infância e da língua portuguesa.
Em muitos de seus poemas, Bilac convida o leitor a observar
o mundo com sensibilidade, admiração e respeito.
Apresentação do caderno de poesias
Preparei um caderno de poesias com textos de Olavo Bilac selecionados para leitura, apreciação e conversa com as crianças. O material pode ser usado em rodas de leitura, aulas de Língua Portuguesa, momentos de poesia, projetos literários ou atividades interdisciplinares.
Slides com poemas
Os slides foram preparados para facilitar a apresentação dos poemas em sala de aula ou em momentos de leitura compartilhada. Eles podem ser utilizados pelo professor, pela família ou pelo mediador de leitura para tornar a experiência mais visual e atrativa.
Vídeo: O ciclo das estações
A música apresentada nesse vídeo faz uma relação entre os meses e as estações do ano.
Vídeo: Os Meses
Neste vídeo tem a letra da música Meses. Esse vídeo apresenta os meses do ano.
Músicas inspiradas nos poemas
Além da leitura dos poemas, também foram criadas músicas inspiradas nos versos de Olavo Bilac. As canções ajudam a aproximar as crianças da poesia por meio da musicalidade, da escuta e da sensibilidade.
Conversando sobre os poemas
Depois da leitura, conversar com as crianças:
O que o poema nos faz imaginar?
Que sentimentos aparecem nos versos?
Que elementos da natureza são citados?
O poema fala de casa, família, liberdade, trabalho ou amor à pátria?
Qual imagem do poema ficou mais bonita na sua imaginação?
Se esse poema virasse desenho, como ele seria?
Orientação ao professor
Antes de apresentar os poemas às crianças, o professor pode fazer uma breve conversa sobre Olavo Bilac, explicando que ele foi um poeta brasileiro que escreveu versos marcados pela musicalidade, pela beleza das palavras e pelo amor à natureza, à infância, à família e à pátria.
A leitura pode ser feita de forma pausada e expressiva, permitindo que as crianças percebam o ritmo dos versos, imaginem as cenas descritas e compartilhem os sentimentos despertados por cada poema.
Atividades sugeridas
Leitura em roda
O professor ou mediador pode ler o poema em voz alta, valorizando a entonação, as pausas e a musicalidade dos versos.
POEMAS DE OLAVO BILAC
A Pátria
Olavo Bilac
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
Para experimentar Octávio, o mestre
Diz: “Já que tudo sabe, venha cá!
Diga em que ponto da extensão terrestre
Ou da extensão celeste Deus está!”
A casa
Olavo Bilac
Vê como as aves têm, debaixo d’asa,
O filho implume, no calor do ninho!...
Deves amar, criança,a tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!
Dentro da casa em que nasceste és tudo...
Como tudo é feliz, no fim do dia,
Quando voltas das aulas e do estudo!
Volta, quando tu voltas, a alegria!
Aqui deves entrar como num templo,
Com a alma pura, e o coração sem susto:
Aqui recebes da Virtude o exemplo,
Aqui aprendes a ser meigo e justo.
Ama esta casa! Pede a deus que a guarde,
Pede a Deus que a proteja eternamente!
Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,
Te vejas, triste, d’esta casa ausente...
E, já homem, já velho e fatigado,
Te lembrarás da casa que perdeste,
E hás de chorar, lembrando o teu passado...
— Ama, criança, a casa em que nasceste!
Salve, sol glorioso ! Ao teu clarão fecundo,
A natureza canta e se extasia o mundo.
Que tristeza, que dó, quando desapareces !
Vens, e a terra estragada e feia reverdeces;
Abres com o teu calor as sebes perfumadas;
Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;
Os ninhos aquecendo, as gargantas das aves
Dás gorjeios de amor, e harmonias suaves;
E, cintilando sobre os tufos de verdura,
Em cada ramo põe uma fruta madura.
A noite é como a morte; o dia é como a vida.
Ó Sol, quando te vais, a alma vaga perdida ...
Os pensamentos mais são os filhos da treva:
Fogem, quando a brilhar, no horizonte se eleva
O Sol, pai to trabalho, o Sol, pai da alegria ...
Salve, anúncio da Vida, e portador do Dia !
Passem os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Não sejas nunca medroso!
Fraco embora, tem coragem!
Para fazer a viagem
Da vida, sem hesitar,
É preciso, de alma forte,
Sem ostentar valentia,
Dominar a covardia,
Para o perigo enfrentar.
O medo é próprio do pérfido,
Do pecador, do malvado:
Quem não se entrega ao pecado
Não receia a punição.
Não tem medo quem caminha
Com a consciência tranqüila,
Quem o inimigo aniquila
Com a força da razão!
Não abuses da bravura;
Não afrontes o inimigo;
Não procures o perigo;
Prega o amor! e prega a paz!
Mas, se isso for impossível,
Não fujas! cai batalhando!
E, se morreres lutando,
Morre!
feliz morrerás.
Se a
todos os condiscípulos
Te julgas
superior,
Esconde o
mérito, e cala-te
Sem
ostentar teu valor.
Valem
mais que a inteligência,
A
constância e a aplicação:
Sê
modesto! estuda, aplica-te,
E foge da
ostentação!
Mais vale
o mérito próprio
Sentir,
guardar e ocultar:
Porque o
verdadeiro mérito
Não gosta
de se mostrar.
Este,
que, desde a sua mocidade,
Penou,
suou, sofreu, cavando a terra,
Foi
robusto e valente, e, em outra idade,
Servindo
à Pátria, conheceu a guerra.
Combateu,
viu a morte, e foi ferido;
E,
abandonando a carabina e a espada,
Veio,
depois do seu dever cumprido,
Tratar
das terras, e empunhar a enxada.
Hoje, a
custo somente move os passos...
Tem os
cabelos brancos; não tem dentes...
Porém
remoça, quando tem nos braços
Os dois
netos queridos e inocentes.
Conta-lhes
os seus anos de alegria,
Os dias
de perigos e de glórias,
As
bandeiras voando, a artilharia
Retumbando,
e as batalhas, e as vitórias...
E fica
alegre quando vê que os netos,
Ouvindo-o,
e vendo-o, e lhe invejando a sorte,
Batem
palmas, extáticos, e inquietos,
Amando a
Pátria sem temer a morte
Salve,
lindo pendão da esperança!
Salve,
símbolo augusto da paz!
Tua nobre
presença à lembrança
A
grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o
afeto que se encerra
Em nosso
peito juvenil,
Querido
símbolo da terra,
Da amada
terra do Brasil!
Em teu
seio formoso retratas
Este céu
de puríssimo azul,
A verdura
sem par destas matas,
E o
esplendor do Cruzeiro do Sul...
Recebe o
afeto que se encerra
Em nosso
peito juvenil,
Querido
símbolo da terra,
Da amada
terra do Brasil!
Contemplando
o teu vulto sagrado,
Compreendemos
o nosso dever:
E o
Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso
e feliz há de ser!
Recebe o
afeto que se encerra
Em nosso
peito juvenil,
Querido
símbolo da terra,
Da amada
terra do Brasil!
Sobre a
imensa nação brasileira,
Nos
momentos de festa ou de dor,
Paira
sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão
da justiça e do amor!
Recebe o
afeto que se encerra
Em nosso
peito juvenil,
Querido
símbolo da terra,
Da amada
terra do Brasil!
Deus ao
mundo deu a guerra,
A doença,
a morte, as dores;
mas, para
alegrar a terra,
Basta
haver-lhe dado as flores.
Umas,
criadas com arte,
Outras,
simples e modestas,
Há flores
por toda a parte
Nos
enterros e nas festas,
Nos
jardins, nos cemitérios,
Nos paúes
e nos pomares;
Sobre os
jazigos funéreos,
Sobre os
berços e os altares,
Reina a
flor! pois quis a sorte
Que a
flor a tudo presida,
E também
enfeite a morte,
Assim
como enfeita a vida.
Amai as
flores, crianças!
Sois
irmãs nos esplendores,
Porque há
muitas semelhanças
Entre as
crianças e as flores...
Tal como
a chuva caída
Fecunda a
terra, no estio,
Para
fecundar a vida
O
trabalho se inventou.
Feliz
quem pode, orgulhoso,
Dizer:
“Nunca fui vadio:
E, se
hoje sou venturoso,
Devo ao
trabalho o que sou!”
É
preciso, desde a infância,
Ir
preparando o futuro;
Para
chegar à abundância,
É preciso
trabalhar.
Não nasce
a planta perfeita,
Não nasce
o fruto maduro;
E, para
ter a colheita,
É preciso
semear...
A Velhice
Olavo
Bilac
O
neto:
Vovó, por
que não tem dentes?
Por que anda
rezando só.
E treme,
como os doentes
Quando têm
febre, vovó?
Por que é
branco o seu cabelo?
Por que se
apóia a um bordão?
Vovó,
porque, como o gelo,
É tão fria a
sua mão?
Por que é
tão triste o seu rosto?
Tão trêmula
a sua voz?
Vovó, qual é
seu desgosto?
Por que não
ri como nós?
Meu neto,
que és meu encanto,
Tu acabas de
nascer...
E eu, tenho
vivido tanto
Que estou
farta de viver!
Os anos, que
vão passando,
Vão nos
matando sem dó:
Só tu
consegues, falando,
Dar-me
alegria, tu só!
O teu
sorriso, criança,
Cai sobre os
martírios meus,
Como um
clarão de esperança,
Como uma
benção de Deus!
Infância
Olavo
Bilac
O berço em
que, adormecido,
Repousa um
recém-nascido,
Sob o
cortinado e o véu,
Parece que
representa,
Para a mamãe
que o acalenta,
Um pedacinho
do céu.
Que júbilo,
quando, um dia,
A criança
principia,
Aos tombos,
a engatinhar...
Quando,
agarrada às cadeiras,
Agita-se
horas inteiras
Não sabendo
caminhar!
Depois, a
andar já começa,
E pelos
móveis tropeça,
Quer correr,
vacila, cai...
Depois, a
boca entreabrindo,
Vai pouco a
pouco sorrindo,
Dizendo: mamãe... papai...
Vai
crescendo. Forte e bela,
Corre a
casa, tagarela,
Tudo escuta,
tudo vê...
Fica esperta
e inteligente...
E dão-lhe,
então, de presente
Uma carta de
A.B.C...
Sou o
Tempo que passa, que passa,
Sem
princípio, sem fim, sem medida!
Vou
levando a Ventura e a Desgraça,
Vou
levando as vaidades da Vida!
A correr,
de segundo em segundo,
Vou
formando os minutos que correm...
Formo as
horas que passam no mundo,
Formo os
anos que nascem e morrem.
Ninguém
pode evitar os meus danos...
Vou
correndo sereno e constante:
Desse
modo, de cem em cem anos,
Formo um
século, e passo adiante.
Trabalhai,
porque a vida é pequena,
E não há
para o Tempo demoras!
Não
gasteis os minutos sem pena!
Não
façais pouco caso das horas!
A Vida
Olavo
Bilac
Na água do rio que procura o mar;
No mar sem fim; na luz que nos encanta;
Na montanha que aos ares se levanta;
No céu sem raias que deslumbra o olhar;
No astro maior, na mais humilde planta;
Na voz do vento, no clarão solar;
No inseto vil, no tronco secular,
— A vida universal palpita e canta!
Vive até, no seu sono, a pedra bruta...
Tudo vive! E, alta noite, na mudez
De tudo, – essa harmonia que se escuta
Correndo os ares, na amplidão perdida,
Essa música doce, é a voz, talvez,
Da alma de tudo, celebrando a Vida!
Da alma de tudo, celebrando a Vida!
O Universo
Olavo Bilac
(Paráfrase)
A
Lua:
Sou um pequeno mundo;
Movo-me, rolo e danço
Por este céu profundo;
Por sorte Deus me deu
Mover-me sem descanso,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.
A Terra:
Eu sou esse outro mundo;
A lua me acompanha,
Por este céu profundo...
mas é destino meu Rolar, assim tamanha,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.
O Sol:
Eu sou esse outro mundo,
Eu sou o sol ardente!
Dou luz ao céu profundo...
Porém sou um pigmeu,
Que rolo eternamente
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.
O Homem:
Porque, no céu profundo,
Não há-de parar mais
O vosso movimento?
Astros! qual é o mundo,
Em torno ao qual rodais
Por esse firmamento?
Todos os Astros:
Não chega o teu estudo
Ao centro d’isso tudo,
Que escapa aos olhos teus!
O centro d’isso tudo,
Homem vaidoso, é Deus!
Domingo... Os sinos repicam
Na igreja, constantemente,
E todas as ruas ficam
Alegres, cheias de gente.
Todo um dia de ventura...
Como o domingo seduz!
O homem, cansado, procura
Ter paz, ter ar, e ter luz.
Paradas e sem trabalho,
Dormem na roça as enxadas;
Dormem a bigorna e o malho
Nas oficinas fechadas.
Também, meninos cansados,
Os vossos livros deixai!
Deixai lições e ditados!
Dormi! Sorri! Cantai!
Fechem-se as aulas! e o bando
Ruidoso das criancinhas
Livre se espalhe, voando,
Como um bando de andorinhas!
Deus, quando o mundo fazia,
Sete dias trabalhou,
E ao fim do sétimo dia
Do trabalho descansou...
Ave Maria
Olavo Bilac
Meu filho! termina o dia...
A primeira estrela brilha...
Procura a tua cartilha,
E reza a Ave Maria!
O gado volta aos currais...
O sino canta na igreja...
Pede a Deus que te proteja
E que dê vida a teus pais!
Ave Maria!... Ajoelhado,
Pede a Deus que, generoso,
Te faça justo e bondoso,
Filho bom, e homem honrado;
Que teus pais conserve aqui
Para que possas, um dia,
Pagar-lhes em alegria
O que sofreram por ti.
Reza, e procura o teu leito,
Para adormecer contente;
Dormirás tranqüilamente,
Se disseres satisfeito:
“Hoje, pratiquei o bem:
Não tive um dia vazio,
Trabalhei, não fui vadio,
E não fiz mal a ninguém.”
As formigas
Olavo Bilac
Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando ...
Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.
Entre os calhaus vão abrindo
Caminho estreito e seguro,
Aqui, ladeiras subindo,
Acolá, galgando um muro.
Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.
Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada.
Vede! enquanto negligentes
Estão as cigarras cantando,
Vão as formigas prudentes
Trabalhando e armazenando.
Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome ...
Recorde-vos todo o dia
Das lições da Natureza:
O trabalho e a economia
São as bases da riqueza
A Avó
A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha!...
Teve tantos desenganos !
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala ...
Entram rindo e papagueiando :
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando ...
A velha acorda sorrindo.
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita :
“Ó vovó ! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas ...
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
- Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem
...
A Amelinha
está doente,
Chora, tem febre, delira;
Em casa, está toda gente
Aflita, e geme, e suspira.
Chega o médico e a examina.
Tocando a fronte abrasada,
E o pulso da pequenina,
Diz alegre: "Não é nada!
Vou lhe dar uma receita.
Amanhã, o mais tardar,
Já de saúde perfeita
Há de sorrir e brincar."
Vem o remédio. Amelinha
grita, faz manha, esperneia:
"Não quero!"
O pai se avizinha,
Mostrando-lhe a colher cheia:
"Toma o remédio, querida!
Dar-te-hei como recompensa,
uma boneca vestida
De seda e rendas, imensa..."
-"Não quero!"
Chega a titia:
"Amélia é boa, não é?
Se fosse boa, teria
Toda uma arca de Noé..."
-"Não quero!"
Prometem tudo:
Livros de figuras cheios,
Um vestido de veludo,
Brinquedos, jóias, passeios...
Teima Amelinha. faz manha.
E diz o pai, já com tédio:
-" Menina! você apanha,
Se não toma este remédio!"
E nada! a menina grita,
Sem querer obedecer.
Mas nisto, a mamãe aflita,
Põe-se a gemer e a chorar.
Logo Amelinha, calada,
Mansa, acolher segurando,
Sem já se queixar de nada,
Vai o remédio tomando.
-"Então? mau gosto sentiste?"
Diz o pai... E ela, apressada:
- "Para não ver mamãe triste,
Não sinto mau gosto em nada!"
O Rio
Olavo Bilac
Da mata no seio umbroso,
No verde seio da serra,
Nasce o rio generoso,
Que é a providência da terra.
Nasce humilde, e, pequenino,
Foge ao sol abrasador;
É um fio d’água, tão fino,
Que desliza sem rumor.
Entre as pedras se insinua,
Ganha corpo, abre caminho,
Já canta, já tumultua,
Num alegre burburinho.
Agora o sol, que o prateia,
Todo se entrega, a sorrir;
Avança, as rochas ladeia,
Some-se, torna a surgir.
Recebe outras águas, desce
As encostas de uma em uma,
Engrossa as vagas, e cresce,
Galga os penedos, e espuma.
Agora, indômito e ousado,
Transpõe furnas e grotões,
Vence abismos, despenhado
Em saltos e cachoeirões.
E corre, galopa. cheio
De força; de vaga em vaga,
Chega ao vale, larga o seio,
Cava a terra, o campo alaga...
Expande-se, abre-se, ingente,
Por cem léguas, a cantar,
Até que cai, finalmente,
No seio vasto do mar...
Mas na triunfal majestade
Dessa marcha vitoriosa,
Quanto amor, quanta bondade
Na sua alma generosa!
A cada passo que dava
O nobre rio, feliz
Mais uma árvore criava,
Dando vida a uma raiz.
Quantas dádivas e quantas
Esmolas pelos caminhos!
Matava a sede das plantas
E a sede dos passarinhos...
Fonte de força e fartura,
Foi bem, foi saúde e pão:
Dava às cidades frescura,
Fecundidade ao sertão...
E um nobre exemplo sadio
Nas suas águas se encerra;
Devemos ser como o rio,
Que é providência da terra:
Bendito aquele que é forte,
E desconhece o rancor,
E, em vez de servir a morte,
Ama a Vida, e serve o Amor
Um velho soldado
Um dia por terra
A espada atirou;
Da guerra cansado,
Com nojo da guerra.
As armas quebrou.
Entre elas estava
Trombeta esquecida:
Era ela que no ar
Os toques soltava,
E à luta renhida
Tocava a avançar.
E disse: “Meu dono,
É justo que a espada
Tu quebres assim!
Mas que, no abandono,
Fique eu sossegada!
Não quebres a mim!
Cantei tão somente...
Não sejas ingrato
Comigo também!
Eu sou inocente:
Não piso, não mato,
Não firo a ninguém...
Nas horas da luta
Alegre ficavas,
Ouvindo o meu som.
Atende-me! escuta!
Se então me estimavas,
Agora sê bom!”
E o velho guerreiro
Lhe disse: “Maldita!
Prepara-te! sús!
Teu som zombeteiro
As gentes excita,
À guerra conduz!”
Terrível, irado,
Jogou-a por terra,
Sem dó a quebrou...
E o velho soldado,
Cansado da guerra
Por fim repousou.
A BONECA
Olavo Bilac
Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira: “É minha!”
— “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca…
Podcast sobre Olavo Bilac e seus poemas
Desenho poético
Após a leitura, as crianças podem desenhar a cena que imaginaram. Essa atividade combina literatura e arte, permitindo que cada criança expresse sua interpretação.
Poema musicado
Depois de ouvir a música inspirada no poema, as crianças podem conversar sobre as diferenças entre ler e ouvir o texto cantado.
Mural da poesia
A turma pode criar um mural com desenhos, frases dos poemas, palavras bonitas e pequenos comentários sobre o que sentiram durante a leitura.
Reescrita criativa
As crianças podem criar pequenos versos inspirados nos temas de Bilac: o sol, as flores, a casa, a mãe, os pássaros, o tempo, a natureza ou o lugar onde vivem.
Possibilidades pedagógicas
Este material pode ser utilizado em projetos de leitura, semanas literárias, rodas de poesia, atividades sobre literatura brasileira, trabalhos sobre natureza, família, pátria, tempo e valores humanos.
A proposta dialoga com Língua Portuguesa, Arte, História, Geografia e Educação Musical, pois envolve leitura, interpretação, oralidade, escuta, criação artística e valorização da cultura literária brasileira.
Para pensar
A poesia de Olavo Bilac nos convida a olhar o mundo com mais cuidado. Seus versos mostram que a beleza pode estar nas coisas simples: no sol, nas flores, na casa, no carinho da família, no trabalho, na liberdade dos pássaros e no tempo que passa.
Ler poesia com as crianças é abrir uma janela para a imaginação, para a sensibilidade e para o encantamento.
Organização, seleção, atividades e materiais pedagógicos: Maria Aparecida de Almeida
Blog: Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Observação: As músicas foram criadas como releituras poéticas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac, com finalidade educativa e cultural.
Conclusão
Olavo Bilac continua encantando leitores de diferentes gerações. Sua poesia, cheia de imagens, musicalidade e sentimentos, pode tocar também o coração das crianças quando apresentada de forma leve, criativa e afetuosa.
Com o caderno de poesias, os slides e as músicas inspiradas nos poemas, esta postagem busca valorizar a literatura brasileira e mostrar que a poesia pode ser lida, ouvida, cantada, desenhada e sentida.