sexta-feira, 28 de junho de 2013

Canção de Baú- Mario Quintana


Sempre -viva ... Sempre-morta ...

Pobre flor que não teve infância!

E que a gente, às vezes , pensativo encontra

Nos baús das vovozinhas mortas ...


Uma esperança que um dia eu tive

Flor sem perfume, bem assim que foi:

Sempre morta ... Sempre viva ...

No meio da vida caiu e ficou!


Mario Quintana

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Os pés- Mário Quintana



                                  Os pés
                                  Mário Quintana

          Meus pés no chão 
          Como custaram reconhecer o chão!
          Por fim os dedos dessedentaram- se no 
lodo macio, agarraram- se ao chão...
          Ah, que vontade de criar raízes!

Vídeo do castelo Ra tim Bum e Poema O Ovo - Mário Quintana


  1. Castelo Rá Tim Bum: Hai Kai - Mario Quintana - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=RZMbuErq1Eo
    03/01/2010 - Vídeo enviado por Memória Infantil
    silenciosamente sem nenhum cacarejo a noite põe o ovo da lua.... Castelo Rá Tim Bum: Hai Kai ...
  2. Mais vídeos para O ovo- Mário Quintana »

                 O Ovo
        
                       Mário Quintana


          Na terra deserta

          A última galinha põe o último ovo.
 
          Seu cocoricó não encontra eco

          O Anjo a que estava afeto o cuidado
da terra

          Dá de asas e come o ovo.

          Humm! o ovo vai sentar-lhe mal...

          O Anjo, dobrado em dois, aperta em 

dores o ventre angélico.

          De repente,
          
          O Anjo cai duro, no chão!

          Alguém, invisível, ri baixinho.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Menino doente- Manuel Bandeira




                        O  MENINO  DOENTE
                        Manuel   Bandeira             

          O menino dorme.
          Para que o menino
          durma sossegado,
          a mãezinha canta:
          "Dodói,vai-te embora!
          "Deixai o meu filhinho!
          "Dorme...dorme...meu..."
          Morta de fadiga,
          ela adormeceu.
          Então, no ombro dela,
          um vulto de santa,
          na mesma cantiga,
          na mesma voz dela,
          se debruça e canta:
          -" Dorme meu benzinho"
          E o menino dorme.


domingo, 23 de junho de 2013

Cadeira de balanço- Mário Quintana



Quando elas se acordam
do sono, se espantam
das gotas de orvalho
na orla das saias,
dos fios de relva
nos negros sapatos,
quando elas se acordam
na sala de sempre,
na velha cadeira
que a morte as embala...

E olhando o relógio
de junto à janela
onde a única hora,
que era a da sesta,
parou como gota que ia cair,
perpassa no rosto
de cada avozinha

um susto do mundo
que está deste lado...

Que sonho sonhei
que sinto inda um gosto
de beijo apressado?
- diz uma e se espanta:
Que idade terei?
Diz outra:
- Eu corria
menina em um parque...
e como saberia
o tempo que era?

Os pensamentos delas
já não têm sentido.

A morte as embala,
as avozinhas dormem
na deserta sala
onde o relógio marca
a nenhuma hora

enquanto suas almas
vêm sonhar no tempo
o sonho vão do mundo...
e depois se acordam
na sala de sempre

na velha cadeira
em que a morte as embala...



QUINTANA, Mario Quintana de Bolso. Porto Alegre: L&PM, 1997

terça-feira, 4 de junho de 2013

Balãozinho


                                  Balãozinho

    Venha cá meu balãozinho.
   Diga aonde você vai.

             Vou fugindo, vou pra longe
              Vou pra casa dos meu pais.

               Ah!Oh! Ah! mas que tolice
                Nunca vi balão ter pai
               Fique quieto neste canto
               Que daqui você não sai.

                Quando a noite for chegando
                 Onde irá você descer?
                Se cair em nossas matas?
                 Que é que vai acontecer?

                 Toda mata pega fogo
                  Passarinhos vão morrer
                  E os rios vão secando
                  E não podem mais correr.

                  Eu já estou arrependido
                 Quanto mal faz um balão
                  Vou ficar é bem quietinho 
                  Amarrado no cordão. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Mês de Junho- O. B. Pohlmann

                          Mês de Junho    
           Santo Antônio , vem primeiro
           Como vamos receber?
           Com rodinhas, estrelinhas 
           E foguetes a valer.

          E depois com um carneirinho
          Que parece de algodão
          Vem chegando de mansinho
          Bem de leve são João.
          Mas São Pedro muito sério
          Com a chave em sua mão
          Fica olhando lá do alto
          Cá na terrs não vem não.

Roseana Murray: poesia, infância, natureza e delicadeza em forma de palavra

  Introdução Roseana Murray é uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea voltada também para o universo infantil. Sua obra apr...