segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Presente de natal- Bastos Tigre



                    Presente de Natal
                         Bastos  Tigres

          O papaizinho, outro dia,
          Me disse que, no Natal,
          Papai Noel me daria
          Um bebezinho.Que tal?

          -Um bebê? Disse eu, então,
          Pulando no seu pescoço.
          -Um bebezinho, pois não!
          Perfeito, de carne e osso!

          E pergunta o papaizinho,
          Sorrindo não sei por quê:
          -U'a maninha?Um maninho?
          Que é que prefere você?

          -Qualquer um, el lhe respondo
           No rosto dando- lhe um beijo.
          Mas a verdade eu lhe escondo
          Do que, de fato, desejo.

          Eu vou ter muita alegria
          Quando chegar o bebê.
          Mas sabe o que eu prefiria?
          -Um cachorrinho bassê!
   

domingo, 29 de dezembro de 2013

Versos de Natal- Manuel Bandeira

Versos de Natal

-
Manuel Bandeira
Foto: Pra quem você tira o chapéu?
--Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo  exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
-
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta.
(Fonte:Poesia das crianças-Literatura em Minha Casa-4ª série)
-

sábado, 28 de dezembro de 2013

Natal sem sinos- Manuel Bandeira

Natal sem Sinos

          Manuel Bandeira
No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?

Ah meninos sinos
De quando eu menino!

Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.

Outros sinos
Sinos
Quantos sinos

No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
Fe quando eu menino,
Bimbalhai meninos,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.
(Fonte:Poesia das crianças-Literatura em minha casa-4ª série-p.48-49)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Letra de músicas natalinas




1-Dlim, dlim, dlim


Dlim, dlim, dlim,
Dlim, dlim, dlão
Lá, lá, lá, lá, lá.
Vão os três Reis Magos
A caminho de Belém
É noite de Natal
Nasceu Jesus! Amém!

Os astros do céu
Brilham com todo o fulgor
Porque nasceu Jesus
O nosso Criador.
Sobre a manjedoura
Desce um raio de luz
Iluminando os olhos
Meigos de Jesus.

2-Brilha, brilha, lá no céu,

Brilha, brilha no céu
A estrelinha que nasceu.
Logo outra surge ao lado
Fica o céu iluminado.
Brilha, brilha, lá no céu,
A estrelinha que nasceu


3-O natal existe

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...
Quero ver
o amor crescer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...
Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...
Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...
Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você.
pra você!


4-Noite feliz! Noite feliz!

Note feliz!Noite Feliz!
Oh Senhor, Deus de amor,
pobrezinho nasceu em Belém.
Eis na lapa Jesus, nosso bem.
Dorme em paz, ó Jesus.
Dorme em paz, ó Jesus.

Noite de paz! Noite de amor!
Tudo dorme em redor,
entre os astros que espargem a luz,
indicando o Menino Jesus.
Brilha a estrela da paz.

Noite de paz! Noite de amor!
Nas campinas ao pastor,
Lindos anjos mandados por Deus,
Anunciam a nova dos céus;
Nasce o bom Salvador!

Noite de paz! Noite de amor!
Oh, que belo resplendor
Ilumina o Menino Jesus!
No presépio, do mundo eis a luz,
Sol de eterno fulgor!

5-Sinos de Belém

Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar
Abençoe Deus Menino este nosso lar
Hoje a noite é bela, juntos eu e ela
Vamos à capela, felizes a rezar
Ao soar o sino, sino pequenino
Vai o Deus menino, nos abençoar.
Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar
Abençoe Deus Menino este nosso lar
Vamos minha gente, vamos à Belém
Vamos ver Maria e Jesus também
Já deu meia noite,já chegou Natal
Já tocou o sino lá na catedral
Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar
Abençoe Deus Menino este nosso lar
Hoje a noite é bela, juntos eu e ela
Vamos à capela, felizes a rezar
Ao soar o sino, sino pequenino
Vai o Deus menino, nos abençoar.
Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar
Abençoe Deus Menino este nosso lar
Vamos minha gente, vamos à Belém
Vamos ver Maria e Jesus também
Já deu meia noite,já chegou Natal
Já tocou o sino lá na catedral
Bate o sino pequenino, sino de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Paz na Terra pede o sino alegre a cantar
Abençoe Deus Menino este nosso lar
Abençoe Deus Menino este nosso lar.

6-Na humilde gruta

Na humilde gruta em Belém
nasceu, nasceu Jesus
para trazer-nos o bem
nasceu, nasceu Jesus.

As crianças de todo o mundo,
neste dia sem igual,
batem palmas, batem palmas
neste festivo Natal.
Batem palmas, batem palmas
neste festivo Natal

7-Eu tive um sonho

Eu tive um sonho
Sonhei a Paz.
Era um sonho branco
Branco como a Paz
Era um sonho de ouro
De ouro como a luz
Era um sonho imenso
Que envolvia todos os espaços
Era um sonho vivo
feito de mãos dadas e de abraços.

Música de Natal-Ação de Graças




                      Ação de Graças

          Anjos a cantar no céu na noite de natal
          Uma luz vai chegar para nos iluminar.

          Nasceu tão pequenino na gruta de Belém
          Lindinho e bem fofinho, cheirinho de nenê
          bochecha rosadinha gostosa de apertar
          é Ele o Deus menino que vai nos salvar.

          Ding,ding, ding,ding, don,ding,ding,ding,don
          Bate o sinos a cantar vai nascer o Salvador   

          

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Terra Braba- Marilene Godinho



                         Terra Braba
                            Marilene Godinho

     Preciso das mãos  calosas do homem do campo
     para plantar verde e no solo inculto
     sedento de canaviais.
     Agasalhar o viver matuto remoído
     nas moendas do tempo sofrido.

     Não quero trocar chita por seda
     mas gamelas transbordam garapa azeda.

     Preciso dos pés descalços do homem do campo
     para pisar com força o rude egoísmo
     que não deixa compartilhar.
     As pegadas marcarão o rumo das cancelas
     sempre abertas no ranger das taramelas.

     Não quero trocar tamanco por sapato
     mas nas gravatas há muito aparato.

     Preciso da tímida desconfiança do homem do campo
     para crer, ressabiado, nas promessas
     carregadas de incerteza.
     Só é real o sonho limitado
     pelas choupana de sapé estrelado.

     Não quero trocar palácio por cafua
     mas há casebre com teto de lua.

     Preciso da sábia filosofia do homem do campo
     para conhecer ao certo a hora de partir.
     Trouxa e cuia no caminho.
     No canto da cigarra a hora de chover,
     no estio, após a chuva, a hora de colher.

     Não quero trocar escola por saber banal
     mas há broa mofado no fundo do bornal.
     
               

     Preciso da fé humilde do homem do campo
     para remover montanhas de corrupção
     numa terra de fraternidade.
     Se a migalha dividida não vier
     dizer:"Não tardará se Deus quiser".

     Não quero trocar oração por liturgia
     mas há muito conformismo na homilia.

     Preciso da viola dolente do homem do campo
     para cantar no velório em procissão
     dos seus justos ideais.
     Seus corpo só terá o abraço que previu
     na cova rasa da terra que se abriu.

     Não quero trocar toada por canção
     mas há muita gente morrendo sem razão.

     Preciso do suor sofrido do homem do campo
     para molhar, gota a gota, a secura da miséria
     que virá sobre nós.
     Praga da terra sobre os desiguais
     que não quiseram semear a paz.

     Não quero rimar amor nessa tardança
     mas sempre existe um rasgo de esperança!
       

sábado, 21 de dezembro de 2013

A seca- Marilene Godinho



                       A   Seca

          O sol queimava forte a terra ressequida.
          O vento balançava os ramos vez em quando.
          O solo se partia suplicando vida,
          a passarada inquieta esvoaçava em brando.

          O campo, outrora verde, já amarelecia,
          O gado vislumbrava lentamente a morte.
          O rio, estrada seca, já não mais corria,
          boiada que restava, magra, ia pro corte.

          Morria o arroz, o milho, até o feijão morria,
          o sino da capela do arraial chorava,
          mamãe rezando o terço, em pranto, noite e dia,
          meu pai estava triste, mas não reclamava.
  
          Carro de boi parado, engenho não rodava,
          monjolo emudecido sem roer fubá.
          Se não chovesse, logo , o adeus nos acenava,
          pensei: a dor como esta de partir não há.



          Pra contemplar de frente e bem o longo estio,
          era subir, à noite, o alto da colina.
          Fazia pena ver todo curral vazio,
          a casa iluminada à luz de lamparina.

          Os dias eram longos e jogavam malha
          pra conceder ao tempo, o tempo de passar,
          de resto Belarmindo , estórias pra contar.

          A seca.Agonizava lento o meu sertão.
          A chuva se escondendo dali o ano inteiro.
          O povo se ajuntou com fé em procissão
          levando pedras, preces, ao pé do cruzeiro.

          O céu ficou escuro, imensidão escura,
          relâmpagos no ar. Ouvi vento e trovão.
          A chuva-bem de Deus! caia com fartura,
          meu pai, na tempestade, ajoelhou no chão!
  

domingo, 15 de dezembro de 2013

Viola- Marilene Godinho




                            Viola

          Quando em meu peito
          saudade se  aninha,
          encontro um só jeito:
          cantar a modinha.
          Eu pego a viola
          e canto na tarde
          e lamento
          e amanso a saudade.

          Quando o coração
          pulsa de mansinho
          bate solidão
          bem devagarinho.
          Eu pego a viola
          e canto canção
          e lamento
          e amanso a solidão.

          Quando tenho medo
          e finjo valente,
          então bem cedo
          calango dolente.
          E pego a viola
          e canto a emoção
          e lamento
          e amanso a assombração.

          Quando a alegria
          chega de repente,
          semeio sorrisos
          e guardo a semente.
          Eu pego a viola
          e canto noite e dia
          e lamento
          e amanso a alegria
          no coração.
          Ela abraça  a saudade
          e a solidão.
          espanta  o medo
          de assombração.

           Viola na vida
           me consola.
           Tu és amiga,
            Viola.




  
         

sábado, 14 de dezembro de 2013

Nega Bá - Marilene Godinho



                   Nêga Bá
                           Marilene Godinho

          Nêga bá, cê me criou,
          o tempo não te levou
          e eu já sei bem o porquê:
          Quando abraço na saudade
          todo bem que foi verdade,
          lembrança busca 'Vancê".

          Gorda , preta, de pituca
          amarrada sobre a nuca,
          ancas pra lá e pra cá.
          "Oiá" puro, riso branco,
          mãos pequenas, gesto franco,
          no jeito de "peleja".

          No balaio de acalantos
          "pra mode" tirar quebrantos,
          uma reza comovida.
          Se eu demorasse dormir,
          "vancê" benzia, a seguir,
          minha "espinhela"caída.

          Te lembro lavando roupa.
          toda labuta era pouca
          passada por tua mão.
          Segredos eu te confiava,
          mamãe " braba" me  "raiava",
          mas só tu eras meu chão.

          Impossível me esquecer
          do primeiro bem- quere.
          Parece que "inté" te vejo:
          Sorriso bem debochado,
          me perdoou do pecado
          daquele primeiro beijo.

          Mesmo não sendo letrada,
          foste sábia, iluminada,
          criatura transparente.
          Nada "docê" me mentia,
          como espelho refletia
          Teu coração era gente.

          Foste sempre em minha vida,
          orvalho, lua, guarida.
          Te amo assim como és.
          Nos momentos vacilantes,
          nas "pianças" mais marcantes,
          há um rastro de teus pés.

          Cadê a nêga?Partiu.
          (chovia). E o céu chorou.
          Cadê a nêga sorriso?
          Foi morar no paraíso
          que ela mesma "apreparou".

         "Esparramo" em teu caminho,
          mil estrelas e carinho,
          "mói de flô", rosa em buquê.
          E Deus justo, sem defeitos,
          vai repartir com os eleitos,
          o céu que existe em "vancê".

domingo, 8 de dezembro de 2013

O menino da Lua- Marilene Godinho



          Menino da Lua
              Marilene Godinho

          Menino da lua,
          menino da noite
          você me acordou
          para um sentimento
          tão grande,
          tão forte.
          Doçura batendo
          na corda do coração,
          sem nome
          sem explicação.

          Não era amor
          porque amor é coisa
          de gente grande.
          Não era amizade
          porque amizade
          não tem beijinho doce
          nem aquele olhar
          de indagação.
          O que será , então?

          Na escolinha
          do povoado 
          aconteceu
          a gente
          se conheceu.

          Descoberta
          na certa.
          vizinhos
          de carteira
          de terra
          de serra.

          No meio de arvoredo
          com medo
          a gente se via
          e ouvia
          a passarada.
          Você era calado,
          desconfiado,
          mas sempre um dia
          acontece
          alegria.
          Você escreveu
          no tronco
          da árvore
          meu nome
          junto ao seu.
          Você me trazia
          as flores que comia
          no mato,
          coroava-me
          rainha da roça,
          rainha de um mundo
          no fundo
          nós.

          Você me ensinou
          olhar a lua,
          sentir poesia
          na noite fria.
          Com você aprendi
          que lua derrama prata,
          serena estrelas,
          passeia no céu.
          Lua é
          Vela da noite,
          fada- madrinha
          que nos atende,
          nós compreende.
          Escuta os pedidos loucos,
          os segredos toscos,
          a voz do coração.

          Quando o riacho 
          refletia a lua,
          uma era minha,
          outra era sua.

          Que tempo- ternura
          batia
          no peito.
          Eu era feliz
          pra lua nenhuma 
          botar defeito.



          Depois,
          a distância
          a cidade,
          o adeus.
          Nunca mais
          o menino da lua.
          Só lua sem menino.

          A lágrima
          embaçava a vista
          ao olhar o céu
          A lua
          toda torta
          nos olhos molhados
          derramando-se
          rosto abaixo.

          Olhava a lua,
          pedia
          que me trouxesse o menino
          no clarão.
          E contava os segredos
          e abria o coração.

          Ela não trazia.
          Eu não insistia
          em tom choroso:
          me leva, lua,
          ao menino mentiroso.

          Menino da lua,
          em alguma rua
          você está.
          Ah! Que saudade!
          A lua não me escuta
          mas lembrança me vê.
          Ah!Que saudade de mim
          quando eu tinha você.
          

sábado, 7 de dezembro de 2013

Porteira- Marilene Godinho



                         Porteira
                              Marilene Godinho

           Porteira, velha porteira,
           plantada à beira da estrada
           sem taramela, sem tranca
          a todos escancarada.

          Porteira abre
          porteira range
          porteira bate
          porteira tange
          que nem sino seco
          sem eco na voz.
          Não soa,
          só ressoa
          badalada 
          engasgada
          no caminho.
          O moleque pretinho
          sem eira nem beira.

          Rebanho passa
          cansado.
          passa cavalo
          Alazão.
          Passa dono da fazenda
          passa gente
          do grotão.
          Dona Chica agarra
          a saia
          nas frepas
          no moleirão.

          Porteira , velha porteira,
          porteira do meu sertão,
          tranca o menino que eu amo,
          porteira do meu coração.



  

domingo, 1 de dezembro de 2013

Conversa - Marilene Godinho



                               Conversa
                                 Marilene Godinho

          Meu filho
          Vamos embora
          chegou a hora
          de você estudar.
          A escola daqui
          é pouca.
          Arranja a roupa,
          sossega a dor
          no amanhã
          de ser doutor.

          Não vou dizer adeus.
          Volto
          com certeza.
          Todo doutor
          da cidade,
          depois de rico
          e pançudo,
          compra chapéu
          de roceiro,
          guarda diploma com tudo
          e vira
          bom fazendeiro.

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...