segunda-feira, 6 de julho de 2026

Roseana Murray: poesia, infância, natureza e delicadeza em forma de palavra

 


Introdução

Roseana Murray é uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea voltada também para o universo infantil. Sua obra aproxima a criança da palavra poética por meio da delicadeza, da imaginação, da natureza, da memória afetiva e dos pequenos encantamentos da vida.

Em seus poemas, o mundo aparece como casa, ninho, jardim, céu, cheiro, brincadeira, música e sonho. A autora transforma coisas simples em imagens cheias de beleza: uma avó, uma máquina de costura, uma borboleta, uma ciranda, um livro novo, um pote de felicidade, uma casa de ninhos, uma palavra mágica.

Nesta postagem, reunimos poemas, vídeos, música e podcast sobre Roseana Murray, convidando crianças, famílias, professores e leitores a conhecerem uma poesia que toca o coração e desperta o olhar para a beleza escondida no cotidiano.

Quem é Roseana Murray?



Roseana Murray é uma escritora brasileira reconhecida por sua produção poética sensível, marcada por imagens de delicadeza, afeto, natureza e encantamento. Sua poesia conversa com crianças e adultos, pois trata de temas universais: amizade, amor, infância, memória, tempo, alegria, saudade, leitura e imaginação.

Nos poemas reunidos neste material, aparecem textos de diferentes livros da autora, como Cata-vento de Amigos, Rotas de Fuga, Brinquedos e Brincadeiras, Colo de Avó, A Casa de Todos os Ninhos, Balaio de Felicidades, Poemas de Ninar, Armarinho Mágico, entre outros.

A poesia como casa da imaginação

A obra de Roseana Murray mostra que a poesia pode ser uma casa aberta. Nela cabem amigos, lembranças, cheiros, brincadeiras, sonhos, bichos, árvores, avós, crianças e palavras mágicas.

No poema “A chave”, por exemplo, a autora fala de uma chave capaz de abrir paredes, portas, janelas, sentimentos, livros e poemas. Essa imagem mostra como a poesia abre passagens para outros mundos, ajudando o leitor a enxergar aquilo que nem sempre aparece na superfície da vida.



Há que encontrar a chave.
A que abrirá as paredes,
as portas e as janelas,
a que se esconde entre
as notas da harpa
dos sentimentos,
entre as páginas
de um livro,
nos versos de um poema,
entre as camadas do amor,
na água das lágrimas.

A infância aparece na obra de Roseana Murray como território de invenção. Em poemas como “Ciranda”, “Pular Corda” e “Cesta de Costura”, a autora recupera brincadeiras, gestos simples e cenas familiares, transformando tudo em poesia.

A ciranda, a corda, a boneca, a máquina de costura e os pequenos objetos do cotidiano deixam de ser apenas lembranças. Eles passam a fazer parte de um mundo poético, onde a criança pode imaginar, brincar, sentir e criar.



CIRANDA

Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar,
enquanto ainda dá tempo,
a primeira estrela anuncia:
A noite já vai chegar.
Vamos dar a meia volta
de mãos bem apertadas
e corações entrelaçados,
volta e meia vamos dar.

O anel que tu me deste
era vidro e se quebrou,
o tempo parece de vidro,
há que carregar com cuidado,
o amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou,
mas amor nunca se acaba,
meia-volta, volta e meia,
outro amor há de chegar.

A presença da avó e da memória afetiva

Um dos pontos mais bonitos dos poemas reunidos é a presença da avó. Em “Colo de Avó”, “Máquina de Costura”, “Passarinhos” e “Desejo do cheiro da casa da avó”, a figura da avó aparece ligada ao cuidado, ao aconchego, à cozinha, aos cheiros, às histórias e ao amor.

A casa da avó é apresentada como um lugar de perfume, alimento, abraço e lembrança. A autora mostra que a memória afetiva também é matéria de poesia.



Tudo o que a avó fabrica
em sua cozinha encantada
tem cheiro bom:
bolo de chocolate, biscoito de nata,
sonhos embrulhados
em açúcar e canela,
que são como nuvens
no céu da boca e expulsam
qualquer pesadelo.
As mãos da avó,
cheias de farinha
e tempo acumulado,
acariciam, tocam na superfície
dos pães e da pele da gente
com tanto amor
que curam qualquer defeito
do lado esquerdo ou direito.

Na casa da avó
o ar é perfumado
e parece um abraço
e até o final dos tempos
o cheiro da casa da avó
fica grudado em nosso
pensamento.

Natureza, bichos e pequenos milagres

A natureza está muito presente na poesia de Roseana Murray. Há borboletas, passarinhos, restinga, ninhos, flores, mar, montanhas, lua, estrelas, vento, rios e jardins. No poema “A Casa de Todos os Ninhos”, a natureza aparece como abrigo, proteção e morada de muitas vidas.

Em “A borboleta”, a transformação da lagarta em borboleta é apresentada como segredo, beleza e mistério. É uma poesia que ajuda a criança a observar o mundo natural com mais cuidado e encantamento.



Dia e noite, na restinga,
os perfumes de todas
as vidas, flores e frutas
e bichos,
misturados
aos cheiros da terra,
das lagoas, dos rios,
e da maresia,
se juntam, forram os ninhos,
ocupam cada recanto,
e voam
junto com os passarinhos.

Poesia, sentimentos e delicadeza

Roseana Murray escreve sobre sentimentos de forma delicada, mas profunda. Em sua obra, o amor, a felicidade, a saudade, a alegria, a dor e a esperança aparecem em imagens poéticas. No poema “Máquina Fotográfica”, por exemplo, a autora imagina uma máquina capaz de fotografar sentimentos, dando cor a cada emoção.

Essa maneira de escrever ajuda a criança a perceber que os sentimentos também podem ser nomeados, desenhados, cantados e transformados em poesia.



Em sua casa casulo
bem enrolada nos fios,
a lagarta dorme a noite
dos que fabricam
asas no escuro.
O seu sono é de veludo
e segredo
e pouco a pouco,
enquanto o menino
e a menina piscam
os olhos,
não se sabe
como aconteceu:
a lagarta virou
borboleta azul,
vira virou
uma borboleta aquarela.



A máquina fotográfica
do Armarinho Mágico
é bem diferente:
Não faz fotos de paisagens,
bichos ou gente.
Fotografias de sentimentos
é o que faz.
Para cada um, uma cor.

Só vou contar a primeira
fotografia,
não importa se é noite
ou dia,
o amor é sempre dourado.
O resto você inventa.

Música inspirada nos versos de Roseana Murray

A música As Poesias de Roseana apresenta, de forma leve e sensível, a delicadeza da autora, aproximando as crianças de seus poemas, imagens e encantamentos.

A música Tecedeira da Luz dialoga com a maneira como Roseana Murray trabalha a palavra poética: como quem tece fios de infância, natureza, memória, afeto e imaginação.

Essas músicas ampliam a experiência da leitura, permitindo que a poesia seja também cantada, ouvida e sentida. Assim, os poemas ganham ritmo, emoção e chegam às crianças de uma forma ainda mais encantadora.

A música amplia a experiência de leitura, permitindo que a poesia seja também ouvida, cantada e sentida pelo ritmo.


Versão 1:


Versão 2:




Versão 1:


Versão 2:


Materiais preparados para esta postagem

Nesta postagem, os leitores poderão acompanhar diferentes materiais sobre Roseana Murray e sua poesia.

Caderno de poesias Roseana Murray

O caderno reúne poemas selecionados da autora, organizados para leitura, apreciação e contato com sua linguagem poética.

Vídeo: Caderno de Poesias Roseana Murray


O vídeo apresenta o caderno em formato audiovisual, valorizando os poemas e as imagens poéticas da autora.

Vídeo: Poesia de Roseana Murray



Material em vídeo para apresentar a poesia da autora de forma sensível e acessível.

Vídeo: A Tecedeira da Luz



O título dialoga com a própria escrita de Roseana Murray, uma poesia que parece tecer luz com palavras, fios, memórias, sentimentos e imagens delicadas.

Podcast: As Poesias de Roseana

O podcast apresenta a obra e os poemas da autora, destacando sua importância para a literatura infantil e para a formação de leitores sensíveis.



Por que ler Roseana Murray com crianças?

Ler Roseana Murray com crianças é abrir uma janela para a sensibilidade. Seus poemas ajudam a desenvolver o gosto pela leitura, a escuta poética, a imaginação, a memória afetiva e o olhar cuidadoso para a natureza e para as pequenas coisas da vida.

A autora mostra que a poesia não precisa estar distante da criança. Ela pode nascer de uma brincadeira, de uma avó, de um cheiro, de uma borboleta, de uma casa, de uma palavra, de um livro novo ou de uma simples lembrança.

Conclusão

Roseana Murray nos ensina que a poesia mora nos detalhes. Mora na ciranda, no colo da avó, no cheiro da casa, na borboleta que se transforma, no livro novo, no silêncio, na palavra mágica e nos sentimentos que iluminam a vida.

Sua obra aproxima crianças e adultos de uma poesia feita de delicadeza, imaginação e profundidade. Ao ler seus poemas, somos convidados a olhar o mundo com mais ternura, como se cada palavra fosse um fio de luz.

Créditos

Autora estudada: Roseana Murray

Poemas: Roseana Murray

Pesquisa, organização da postagem, seleção de materiais, vídeos, podcast e música inspirada: Maria Aparecida de Almeida

Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis

Materiais audiovisuais: vídeos, caderno de poesias, podcast e música criados para fins de divulgação literária, apreciação poética e incentivo à leitura.

Observação sobre direitos autorais: Os poemas pertencem à autora Roseana Murray e às respectivas editoras. A postagem tem finalidade educativa, literária e de incentivo à leitura.

Assinatura

Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida


sábado, 4 de julho de 2026

Odete Rodrigues Baraúna: poesia, infância e brincadeira com a palavra

 



Introdução

A poesia infantil tem o poder de aproximar a criança da palavra, do ritmo, da imaginação e dos sentimentos. Nos poemas de Odete Rodrigues Baraúna, a linguagem aparece como brincadeira, música, descoberta e também como caminho para aprender valores importantes.

Sua escrita passeia por temas muito próximos do universo infantil: o Natal, a bandeira do Brasil, os animais, a primavera, a família, a professora, o trânsito, o consumo consciente e a preservação da natureza. São poemas que convidam a criança a cantar, observar, rir, pensar e participar.

Nesta postagem, vamos conhecer um pouco da poesia de Odete Rodrigues Baraúna e apresentar a música “Brincadeira com a Palavra”, inspirada em seus poemas.

Quem é Odete Rodrigues Baraúna

Odete Rodrigues Baraúna nasceu em Santos. Graduada em Letras, estudou Pedagogia e Estudos Sociais. Sua produção poética revela sensibilidade, ludicidade e atenção ao mundo da criança.

Em seus poemas, a autora trabalha com rimas, repetições, jogos sonoros, humor e temas educativos. A palavra não aparece apenas como conteúdo escolar, mas como experiência viva: palavra que dança, que canta, que ensina e que desperta encantamento.

A poesia como brincadeira

A obra de Odete Rodrigues Baraúna mostra que brincar com a palavra é uma forma de aprender. Quando a criança canta, repete, inventa sons, percebe rimas e acompanha o ritmo dos versos, ela amplia sua escuta, sua oralidade e sua imaginação.

Poemas como “Gato Burguês” trazem humor e fantasia. Já “Primavera” brinca com flores, cores e movimentos. Em “Mãe”, a autora explora a sonoridade da letra M, criando uma sequência afetiva de palavras ligadas à maternidade, à memória e ao carinho.

Temas presentes nos poemas

Infância, humor e fantasia

Em “Gato Burguês”, aparece um gato vaidoso, engraçado e cheio de pose. O poema brinca com a ideia de um gato elegante, que come caviar, tem bigode de chinês e mia em inglês. Esse tipo de construção aproxima a criança da literatura pelo riso e pela surpresa.

          Era uma vez
          Um gato burguês

          Comia caviar
          de barriga pro ar

          Seu pêlo perfumado
          Era sempre penteado

          Bigode de chinês
          Miava em inglês


          Gostava de uma gata
          Que não lhe dava a pata
          
          Por ele suspirava
          Sofria, até suava

          O gato era burguês
          E a gata era pedrês

          Pintada em branco e preto
          Vivia ao relento.
                                                 
         
          Para o burguês  gabola
          Ela não dava bola

          Passava requebrando
          baixinho ia miando

          Miau, miau, miaaau
          Cato cara-de-pau

          Gato, enfezado
          Miou atrapalhado

          Gata exibida au au
          Miau, ai live iuau

Natureza e encantamento

Em “Primavera” e “Mata-Desmata”, a natureza aparece como beleza, vida e também como alerta. A primavera surge cheia de flores, cores e movimento. Já o poema sobre a mata chama atenção para o desmatamento e para o sofrimento da natureza quando o ser humano não cuida do ambiente.



Margarida

Ri da vida

Enquanto

Gira, gira, o Sol

Gira-gira-girassol

                           Primavera

                           Beija-Flor
                          Amor- Perfeito
                          Beija-Amor
                          Primavera-Beija-Amor
                          Primavera-Beija- Amor

                          Cor- de - Rosa
                          Amarela
                          Tão vermelha
                           E Branca Rosa

                          Entre azuis
                          Entre lilazes
                          Vi o riso
                          E as caretas
                          dos- miosótis- e-violetas
                          dos-miosótis- e- violetas

                          Primavera
                          Ri da vida
                          Margarida
                          Beija- Flor
                          Vermelha- Rosa- Beija- Amor
                          Vermelha-Rosa-Beija- Amor

                          Violetas
                          E miosótis
                          Entre caretas
                          Giram no Sol
                          Entre- caretas-giram-no-sol 
                          Entre-caretas-giram-no-sol

                          Primavera Gira- Vida
                          Primavera Beija- Flor
                          Primavera Gera- Flor
                          Primavera Gera-Flor

                          Primavera Gira-Gera
                          Gira-Flor e Gera-Flor
                          Primavera Gera-Gira
                          Gera- Flor e Gira- Amor

Cidadania e cotidiano



Em “Bandeira do Brasil”, a autora relaciona as cores da bandeira à pátria, às matas, ao céu, às águas e à necessidade de cuidar da ecologia. O poema ajuda a criança a perceber que amar o Brasil também significa preservar a natureza e praticar a cidadania.

Bandeira tão linda!
          Bandeira do Brasil
          É verde, amarela,
          Azul de encantos mil.
          
          No céu ,
          No sol,
          Nas matas,
          As cores da Bandeira 
          Amemos com orgulho
          A pátria brasileira.

          No verde, nossas matas,
          Tão pouco preservadas,
          enfrentam tombamentos 
          e terríveis queimadas.

          O amarelo é luz
          O sol a aquecer a terra de Cabral
          O Brasil  tropical

          Azul o nosso céu
          Com aves  a voar.
          Se o ar é poluído,
          O pássaro é ferido.

          As  brancas águas
          Correm nos rios, nas cachoeiras,
         trazendo higiene pra gente brasileira.

          Cuidar da ecologia,
          Amar sua bandeira,
          viver cidadania
          É semear estrela. 

Educação para a vida

Poemas como “Rogerinho e a professora”, “Olho Nele!” e o texto sobre o trânsito trazem situações do cotidiano infantil. A autora fala de estudo, emoção, responsabilidade, consumo consciente, atenção ao troco, segurança no trânsito e respeito às pessoas.

Assim, sua poesia não fica presa apenas ao encantamento. Ela também educa para a vida.



          Professora,
          Minha doce professora,
          A tarefa, eu não fiz,
          Tabuada, não estudei,
          Só por causa da Isabela.
          Veja só o que ela fez:
          Se ela passa,
          O meu corpo todinho se arrepia,
          Na barriga, eu sinto uma cosquinha,
          E dispara, batendo o coração:
          Isa-bela,
          Isa- bela,
          Isa, Isa, Isa-bela,
          Na cabeça, não entra nada, não!(Bis)

          Rogerinho,
          Regue esta semente com carinho,
          Pois o amor, quando pinta, é tão bom...
          Nossa vida é feita de emoção.
          Mas, cuidado, não perca a razão.
          Tabuada, não deixe de estudar.
          Quantos beijos saberá multiplicar...
          Carinhos e tarefas dividir,
          Tristezas poderá subtrair.
          Mas, cuidado, para a bomba não explodir.
          Professora, minha doce professora...
          Rogerinho, regue essa semente com carinho...


Amor materno



O poema “Mãe”, de Odete Rodrigues Baraúna, valoriza uma das figuras mais presentes na formação afetiva da criança: a mãe. A poesia apresenta a maternidade como cuidado, ternura, proteção e presença amorosa. Em linguagem simples e delicada, o poema aproxima a criança de sentimentos como gratidão, carinho e reconhecimento.

Esse tipo de poema é importante porque ajuda os alunos a perceberem que a poesia também nasce das relações familiares e das emoções do cotidiano. Ao falar da mãe, a autora não fala apenas de uma pessoa, mas de um vínculo afetivo que acolhe, ensina, orienta e acompanha.

Na sala de aula ou em atividades de leitura, o poema pode abrir uma conversa sensível sobre família, amor, respeito e diferentes formas de cuidado. É importante lembrar que cada criança vive uma realidade familiar diferente; por isso, a leitura pode ser ampliada para falar das pessoas que cuidam, protegem e educam com carinho.

Para conversar sobre o poema “Mãe”

O que o poema nos faz sentir?

Que palavras lembram carinho e cuidado?

Quem são as pessoas que cuidam de nós no dia a dia?

Por que é importante demonstrar gratidão?

Como podemos homenagear quem nos ama?

Universo das brincadeiras

O poema “Boneco Dançolino”

O poema “Boneco Dançolino” revela o lado brincante e imaginativo da poesia de Odete Rodrigues Baraúna. O título já desperta curiosidade, pois une a imagem de um boneco ao movimento da dança, criando uma atmosfera lúdica, alegre e musical.

Nesse poema, a criança é convidada a entrar no universo da brincadeira, onde objetos ganham vida, personagens se movimentam e a imaginação transforma o cotidiano em encantamento. O boneco deixa de ser apenas brinquedo e passa a ser personagem poético, capaz de dançar, divertir e despertar fantasia.

A força do poema está justamente nessa aproximação entre poesia, infância e movimento. Ele pode ser trabalhado com leitura expressiva, dramatização, música, gestos e dança, permitindo que as crianças sintam o ritmo das palavras com o corpo. Assim, a poesia deixa de ser apenas leitura silenciosa e se transforma em experiência viva.

Para conversar sobre o poema “Boneco Dançolino”

O que o nome “Dançolino” sugere?

Como você imagina esse boneco?

Que ritmo combinaria com a dança dele?

O poema parece alegre, engraçado ou delicado?

Que outros brinquedos poderiam virar personagens de poesia?

Com os poemas “Mãe” e “Boneco Dançolino”, Odete Rodrigues Baraúna mostra duas faces importantes da infância: o afeto e a brincadeira. De um lado, a ternura familiar; de outro, a imaginação que faz o brinquedo ganhar vida. Assim, sua poesia conversa com o coração da criança, valorizando sentimentos, memórias, fantasia e o prazer de brincar com as palavras.

A poesia de Odete Rodrigues Baraúna nasce do encanto pelas palavras e pelo olhar sensível para a infância. Em seus poemas, a criança encontra afeto, brincadeira, imaginação, ritmo e alegria.

Entre a ternura de “Mãe”, a graça de “Gato Burguês”, a beleza de “A primavera”, o carinho por “A bandeira do Brasil”, a delicadeza de “Rogerinho e a professora” e a fantasia de “Boneco Dançolino”, a autora mostra que a poesia pode ser simples, musical e cheia de vida.

Ler Odete é entrar em uma roda de palavras onde tudo pode virar verso: o amor, a escola, a natureza, os brinquedos, os animais, a pátria e a infância. É descobrir que a poesia também brinca, canta, dança e abraça.

Música inspirada nos poemas

A música “Brincadeira com a Palavra” foi criada como uma costura poética entre diferentes textos de Odete Rodrigues Baraúna. O refrão funciona como convite:

“Na brincadeira com a palavra
vamos dançar a vida
acendendo risos
descobrindo magia do ritmo
da rima, da fantasia.”

Esse refrão combina com ciranda, roda, palmas e participação das crianças. A música pode ser usada como abertura da postagem, trilha para vídeo, apresentação escolar ou podcast infantil.




Caderno de poesias

Este Caderno de poesia digital de poesias é sobre os poemas de Odete Rodrigues BaraúCCna. O caderno foca na "Brincadeira com a Palavra", um projeto lúdico que transforma rimas e ritmos em ferramentas de aprendizado e alegria. Por meio de canções, o texto aborda temas variados, como o patriotismo brasileiro, a preservação da natureza e conceitos básicos de matemática. Além disso, a obra promove valores importantes sobre consciência social, cidadania no trânsito e a valorização da imaginação infantil. No geral, trata-se de um convite para celebrar a vida através de uma educação artística e poética.


Conversando sobre os poemas:

O que mais chamou sua atenção nos poemas de Odete Rodrigues Baraúna?

Qual poema parece mais engraçado?

Qual poema fala sobre cuidado com a natureza?

Que palavras rimam ou combinam entre si?

Por que brincar com as palavras também pode ser uma forma de aprender?

Para pensar

As palavras podem ensinar, emocionar e divertir. Quando a criança entra no mundo da poesia, ela aprende a olhar para as coisas simples com mais encanto: uma flor, um gato, uma bandeira, uma professora, uma mãe, uma estrada, uma mata.

Na poesia de Odete Rodrigues Baraúna, a palavra vira brinquedo, música, riso e reflexão.

Podcast sobre o poema



Materiais da postagem

Caderno de poemas de Odete Rodrigues Baraúna. https://www.youtube.com/watch?v=dikvTY9DtFI

Música “Brincadeira com a Palavra”https://www.youtube.com/watch?v=00A0nBqja_8

https://www.youtube.com/watch?v=kdXrFBHmUco

Podcast sobre a autora. https://www.youtube.com/watch?v=AfAycugTdBs


Créditos

Poemas: Odete Rodrigues Baraúna.

Música inspirada nos poemas: Maria Aparecida de Almeida.

Organização do material pedagógico: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis

Bastos Tigre: poesia, infância, humor e ternura familiar

 




Introdução

A poesia infantil tem o poder de transformar pequenas cenas do dia a dia em momentos de encanto. Uma conversa com a mãe, uma avó fazendo crochê, uma criança cheia de imaginação ou um presente de Natal podem se tornar poesia quando vistos com sensibilidade.

Nos poemas de Bastos Tigre, a infância aparece com graça, espontaneidade e ternura. Seus versos aproximam o leitor de situações simples, mas cheias de vida: a criança que aprende boas maneiras, a avó que se zanga e abraça, a mãe que cuida mesmo cansada e o menino que sonha com um presente especial.

Nesta postagem, vamos conhecer alguns poemas de Bastos Tigre que revelam o encanto das relações familiares e o olhar divertido da criança sobre o mundo.

Bastos Tigre e a poesia da infância



Bastos Tigre foi poeta, escritor, jornalista e humorista brasileiro. Sua escrita se destaca pelo humor inteligente, pela leveza e pela capacidade de observar o cotidiano com graça.

Em seus poemas infantis, ele apresenta cenas familiares de forma simples e divertida. A criança, em seus versos, não aparece como alguém sem voz, mas como personagem esperta, curiosa e cheia de respostas inesperadas.

Sua poesia aproxima gerações, pois fala de casa, de mãe, de avó, de brincadeiras, de pequenos ensinamentos e de sentimentos que continuam vivos na memória afetiva.

O Caroço

Em “O Caroço”, Bastos Tigre apresenta uma cena muito comum: uma criança à mesa, aprendendo com a mãe uma regra de educação. Depois de comer uma empada com azeitona, o menino coloca o caroço sobre a toalha. A mãe, com carinho, explica que o caroço deve ser colocado em um cantinho do prato.

A graça do poema está na resposta da criança: se o prato é redondo, como pode ter cantinho?

O poema brinca com a lógica infantil. A criança escuta a orientação da mãe, mas interpreta tudo de forma muito concreta. É justamente essa sinceridade que dá leveza e humor ao texto.


   

         
           Eu comi ontem no almoço
           A azeitona de um empada;
           Depois botei o caroço
           Sobre a toalha engomada.

           Mas mamãe logo nota
           E me ensina com carinho:
           -O caroço não se bota
           Sobre a toalha, meu benzinho.

           O que ele me diz eu ouço
           Sempre, com toda atenção!
           A perguntei-lhe:- O caroço
           Mamãe, onde boto então?

           -Toda pessoa de linha,
           De educação. de recato
           O osso, o caroço, a espinha
           Põe num cantinho do prato.

           E eu então lhe respondo,
           Com respeitoso carinho:
           Mas meu prato é redondo,

           Meu prato não tem cantinho... 


O que o poema discute?

O poema fala sobre boas maneiras, educação familiar e o modo como a criança compreende o mundo. Também mostra que os ensinamentos podem acontecer com carinho e que a infância tem uma forma própria de pensar.

Para pensar

A criança muitas vezes vê as coisas de maneira diferente dos adultos. O poema nos lembra que a infância é feita de perguntas, descobertas e respostas inesperadas.

A Avó

Em “A Avó”, encontramos uma figura cheia de ternura: a vovó franzidinha, sentada na rede, entretida no crochê. Às vezes, ela se incomoda com o barulho da criança, mas a zanga logo se transforma em riso e abraço.

A parte mais divertida acontece quando a avó procura os óculos pela casa inteira, sem perceber que eles estão presos no alto da testa.

O poema une humor e carinho. A avó é retratada com delicadeza, e a convivência entre ela e a criança aparece como uma mistura de brincadeira, paciência, travessura e afeto.



          A vovó também é velha,
          Franzidinha como quê.
          Passa os dias lá na rede,
          Entretida no crochê.

          Às vezes fica zangada
          Com o barulho que faço.
          Pega na chinela, eu me rio, 
          Ela ri e lá vem um abraço.

          Um dia virou a casa
          Para os óculos achar.
          Remexeu canto por canto
          E queria me culpar.

          Bem que eu sabia de tudo,
          Mas aquilo era uma festa,
          Pois a vovó tinha os óculos
          Presos no alto da testa

O que o poema discute?

O poema fala sobre a relação entre avós e netos, sobre envelhecimento, memória, convivência e amor familiar. Também mostra que o riso pode fazer parte das relações de cuidado.

Para pensar

As avós e os avôs guardam histórias, gestos e lembranças. Muitas vezes, são eles que tornam a infância mais doce e cheia de memórias afetivas.



Em “O Remédio”, Bastos Tigre apresenta uma cena engraçada e muito expressiva. A criança conta que, quando a mãe vai para a cama dizendo que está com dor de cabeça, ele descobre uma maneira de fazê-la levantar: começa a chorar e a dizer que também está sentindo dores.

A mãe, preocupada, esquece a própria dor e corre para cuidar do filho.

O humor do poema nasce dessa esperteza infantil. A criança percebe o amor da mãe e entende que, diante do sofrimento do filho, ela se levanta imediatamente.

          A mamãe, de vez em quando
          Embora boa pareça
          Vai pra cama se queixando
          Que está com dor de cabeça.

          Tenho um remédio na exata
          Que a põe boa de uma vez
          Receita muito barata
          Que eu vou dizer a vocês.

          Quando ela vai se deitar
          E que não quer ver ninguém,
          Eu abro a boca a chorar
          Sentindo uma dor também.

          Dor nos olhos, dor nos ouvidos,
          Nos dentes, no pé, na mão...
          Solto gritos e gemidos
          Que é de cortar coração.

          Pois olhem que até me espanta!
          Com este remédio à toa,
          Como a mamãe se levanta,
          Como fica boa!

O que o poema discute?

O poema fala sobre o cuidado materno, a atenção que a criança deseja receber e a dedicação da mãe. Também revela, com humor, como as crianças observam os adultos e descobrem formas de chamar atenção.

Para pensar

O amor de mãe aparece nos pequenos gestos. Mesmo cansada, a mãe se preocupa, cuida e acolhe. O poema mostra essa relação com leveza e graça.

Presente de Natal

Em “Presente de Natal”, o pai diz ao menino que Papai Noel lhe dará um bebezinho. A criança fica feliz com a ideia de ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha, mas guarda um segredo: no fundo, preferia ganhar um cachorrinho bassê.

O poema é delicado e divertido porque mostra a sinceridade da infância. A criança entende a alegria da chegada de um bebê, mas seu desejo ainda está ligado ao universo infantil dos brinquedos, dos animais e dos presentes sonhados.




         
O papaizinho, outro dia,
          Me disse que, no Natal,
          Papai Noel me daria
          Um bebezinho.Que tal?

          -Um bebê? Disse eu, então,
          Pulando no seu pescoço.
          -Um bebezinho, pois não!
          Perfeito, de carne e osso!

          E pergunta o papaizinho,
          Sorrindo não sei por quê:
          -U'a maninha?Um maninho?
          Que é que prefere você?

          -Qualquer um, el lhe respondo
           No rosto dando- lhe um beijo.
          Mas a verdade eu lhe escondo
          Do que, de fato, desejo.

          Eu vou ter muita alegria
          Quando chegar o bebê.
          Mas sabe o que eu prefiria?
          -Um cachorrinho bassê!


    

O que o poema discute?

O poema fala sobre família, nascimento, expectativa, desejo infantil e sinceridade. Mostra que a criança pode amar a chegada de um novo membro da família, mas também ter seus próprios sonhos e vontades.

Para pensar

A infância é feita de imaginação e desejos simples. Às vezes, aquilo que parece pequeno para os adultos é muito importante para a criança.

Por que ler Bastos Tigre com as crianças?

Ler Bastos Tigre é aproximar as crianças de uma poesia leve, bem-humorada e cheia de afeto. Seus poemas falam de situações familiares, fáceis de compreender, mas ricas em sentido.

As crianças podem se reconhecer nas cenas, rir das situações e conversar sobre sentimentos, família, educação, cuidado e convivência.

A poesia de Bastos Tigre mostra que a literatura também mora dentro de casa: na mesa, na rede da avó, no quarto da mãe, no Natal e nas pequenas conversas do cotidiano.

Sugestões para famílias e professores

A leitura dos poemas pode ser feita em voz alta, valorizando o ritmo, as falas e o humor dos versos.

Depois da leitura, as crianças podem conversar sobre as cenas, contar experiências parecidas, desenhar o poema de que mais gostaram ou dramatizar os personagens.

Também é possível criar um pequeno mural com o tema: “Poesia, família e infância”, reunindo desenhos, frases e lembranças das crianças.

 Materiais Audiovisuais

Cadernos de poesias com os textos de Bastos Tigre.



Vídeo das versões da Música  Inspirada no poema de  Bastos Tigres




                              A letra da música é de autoria de Maria Aparecida de Almeida


Podcast leve sobre Bastos Tigre e a infância em seus poemas.


Conclusão

Os poemas de Bastos Tigre encantam porque falam de coisas simples: uma mãe ensinando, uma avó esquecida, uma criança esperta, um presente esperado. Mas, por trás dessas pequenas cenas, há muito afeto, humor e memória.

Sua poesia nos lembra que a infância é cheia de perguntas, respostas engraçadas, carinho familiar e descobertas. Ler seus poemas é voltar a esse tempo em que tudo podia virar história, riso e poesia.

Créditos

Poemas: Bastos Tigre.

Seleção, organização e apresentação literária: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encanto da Infância — poesias e músicas infantis.

Assinatura

Com carinho,
Maria Aparecida de Almeida
Encanto da Infância: poesias e músicas infantis

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Marilene Godinho: poesia, infância, natureza e encantamento

 



Introdução

A poesia tem o poder de transformar lembranças simples em encantamento. Nas palavras de Marilene Godinho, a infância, a roça, a lua, os animais, a escola, a família e a natureza aparecem como pequenas janelas abertas para a imaginação.

Nesta postagem, o blog Encanto da Infância: poesias e músicas infantis apresenta um material especial dedicado à escritora caratinguense Marilene Godinho, poeta e educadora que soube aproximar a criança do universo da leitura por meio da sensibilidade, da musicalidade e da fantasia.

Seus poemas falam de coisas simples, mas cheias de beleza: a lamparina que iluminava a casa, a viola que consola a saudade, a boneca feita de retalhos, a primavera na roça, a lua doce como rapadura e tantos outros elementos que fazem parte de um mundo afetivo, poético e encantador.

Quem é Marilene Godinho?



Marilene Godinho é poeta, educadora e escritora de Caratinga, Minas Gerais. Sua obra dialoga com a infância, com a cultura regional, com a vida no campo, com a memória e com o prazer de ler.

Em seus textos, as palavras parecem brincar com as crianças. A leitura deixa de ser apenas uma tarefa escolar e passa a ser uma aventura. Como aparece no relatório estudado, em sua obra a leitura pode ser vista como um verdadeiro “passeio de pipa”, capaz de levar a criança a viajar pela imaginação.

Marilene Godinho também criou um universo poético em que o alfabeto, a natureza e as lembranças ganham vida. Suas poesias mostram que ler é abrir portas para um castelo encantado, onde cada palavra pode revelar uma nova descoberta.

A poesia de Marilene Godinho e o olhar da criança

Os poemas reunidos neste material mostram uma escrita cheia de ternura, humor, memória e musicalidade. Em alguns textos, encontramos a vida simples da roça, com fogão de lenha, lamparina, bica, primavera, lua e terra. Em outros, aparecem personagens e situações próximas do universo infantil, como boneca, festa no galinheiro, bicho de pé e dente de ouro.

A criança, ao entrar em contato com esses poemas, pode perceber que a poesia não está apenas nos livros. Ela também está no quintal, no céu, nos animais, nas brincadeiras, na saudade, nas histórias da família e nas pequenas cenas do cotidiano.

Poemas presentes no material

O caderno preparado para esta postagem reúne poemas de Marilene Godinho que valorizam a infância, a natureza, a cultura popular e a memória afetiva. Entre eles estão textos como Terra Braba, A Seca, Viola, Nêga Bá, Menino da Lua, Porteira, Lamparina, Felisbela, Festa no Galinheiro, Fogão de Lenha, Boneca, Bicho de Pé, Bica, Primavera e Lua de Rapadura.

Cada poema pode ser trabalhado de forma sensível, permitindo que as crianças escutem, imaginem, conversem, desenhem, cantem e descubram a beleza das palavras.

O que os poemas nos fazem sentir?

Os poemas de Marilene Godinho nos fazem sentir saudade, alegria, ternura, curiosidade e encantamento. Eles despertam lembranças de casa simples, quintal, lua cheia, histórias contadas, cheiro de comida no fogão, sons da natureza e brincadeiras de criança.

Mesmo quando falam de temas mais sérios, como a seca, a vida do homem do campo ou a partida de alguém querido, os poemas mantêm uma força poética que ajuda a criança a compreender sentimentos humanos de maneira sensível.

Conversando sobre os poemas

Depois da leitura dos poemas, o professor ou a família pode conversar com as crianças sobre as imagens que apareceram nos textos.

Que poema mais chamou sua atenção?

Que palavras fizeram você imaginar uma cena?

Você já viu uma lamparina, uma bica, um fogão de lenha ou uma porteira?

Como você imagina a “lua de rapadura”?

Qual poema parece mais alegre?

Qual poema parece mais saudoso?

Que desenho você faria inspirado nesses poemas?

Essas perguntas ajudam a criança a perceber que a poesia também nasce da escuta, da memória, da observação e da imaginação.

Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho

Para tornar o material ainda mais encantador, foi criada uma música inspirada em alguns poemas de Marilene Godinho. A letra da música é de autoria de Maria Aparecida de Almeida e nasceu a partir da leitura sensível desses poemas.

A canção tem um tom romântico, afetivo e nostálgico, lembrando o estilo de músicas populares brasileiras marcadas por emoção, memória e delicadeza. Ela não copia os poemas, mas conversa com eles, transformando sentimentos, imagens e lembranças em melodia.

Saudade de Mim - Versão 1


Saudade de Mim- Versão 2


LETRA DA MÚSICA : SAUDADE DE MIM

Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho

Ah! Que Saudade de Mim

Nêga Bá, cê me criou,
o tempo não te levou,
e eu já sei bem o porquê:
quando abraço na saudade,
todo bem que foi verdade,
lembrança busca “vancê”.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Quando em meu peito
saudade se aninha,
encontro um só jeito:
cantar a modinha.

Eu pego a viola
e canto na tarde,
e lamento,
e amanso a saudade.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Você me ensinou
a olhar a lua,
sentir poesia
na noite fria.

Com você aprendi
que lua derrama prata,
serena estrelas,
passeia no céu.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Letra: Maria Aparecida de Almeida
Inspirada em poemas de Marilene Godinho


Podcast para crianças

Este material também contará com um podcast infantil sobre Marilene Godinho. A proposta é apresentar a escritora de forma leve, como uma contadora de encantos, mostrando às crianças que seus poemas falam da lua, da roça, dos animais, das lembranças, das brincadeiras e da beleza escondida nas coisas simples.

O podcast poderá começar com uma saudação carinhosa às crianças e seguir explicando, em linguagem simples, quem é Marilene Godinho, por que seus poemas são importantes e como a poesia pode transformar a leitura em uma viagem pela imaginação.



Vídeos, slides e caderno de poesias

Alguns materiais também poderão ser transformados em vídeos para enriquecer a postagem. Os slides com poemas, imagens, música e apresentação da autora podem ser usados como recursos audiovisuais para o blog e para o canal.









Sugestões de atividades

As crianças podem ouvir a leitura de um poema e desenhar a cena que imaginaram.

Podem escolher uma palavra bonita do poema e explicar por que gostaram dela.

Podem criar uma pequena ilustração para a “lua de rapadura”.

Podem conversar sobre as lembranças da vida no campo, da casa dos avós, dos animais ou da natureza.

Podem ouvir a música inspirada nos poemas e dizer que sentimentos ela despertou.

Podem criar, coletivamente, um mural com desenhos, palavras e frases inspiradas na poesia de Marilene Godinho.

Para pensar

A poesia de Marilene Godinho nos ensina que a beleza pode estar nas coisas simples. Uma porteira, uma boneca de retalhos, uma lamparina, uma bica ou uma lua no céu podem se transformar em poesia quando olhamos para elas com carinho.

Ler seus poemas é como entrar em um mundo onde a memória, a infância e a natureza caminham de mãos dadas.

Materiais desta postagem

Caderno de poesias de Marilene Godinho. https://www.youtube.com/watch?v=drrIwa_vL6E

Slides sobre Marilene Godinho. https://canva.link/9yibri70u948awv

https://canva.link/zm1klkjle3ybjn3

https://canva.link/l6fvd8f1kq9n6i6

https://canva.link/cdg5nr1uwvs7b6s

Música inspirada em alguns poemas da autora. 

https://www.youtube.com/watch?v=2JDHsLaCqZc

https://www.youtube.com/watch?v=LMS3Hq2PCvc

Podcast infantil sobre Marilene Godinho.

 https://www.youtube.com/watch?v=EoMLuuA5oL4

Vídeos produzidos a partir dos materiais. 

https://www.youtube.com/watch?v=E80h2KHaBvE

https://www.youtube.com/watch?v=drrIwa_vL6E

Créditos

Poemas: Marilene Godinho.

Letra da música inspirada nos poemas: Maria Aparecida de Almeida.

Organização do material: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis.

Conclusão

Marilene Godinho nos mostra que a poesia pode nascer da terra, da lua, da casa simples, da lembrança, da infância e do coração. Seus poemas aproximam as crianças da leitura de uma forma bonita, afetiva e encantadora.

Que este material ajude professores, famílias e crianças a descobrirem a alegria de ler, ouvir, cantar e sentir poesia.

Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Olavo Bilac: poesia, infância, natureza e encantamento

 




Introdução

Olavo Bilac é um dos grandes nomes da poesia brasileira. Seus versos são marcados pela musicalidade, pelo cuidado com as palavras e por temas que dialogam muito bem com o universo infantil, como a natureza, a casa, a família, o trabalho, a pátria, o tempo, os animais e os sentimentos.

Nesta postagem do blog Encantos da infância: poesias e músicas infantis, reunimos poemas de Olavo Bilac em um caderno de poesias, slides e músicas inspiradas em seus versos. A proposta é aproximar as crianças da literatura brasileira de forma sensível, poética e encantadora.

Ler Bilac com as crianças é uma oportunidade de perceber como a poesia pode ensinar a observar o mundo com mais atenção: o sol que ilumina, a casa que acolhe, as flores que alegram, o tempo que passa, a liberdade dos pássaros e o amor pela terra onde vivemos.

O que encontramos neste material

Neste material, o leitor encontrará uma seleção de poemas de Olavo Bilac apresentados de forma acessível para o trabalho com crianças. Entre os textos selecionados estão poemas que falam do amor à terra natal, da casa, da mãe, do sol, das flores, do tempo, da liberdade e de valores importantes para a convivência humana.

O caderno de poesias traz poemas e adaptações explicativas que ajudam a criança a compreender melhor os temas presentes na obra de Bilac. Os slides ajudam na apresentação visual dos textos, enquanto as músicas inspiradas nos poemas tornam a experiência mais lúdica e envolvente.

Poemas presentes no caderno

O caderno apresenta poemas como “Pátria”, que fala do amor à terra em que nascemos; “À minha mãe”, que aborda ternura, saudade e amor materno; “A Casa”, que valoriza o lar e o carinho familiar; e “O Sol”, que mostra a natureza iluminada pela vida e pelo trabalho.

Também aparecem poemas e textos relacionados a temas como flores, avós, fábulas, bandeira, liberdade, tempo, universo, cotidiano e trabalho, ampliando as possibilidades de leitura e conversa com as crianças.

Música e poesia

A música pode ser uma ponte muito bonita para aproximar as crianças da poesia. Quando os versos ganham melodia, a escuta se torna mais envolvente e a criança percebe melhor o ritmo, a repetição, a sonoridade e as imagens poéticas.

As músicas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac não substituem os poemas originais. Elas funcionam como uma releitura poética e musical, criada para dialogar com os textos e despertar o interesse das crianças pela leitura.

 Apresentação do autor

👤 Sobre o autor: Olavo Bilac

Olavo Bilac foi um importante poeta brasileiro, conhecido pela beleza, musicalidade e cuidado com as palavras. Sua poesia apresenta versos marcantes, linguagem expressiva e grande valorização da pátria, da natureza, da infância e da língua portuguesa.

Em muitos de seus poemas, Bilac convida o leitor a observar o mundo com sensibilidade, admiração e respeito.

 Apresentação do caderno de poesias

Preparei um caderno de poesias com textos de Olavo Bilac selecionados para leitura, apreciação e conversa com as crianças. O material pode ser usado em rodas de leitura, aulas de Língua Portuguesa, momentos de poesia, projetos literários ou atividades interdisciplinares.



 Slides com poemas

Os slides foram preparados para facilitar a apresentação dos poemas em sala de aula ou em momentos de leitura compartilhada. Eles podem ser utilizados pelo professor, pela família ou pelo mediador de leitura para tornar a experiência mais visual e atrativa.

Vídeo: O ciclo das estações

A música apresentada nesse vídeo faz uma relação entre os meses e as estações do ano.


Vídeo: Os Meses
Neste vídeo tem a letra  da música Meses. Esse vídeo apresenta os meses do ano.





 Músicas inspiradas nos poemas

Além da leitura dos poemas, também foram criadas músicas inspiradas nos versos de Olavo Bilac. As canções ajudam a aproximar as crianças da poesia por meio da musicalidade, da escuta e da sensibilidade.





 Conversando sobre os poemas

Depois da leitura, conversar com as crianças:

O que o poema nos faz imaginar?

Que sentimentos aparecem nos versos?

Que elementos da natureza são citados?

O poema fala de casa, família, liberdade, trabalho ou amor à pátria?

Qual imagem do poema ficou mais bonita na sua imaginação?

Se esse poema virasse desenho, como ele seria?

Orientação ao professor

Antes de apresentar os poemas às crianças, o professor pode fazer uma breve conversa sobre Olavo Bilac, explicando que ele foi um poeta brasileiro que escreveu versos marcados pela musicalidade, pela beleza das palavras e pelo amor à natureza, à infância, à família e à pátria.

A leitura pode ser feita de forma pausada e expressiva, permitindo que as crianças percebam o ritmo dos versos, imaginem as cenas descritas e compartilhem os sentimentos despertados por cada poema.

 Atividades sugeridas

Leitura em roda

O professor ou mediador pode ler o poema em voz alta, valorizando a entonação, as pausas e a musicalidade dos versos.

POEMAS DE OLAVO BILAC

A Pátria

Olavo Bilac

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

 

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

 

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

Quem com seu suor a fecunda e umedece,

vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!




Para experimentar Octávio, o mestre
Diz: “Já que tudo sabe, venha cá!
Diga em que ponto da extensão terrestre
Ou da extensão celeste Deus está!”

A casa

Olavo Bilac

Vê como as aves têm, debaixo d’asa,

O filho implume, no calor do ninho!...

Deves amar, criança,a  tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!

Dentro da casa em que nasceste és tudo...

Como tudo é feliz, no fim do dia,

Quando voltas das aulas e do estudo!

Volta, quando tu voltas, a alegria!

Aqui deves entrar como num templo,

Com a alma pura, e o coração sem susto:

Aqui recebes da Virtude o exemplo,

Aqui aprendes a ser meigo e justo.

Ama esta casa! Pede a deus que a guarde,

Pede a Deus que a proteja eternamente!

Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,

Te vejas, triste, d’esta casa ausente...

E, já homem, já velho e fatigado,

Te lembrarás da casa que perdeste,

E hás de chorar, lembrando o teu passado...

— Ama, criança, a casa em que nasceste!

 



Salve, sol glorioso ! Ao teu clarão fecundo,

A natureza canta e se extasia o mundo.

Que tristeza, que dó, quando desapareces !

Vens, e a terra estragada e feia reverdeces;

Abres com o teu calor as sebes perfumadas;

Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;

Os ninhos aquecendo, as  gargantas das aves

Dás gorjeios de amor, e harmonias suaves;

E, cintilando sobre os tufos de verdura,

Em cada ramo põe uma fruta madura.

A noite é como a morte; o dia é como a vida.

Ó Sol, quando te vais, a alma vaga perdida ...

Os pensamentos mais são os filhos da treva:

Fogem, quando a brilhar, no horizonte se eleva

O Sol, pai to trabalho, o Sol, pai da alegria ...

Salve, anúncio da Vida, e portador do Dia !

Passem os meses desfilando!

Venha cada um por sua vez!




Não sejas nunca medroso!

Fraco embora, tem coragem!

Para fazer a viagem

Da vida, sem hesitar,

É preciso, de alma forte,

Sem ostentar valentia,

Dominar a covardia,

Para o perigo enfrentar.

O medo é próprio do pérfido,

Do pecador, do malvado:

Quem não se entrega ao pecado

Não receia a punição.

Não tem medo quem caminha

Com a consciência tranqüila,

Quem o inimigo aniquila

Com a força da razão!

Não abuses da bravura;

Não afrontes o inimigo;

Não procures o perigo;

Prega o amor! e prega a paz!

Mas, se isso for impossível,

Não fujas! cai batalhando!

E, se morreres lutando,

Morre! feliz morrerás.



Se a todos os condiscípulos

Te julgas superior,

Esconde o mérito, e cala-te

Sem ostentar teu valor.

Valem mais que a inteligência,

A constância e a aplicação:

Sê modesto! estuda, aplica-te,

E foge da ostentação!

Mais vale o mérito próprio

Sentir, guardar e ocultar:

Porque o verdadeiro mérito

Não gosta de se mostrar.



Este, que, desde a sua mocidade,

Penou, suou, sofreu, cavando a terra,

Foi robusto e valente, e, em outra idade,

Servindo à Pátria, conheceu a guerra.

Combateu, viu a morte, e foi ferido;

E, abandonando a carabina e a espada,

Veio, depois do seu dever cumprido,

Tratar das terras, e empunhar a enxada.

Hoje, a custo somente move os passos...

Tem os cabelos brancos; não tem dentes...

Porém remoça, quando tem nos braços

Os dois netos queridos e inocentes.

Conta-lhes os seus anos de alegria,

Os dias de perigos e de glórias,

As bandeiras voando, a artilharia

Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...

E fica alegre quando vê que os netos,

Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,

Batem palmas, extáticos, e inquietos,

Amando a Pátria sem temer a morte




Salve, lindo pendão da esperança!

Salve, símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul,

A verdura sem par destas matas,

E o esplendor do Cruzeiro do Sul...

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,

Compreendemos o nosso dever:

E o Brasil, por seus filhos amado,

Poderoso e feliz há de ser!

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa nação brasileira,

Nos momentos de festa ou de dor,

Paira sempre, sagrada bandeira,

Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!




Deus ao mundo deu a guerra,

A doença, a morte, as dores;

mas, para alegrar a terra,

Basta haver-lhe dado as flores.

Umas, criadas com arte,

Outras, simples e modestas,

Há flores por toda a parte

Nos enterros e nas festas,

Nos jardins, nos cemitérios,

Nos paúes e nos pomares;

Sobre os jazigos funéreos,

Sobre os berços e os altares,

Reina a flor! pois quis a sorte

Que a flor a tudo presida,

E também enfeite a morte,

Assim como enfeita a vida.

Amai as flores, crianças!

Sois irmãs nos esplendores,

Porque há muitas semelhanças

Entre as crianças e as flores...




Tal como a chuva caída

Fecunda a terra, no estio,

Para fecundar a vida

O trabalho se inventou.

Feliz quem pode, orgulhoso,

Dizer: “Nunca fui vadio:

E, se hoje sou venturoso,

Devo ao trabalho o que sou!”

É preciso, desde a infância,

Ir preparando o futuro;

Para chegar à abundância,

É preciso trabalhar.

Não nasce a planta perfeita,

Não nasce o fruto maduro;

E, para ter a colheita,

É preciso semear...


A Velhice

Olavo Bilac

                   O neto:

Vovó, por que não tem dentes?

Por que anda rezando só.

E treme, como os doentes

Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo?

Por que se apóia a um bordão?

Vovó, porque, como o gelo,

É tão fria a sua mão?

Por que é tão triste o seu rosto?

Tão trêmula a sua voz?

Vovó, qual é seu desgosto?

Por que não ri como nós?

             


Meu neto, que és meu encanto,

Tu acabas de nascer...

E eu, tenho vivido tanto

Que estou farta de viver!

Os anos, que vão passando,

Vão nos matando sem dó:

Só tu consegues, falando,

Dar-me alegria, tu só!

O teu sorriso, criança,

Cai sobre os martírios meus,

Como um clarão de esperança,

Como uma benção de Deus!

Infância

Olavo Bilac

 

O berço em que, adormecido,

Repousa um recém-nascido,

Sob o cortinado e o véu,

Parece que representa,

Para a mamãe que o acalenta,

Um pedacinho do céu.

Que júbilo, quando, um dia,

A criança principia,

Aos tombos, a engatinhar...

Quando, agarrada às cadeiras,

Agita-se horas inteiras

Não sabendo caminhar!

Depois, a andar já começa,

E pelos móveis tropeça,

Quer correr, vacila, cai...

Depois, a boca entreabrindo,

Vai pouco a pouco sorrindo,

Dizendo: mamãe... papai...

Vai crescendo. Forte e bela,

Corre a casa, tagarela,

Tudo escuta, tudo vê...

Fica esperta e inteligente...

E dão-lhe, então, de presente

Uma carta de A.B.C...


Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm...

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos...

Vou correndo sereno e constante:

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século, e passo adiante.

 

Trabalhai, porque  a vida é pequena,

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!     

A Vida

                                    Olavo Bilac

 

Na água do rio que procura o mar;

No mar sem fim; na luz que nos encanta;

Na montanha que aos ares se levanta;

No céu sem raias que deslumbra o olhar;

No astro maior, na mais humilde planta;

Na voz do vento, no clarão solar;

No inseto vil, no tronco secular,

— A vida universal palpita e canta!

Vive até, no seu sono, a pedra bruta...

Tudo vive! E, alta noite, na mudez

De tudo, – essa harmonia que se escuta

Correndo os ares, na amplidão perdida,

Essa música doce, é a voz, talvez,

Da alma de tudo, celebrando a Vida!


Da alma de tudo, celebrando a Vida!

O Universo

Olavo Bilac

(Paráfrase)

                          A Lua:

Sou um pequeno mundo;

Movo-me, rolo e danço

Por este céu profundo;

Por sorte Deus me deu

Mover-me sem descanso,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

A Terra:

Eu sou esse outro mundo;

A lua me acompanha,

Por este céu profundo...

mas é destino meu Rolar, assim tamanha,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Sol:

Eu sou esse outro mundo,

Eu sou o sol ardente!

Dou luz ao céu profundo...

Porém sou um pigmeu,

Que rolo eternamente

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

 O Homem:

Porque, no céu profundo,

Não há-de parar mais

O vosso movimento?

Astros! qual é o mundo,

Em torno ao qual rodais

Por esse firmamento?

Todos os Astros:

Não chega o teu estudo

Ao centro d’isso tudo,

Que escapa aos olhos teus!

O centro d’isso tudo,

Homem vaidoso, é Deus!


Domingo... Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

Todo um dia de ventura...

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

Também, meninos cansados,

Os vossos livros deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorri! Cantai!

Fechem-se as aulas! e o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou...


Ave Maria 

Olavo Bilac

 

Meu filho! termina o dia...

A primeira estrela brilha...

Procura a tua cartilha,

E reza a Ave Maria!

O gado volta aos currais...

O sino canta na igreja...

Pede a Deus que te proteja

E que dê vida a teus pais!

Ave Maria!... Ajoelhado,

Pede a Deus que, generoso,

Te faça justo e bondoso,

Filho bom, e homem honrado;

Que teus pais conserve aqui

Para que possas, um dia,

Pagar-lhes em alegria

O que sofreram por ti.

Reza, e procura o teu leito,

Para adormecer contente;

Dormirás tranqüilamente,

Se disseres satisfeito:

“Hoje, pratiquei o bem:

Não tive um dia vazio,

Trabalhei, não fui vadio,

E não fiz mal a ninguém.”

As formigas

Olavo Bilac

Cautelosas e prudentes,

O caminho atravessando,

As formigas diligentes

Vão andando, vão andando ...

Marcham em filas cerradas;

Não se separam; espiam

De um lado e de outro, assustadas,

E das pedras se desviam.

Entre os calhaus vão abrindo

Caminho estreito e seguro,

Aqui, ladeiras  subindo,

Acolá, galgando um muro.

Esta carrega a migalha;

Outra, com passo discreto,

Leva um pedaço de palha;

Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formiga

Aquilo que achou na estrada;

E nenhuma se fatiga,

Nenhuma para cansada.

Vede! enquanto negligentes

Estão as cigarras cantando,

Vão as formigas prudentes

Trabalhando e armazenando.

Também quando chega o frio,

E todo o fruto consome,

A formiga, que no estio

Trabalha, não sofre fome ...

Recorde-vos todo o dia

Das lições da Natureza:

O trabalho e a economia

São as bases da riqueza

A Avó

A avó, que tem oitenta anos,

Está tão fraca e velhinha!...

Teve tantos desenganos !

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala ...

Entram rindo e papagueiando :

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando ...

A velha acorda sorrindo.

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos doirados.

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita :

“Ó vovó ! conte uma história!

Conte uma história bonita!"

Então, com frases pausadas,

Conta histórias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas ...

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

- Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem ...



A Amelinha está doente,
Chora, tem febre, delira;
Em casa, está toda gente
Aflita, e geme, e suspira.
Chega o médico e a examina.
Tocando a fronte abrasada,
E o pulso da pequenina,
Diz alegre: "Não é nada!
Vou lhe dar uma receita.
Amanhã, o mais tardar,
Já de saúde perfeita
Há de sorrir e brincar."
Vem o remédio. Amelinha
grita, faz manha, esperneia:
"Não quero!"
O pai se avizinha,
Mostrando-lhe a colher cheia:

"Toma o remédio, querida!
Dar-te-hei como recompensa,
uma boneca vestida
De seda e rendas, imensa..."
-"Não quero!"
Chega a titia:
"Amélia é boa, não é?
Se fosse boa, teria
Toda uma arca de Noé..."
-"Não quero!"
Prometem tudo: 
Livros de figuras cheios,
Um vestido de veludo,
Brinquedos, jóias, passeios...
Teima Amelinha. faz manha.
E diz o pai, já com tédio:
-" Menina! você apanha,
Se não toma este remédio!"
E nada! a menina grita,
Sem querer obedecer.
Mas nisto, a mamãe aflita,
Põe-se a gemer e a chorar.
Logo Amelinha, calada,
Mansa, acolher segurando,
Sem já se queixar de nada,
Vai o remédio tomando.
-"Então? mau gosto sentiste?"
Diz o pai... E ela, apressada:
- "Para não ver mamãe triste,
Não sinto mau gosto em nada!"


O Rio

Olavo Bilac



Da mata no seio umbroso,
No verde seio da serra,
Nasce o rio generoso,
Que é a providência da terra.
Nasce humilde, e, pequenino,
Foge ao sol abrasador;
É um fio d’água, tão fino,
Que desliza sem rumor.
Entre as pedras se insinua,
Ganha corpo, abre caminho,
Já canta, já tumultua,
Num alegre burburinho.
Agora o sol, que o prateia,
Todo se entrega, a sorrir;
Avança, as rochas ladeia,
Some-se, torna a surgir.
Recebe outras águas, desce
As encostas de uma em uma,
Engrossa as vagas, e cresce,
Galga os penedos, e espuma.
Agora, indômito e ousado,
Transpõe furnas e grotões,
Vence abismos, despenhado
Em saltos e cachoeirões.
E corre, galopa. cheio
De força; de vaga em vaga,
Chega ao vale, larga o seio,
Cava a terra, o campo alaga...
Expande-se, abre-se, ingente,
Por cem léguas, a cantar,
Até que cai, finalmente,
No seio vasto do mar...
Mas na triunfal majestade
Dessa marcha vitoriosa,
Quanto amor, quanta bondade
Na sua alma generosa!
A cada passo que dava
O nobre rio, feliz
Mais uma árvore criava,
Dando vida a uma raiz.
Quantas dádivas e quantas
Esmolas pelos caminhos!
Matava a sede das plantas
E a sede dos passarinhos...
Fonte de força e fartura,
Foi bem, foi saúde e pão:
Dava às cidades frescura,
Fecundidade ao sertão...
E um nobre exemplo sadio
Nas suas águas se encerra;
Devemos ser como o rio,
Que é providência da terra:
Bendito aquele que é forte,
E desconhece o rancor,
E, em vez de servir a morte,

Ama a Vida, e serve o Amor


Um velho soldado
Um dia por terra
A espada atirou;
Da guerra cansado,
Com nojo da guerra.
As armas quebrou.
Entre elas estava
Trombeta esquecida:
Era ela que no ar
Os toques soltava,
E à luta renhida
Tocava a avançar.
E disse: “Meu dono,
É justo que a espada
Tu quebres assim!
Mas que, no abandono,
Fique eu sossegada!
Não quebres a mim!
Cantei tão somente...
Não sejas ingrato
Comigo também!
Eu sou inocente:
Não piso, não mato,
Não firo a ninguém...
Nas horas da luta
Alegre ficavas,
Ouvindo o meu som.
Atende-me! escuta!
Se então me estimavas,
Agora sê bom!”
E  o velho guerreiro
Lhe disse: “Maldita!
Prepara-te! sús!
Teu som zombeteiro
As gentes excita,
À guerra conduz!”
Terrível, irado,
Jogou-a por terra,
Sem dó a quebrou...
E o velho soldado,
Cansado da guerra
Por fim repousou.

A  BONECA
     Olavo Bilac


Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: “É minha!”
—  “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca…

Podcast sobre Olavo Bilac e seus poemas



Desenho poético

Após a leitura, as crianças podem desenhar a cena que imaginaram. Essa atividade combina literatura e arte, permitindo que cada criança expresse sua interpretação.

Poema musicado

Depois de ouvir a música inspirada no poema, as crianças podem conversar sobre as diferenças entre ler e ouvir o texto cantado.

Mural da poesia

A turma pode criar um mural com desenhos, frases dos poemas, palavras bonitas e pequenos comentários sobre o que sentiram durante a leitura.

Reescrita criativa


As crianças podem criar pequenos versos inspirados nos temas de Bilac: o sol, as flores, a casa, a mãe, os pássaros, o tempo, a natureza ou o lugar onde vivem.

Possibilidades pedagógicas

Este material pode ser utilizado em projetos de leitura, semanas literárias, rodas de poesia, atividades sobre literatura brasileira, trabalhos sobre natureza, família, pátria, tempo e valores humanos.

A proposta dialoga com Língua Portuguesa, Arte, História, Geografia e Educação Musical, pois envolve leitura, interpretação, oralidade, escuta, criação artística e valorização da cultura literária brasileira.

Para pensar

A poesia de Olavo Bilac nos convida a olhar o mundo com mais cuidado. Seus versos mostram que a beleza pode estar nas coisas simples: no sol, nas flores, na casa, no carinho da família, no trabalho, na liberdade dos pássaros e no tempo que passa.

Ler poesia com as crianças é abrir uma janela para a imaginação, para a sensibilidade e para o encantamento.

Materiais disponíveis nesta postagem

Caderno de poesias – Olavo Bilac: https://www.youtube.com/watch?v=890hcQhC_cM

Slides com poemas de Olavo Bilac: https://www.youtube.com/watch?v=z_R-Zm3b1Rk

https://www.youtube.com/watch?v=z_JCgOqZxJs

Músicas inspiradas nos poemas: https://www.youtube.com/watch?v=44bVIEB8hhg

https://www.youtube.com/watch?v=4C_l675yKCU


Créditos

Poemas: Olavo Bilac

Organização, seleção, atividades e materiais pedagógicos: Maria Aparecida de Almeida

Blog: Encantos da infância: poesias e músicas infantis

Observação: As músicas foram criadas como releituras poéticas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac, com finalidade educativa e cultural.

Conclusão

Olavo Bilac continua encantando leitores de diferentes gerações. Sua poesia, cheia de imagens, musicalidade e sentimentos, pode tocar também o coração das crianças quando apresentada de forma leve, criativa e afetuosa.

Com o caderno de poesias, os slides e as músicas inspiradas nos poemas, esta postagem busca valorizar a literatura brasileira e mostrar que a poesia pode ser lida, ouvida, cantada, desenhada e sentida.

Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Maria Aparecida de Almeida


Roseana Murray: poesia, infância, natureza e delicadeza em forma de palavra

  Introdução Roseana Murray é uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea voltada também para o universo infantil. Sua obra apr...