quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Cortesia- Carlos Drummond de Andrade

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Mil novecentos e pouco.
Se passava alguém na rua
sem lhe tirar o chapéu
Seu Inacinho lá do alto
de suas cãs e fenestra
murmurava desolado
― Este mundo está perdido!
Agora que ninguém porta
nem lembrança de chapéu
e nada mais tem sentido,
que sorte Seu Inacinho
já ter ido para o céu.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sesta- Carlos Drummond de Andrade


 A mineira Família
ESTÁ quentando sol
sentada no Chão
calada e feliz.
O filho Mais moço
Olha Para O Céu,
PARA O sol NÃO
PARA O cacho de bananas.
Corta ELE, pai!
O pai corta o cacho
e Distribui Para Todos.
A Família mineira
ESTÁ Comendo a banana .
um Filha Mais Velha
Coca uma pereba
Bem Acima do Joelho.
a saia NÃO esconde
um cocha morena
Sólida construida,
mas ninguem Repara.
Os Olhos se perdem
na Linha ondulada
fazer Próximo horizonte
(a cerca da horta).
a Família mineira
Olha Para Dentro .
O filho Mais Velho
canta Uma cantiga
NEM triste NEM alegre,
Uma cantiga APENAS
toupeira that adormece.
Só hum mosquito Rápido
Mostra Inquietação.
O filho Mais moço
Ergue o Braço rudes
enxota o importuno.
A Família mineira
ESTÁ Dormindo AO SOL. 


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Se eu fosse eu o papai- Carmem Martin Pazzanesse



          Oh! se eu  fosse o papai!
          E o papai fosse o filhinho
          Assim dizer-lhe ia  sorrindo:
          -Por que está em casa?
          Arre! Chega de estudar.
          O jardim está tão lindo!
          Pode, meu filho,ir brincar.

          Sim, na rua ou no vizinho,
          Vá, brinque onde mais gostar
          Leve laranjas e doces;
          Tem dinheiro pra gostar?

          Eu respondo por você.
          A roupa? É assim, pra sujar.
          "Pois ser criança é um ensejo
          Que não mais há de voltar."

          Em troca , só quero um beijo.
          Oh! se fosse eu o papai
          E o papai o filhinho...
          

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Tudo o que o papai do céu nos deu-Carmem Martin Pazzanese

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          Nossos olhos foram feitos
          Para tudo conhecer.
          Vendo um coró e uma rosa,
          Qual dos dois se vai colher?

          Toda a gente ganha boca
          Para comer e falar.
          Comer coisinhas gostosas,
          Também remédios tomar.

          Nossas mãos , nossas orelhas,
          Tudo bem limpo, pois não?
          Porque a higiene é necessária,
          Dá prazer , disposição.

          E o nariz ? Nasceu no rosto.
          Cheira tudo ! Que fazer?
          Ele diz que foi criado
          Para cheirando viver...

          Um cofrezinho escondido,
          Temos nós para guardar
          Quem mais a gente respeita,
          Quem mais a gente quer amar.

          Fica no centro do peito
          E se chama: coração.
          Pai- mãe, pai-mãe repetindo,
          Canta a mais linda canção.

  

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...