quarta-feira, 25 de junho de 2014

O sol - Olavo Bilac


O Sol
Olavo Bilac
Salve, sol glorioso ! Ao teu clarão fecundo,
A natureza canta e se extasia o mundo.
Que tristeza, que dó, quando desapareces !
Vens, e a terra estragada e feia reverdeces;
Abres com o teu calor as sebes perfumadas;
Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;
Os ninhos aquecendo, as  gargantas das aves
Dás gorjeios de amor, e harmonias suaves;
E, cintilando sobre os tufos de verdura,
Em cada ramo põe uma fruta madura.
A noite é como a morte; o dia é como a vida.
Ó Sol, quando te vais, a alma vaga perdida ...
Os pensamentos mais são os filhos da treva:
Fogem, quando a brilhar, no horizonte se eleva
O Sol, pai to trabalho, o Sol, pai da alegria ...
Salve, anúncio da Vida, e portador do Dia !

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Julho- Olavo Bilac

Julho
              Coro de crianças:
Passem os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês!
               Julho:
Mais curtos são os dias...
As noites são mais frias,
E custam a passar...
Que cômodo o descanso,
Na calma, no remanso,
Na placidez do lar...
Que paz, e que franqueza,
Quando, ao redor da mesa,
À luz do lampião,
A gente se congrega,
E ao júbilo se entrega
De doce comunhão!
Amigos, estudemos!
E esta estação saudemos
Bondosa, que nos traz
As longas noites calmas
Que dão às nossas almas
O Amor, o Estudo e a Paz!
           Coro de crianças:
O mês de julho oculta o rosto...
O seu encanto se desfez...
Entre na roda o mês de agosto!
Entre na dança o oitavo mês!

domingo, 15 de junho de 2014

A madrugada- Olavo Bilac


A Madrugada
Olavo Bilac
Os pássaros, que dormiam
Nas árvores orvalhadas,
Já a alvorada anunciam
No silêncio das estradas.
As estrelas, apagando
A luz com que resplandecem,
Vão tímidas vacilando
Até que desaparecem.
Deste lado do horizonte,
Numa névoa luminosa,
O céu, por cima do monte,
Fica todo cor-de-rosa;
Daí a pouco, inflamado
Numa claridade intensa,
Se desdobra avermelhado,
Como uma fogueira imensa.
Os galos, batendo as asas,
Madrugadores, já cantam;
Já há barulho nas casas,
Já os homens se levantam,
O lavrador pega a enxada,
Mugem os bois à porfia;
— É a hora da madrugada
Saudai o nascer do dia!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A casa - Olavo Bilac

A casa
Olavo Bilac
Vê como as aves têm, debaixo d’asa,
O filho implume, no calor do ninho!...
Deves amar, criança,a  tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!
Dentro da casa em que nasceste és tudo...
Como tudo é feliz, no fim do dia,
Quando voltas das aulas e do estudo!
Volta, quando tu voltas, a alegria!
Aqui deves entrar como num templo,
Com a alma pura, e o coração sem susto:
Aqui recebes da Virtude o exemplo,
Aqui aprendes a ser meigo e justo.
Ama esta casa! Pede a deus que a guarde,
Pede a Deus que a proteja eternamente!
Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,
Te vejas, triste, d’esta casa ausente...
E, já homem, já velho e fatigado,
Te lembrarás da casa que perdeste,
E hás de chorar, lembrando o teu passado...
— Ama, criança, a casa em que nasceste!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A coragem- Olavo Bilac

A Coragem 
Olavo Bilac
Não sejas nunca medroso!
Fraco embora, tem coragem!
Para fazer a viagem
Da vida, sem hesitar,
É preciso, de alma forte,
Sem ostentar valentia,
Dominar a covardia,
Para o perigo enfrentar.
O medo é próprio do pérfido,
Do pecador, do malvado:
Quem não se entrega ao pecado
Não receia a punição.
Não tem medo quem caminha
Com a consciência tranqüila,
Quem o inimigo aniquila
Com a força da razão!
Não abuses da bravura;
Não afrontes o inimigo;
Não procures o perigo;
Prega o amor! e prega a paz!
Mas, se isso for impossível,
Não fujas! cai batalhando!
E, se morreres lutando,
Morre! feliz morrerás.

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...