quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vocações- Carmen Martin Pazzanese

        
         Discutem, elegem planos,
          -Os filhos de uma família.
          Rosa já é normalista, 
          Segue da mamãe a trilha.
          Paulo é quase contador.
          Ricardo ama cavalos,
          Quer ser jóquei ou apostador.
          Mauro admira arquitetos,
          Sonha com pontes e projetos.
          Adorando a matemática,
          Só traz notas com louvor.
          Carlos será como o pai.
          Será médico- doutor.
          Abre rãs, repica insetos,
          Seu canivete é um terror!
          Na assembléia da família,
          Fala suave Armandinho.
          Já quer ser seminarista,
          É a vocação que ele sente.
          Quer estudar para ser padre,
          Quer ser padre simplesmente.
          É puro idealista.
          Eis quando , engrossando a voz,
          O menor dos irmãozinhos ,
          Assombra a todos os seus:
           -Queero estudar pra ser Deus.

👨‍👩‍👧‍👦 “Na assembleia da família”

(Análise poética para refletir com crianças e jovens)

Este poema nos apresenta uma cena muito especial: uma família reunida, como se estivesse em uma pequena assembleia, discutindo sonhos, caminhos e escolhas.

Logo no início:

“Discutem, elegem planos,
Os filhos de uma família.”

Percebemos um ambiente de diálogo. Não há imposição, há escuta. Cada filho tem voz — e isso já nos mostra um valor importante: o respeito às individualidades.


🌈 Sonhos diferentes, caminhos únicos

Cada personagem traz um desejo próprio:

  • Rosa segue a educação, inspirada pela mãe
  • Paulo se aproxima da contabilidade
  • Ricardo ama cavalos e sonha com o mundo do turfe
  • Mauro gosta de arquitetura e matemática
  • Carlos já se vê na medicina, como o pai

Aqui, o poema nos ensina algo essencial: não existe um único caminho para o sucesso ou para a felicidade.

Cada criança carrega dentro de si talentos, interesses e inclinações diferentes. E isso deve ser valorizado.


🧠 Identidade e influência familiar

É interessante observar que alguns sonhos surgem por identificação:

  • Rosa segue a mãe
  • Carlos quer ser como o pai

Isso revela como a família influencia na construção da identidade, especialmente na infância.

Mas o poema também mostra que essa influência não é determinante — há espaço para escolhas próprias.


💬 O momento mais profundo do poema

Tudo muda quando surge a fala de Armandinho:

“Já quero ser seminarista,
É a vocação que ele sente.”

Aqui entramos em um nível mais profundo: o chamado interior, a vocação.

E logo depois:

“Quero estudar para ser padre,
Quero ser padre simplesmente.
É puro idealista.”

Armandinho não fala de profissão como carreira, mas como missão. Ele representa o idealismo, o desejo de servir, algo que vai além do material.


⚖️ O conflito: inocência x realidade

O verso final traz um contraste forte:

“O menor dos irmãozinhos
Assombra a todos os seus:
— Quero estudar pra ser Deus.”

Aqui está o ponto mais marcante do poema.

A fala do menor é inocente, mas profundamente simbólica. Ela revela:

  • A imaginação infantil
  • A pureza do pensamento
  • A ausência de limites impostos pela realidade

Enquanto os outros pensam em profissões possíveis, ele ultrapassa tudo — deseja o impossível.


💛 Reflexão pedagógica

Este poema é riquíssimo para trabalhar com crianças e adolescentes, pois permite discutir:

✔ Projeto de vida
✔ Influência da família
✔ Diferença entre sonho e realidade
✔ Respeito às escolhas individuais
✔ A beleza da imagação infantil


✨ Reflexão final

No fundo, o poema nos convida a pensar:

Até que ponto, ao crescer, vamos deixando de sonhar?

As crianças nos mostram que sonhar não tem limite. E talvez o papel da educação não seja podar esses sonhos, mas ajudá-los a ganhar forma, sem perder a essência

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Eu vi- Trem da Alegria- Educação infantil-

 


Eu vi meu pijama lavado

Eu vi minha cama arrumada

Eu vi, eu vi, eu vi

Eu vi que é hora de dormir

Eu vi, eu vi, eu vi

Eu vi que é hora de dormir

Mas antes vou guardar os brinquedos pra amanhã

Guardar também minha lição

E antes de deitar meus dentes escovar

Depois fazer minha oração

Eu vi, eu vi, eu vi

Eu vi que é hora de dormir





🧠 1. Tema e intenção

O poema aborda o momento de transição para o sono, destacando:

  • organização (pijama, cama, brinquedos)
  • responsabilidade (guardar materiais, lição)
  • higiene (escovar os dentes)
  • espiritualidade/afetividade (oração)

👉 Intenção principal: ensinar hábitos saudáveis de forma leve e repetitiva, favorecendo a internalização da rotina.


🎵 2. Estrutura e musicalidade

Há forte presença de elementos típicos de música infantil:

  • Repetição:
    “Eu vi, eu vi, eu vi” → cria ritmo e facilita memorização.
  • Refrão:
    “Eu vi que é hora de dormir” → marca a ideia central.
  • Sequência lógica:
    • Preparação do ambiente
    • Organização
    • Higiene
    • Relaxamento/oração
    • Sono

👉 Isso permite transformar facilmente em cantiga ou dramatização.


✍️ 3. Linguagem

  • Simples, direta e acessível
  • Verbos no pretérito perfeito ("vi") → interessante:
    • Indica percepção/consciência
    • A criança reconhece que chegou o momento de dormir

👉 Linguagem adequada para:

  • Educação Infantil
  • Anos iniciais do Ensino Fundamental

🧩 4. Valores e aprendizagens

O texto trabalha implicitamente:

  • Autonomia
  • Organização pessoal
  • Responsabilidade
  • Rotina saudável
  • Disciplina positiva

👉 Muito alinhado com práticas de educação socioemocional.


📚 5. Interpretação pedagógica

O “Eu vi” pode ser interpretado como:

  • percepção da realidade
  • tomada de consciência
  • internalização de regras

👉 A criança não é obrigada — ela percebe e aceita a rotina.


🎯 6. Possíveis habilidades da BNCC

Você pode trabalhar, por exemplo:

Educação Infantil

  • (EI03EO03) – Demonstrar autonomia em cuidados pessoais
  • (EI03CG04) – Adotar hábitos de autocuidado

Ensino Fundamental (1º ao 3º ano)

  • (EF01LP02) – Identificar repetições em textos
  • (EF02LP12) – Compreender textos orais e escritos com apoio de repetição e ritmo

🎭 7. Possibilidades de uso em sala

  • Dramatização da rotina (cada aluno representa uma ação)
  • Música com gestos (escovar dentes, guardar brinquedos)
  • Sequência de imagens (ordenar as ações)
  • Produção de texto: “Minha rotina antes de dormir”

💡 8. Conclusão

O poema é:
✔ Didático
✔ Afetivo
✔ Musical
✔ Formador de hábitos

Ele funciona como uma ferramenta pedagógica completa, porque ensina comportamento sem ser impositivo — através do ritmo, da repetição e da identificação da criança com a rotina.


 

🎶 3. Blog infantil Encantos da infância:Poesias e músicas

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📥 Em breve:
✔ Atividades lúdicas
✔ Materiais para imprimir
✔ Sugestões para sala de aula


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

O professor- Carlos Drummmond de Andrade

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O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme, cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.

🧠 O que diz o poema?

O poema apresenta uma cena simples de sala de aula: enquanto o professor explica um conteúdo difícil, um aluno dorme, cansado da vida.
Em vez de repreender ou chamar sua atenção, o professor demonstra compreensão e sensibilidade, escolhendo não acordá-lo.

Esse gesto revela que o professor não enxerga apenas um aluno desatento, mas um ser humano com suas dificuldades, cansaços e histórias.


🎯 Tema

👉 A sensibilidade e a humanidade na relação entre professor e aluno.


💬 Reflexão

O poema nos faz refletir que educar vai além de ensinar conteúdos.
Ser professor também é compreender, acolher e respeitar o outro.

    

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sábado, 11 de abril de 2026

Seja bem-vinda, Volte outra Vez

         Seja bem-vinda, volte outra vez
                                  ciça


          Seja bem-vinda,
          Dona Linda.
          Não se apresse,
          Dona Gesse.
          Não se aflija,
          Dona Lígia.
          Não dê folga,
          Dona Olga.
          Não se irrite,
          Dona Judite.
          Não se intrometa,
          Dona Antonieta.
          Não se embanane,
          Dona Eliane.
          Não se distraia,
          Dona Aglaia.
          Não se confunda,
          Dona Raimunda.
          Não parta,
          Dona Marta.
          Não vá embora,
          Dona Dora.
          Não me abandone,
          Dona Ivone.
          Volte outra vez,
           Dona Inês.

💭 O que o poema discute?

O poema brinca com os sons das palavras e com a repetição de nomes, criando um ritmo leve e divertido. Mais do que contar uma história, ele valoriza a musicalidade da linguagem, mostrando como as palavras podem encantar pelo som, pela rima e pela simplicidade.


🌿 Leitura sensível

É um poema que parece uma cantiga, quase como se fosse feito para ser lido em voz alta. Há um tom acolhedor e, ao mesmo tempo, bem-humorado. A repetição cria uma sensação de proximidade, como se cada “Dona” fosse uma personagem que passa e deixa um pequeno gesto ou sentimento.


✨ Destaque do poema

“Volte outra vez,
Dona Inês.”


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O relógio- Carlos Drummond de Andrade



          Nenhum igual àquele,
          a hora na parede da sala  é calma,
          a hora na incidência da luz é silenciosa.

          Mas a hora no relógio da Matriz é grave
          como a consciência.

          E repete.Repete.

          Impossível dormir, se não escuto.
          Fico acordado, sem sua batida.
          Existir, se ela emudece.

          Cada hora é fixada no ar, na alma,
          continua soando surdez.
          Onde não há mais ninguém, ela chega e avisa.
          varando o pedregal da noite.

          Som para ser ouvido no longilonge
          do tempo da vida.
          Imenso
          no pulso
          este relógio vai comigo.

          

💭 O que o poema discute?

O poema fala sobre o tempo e a forma como ele é sentido de maneira profunda e interior. Não se trata apenas do tempo marcado pelos relógios, mas de um tempo que ecoa na consciência e na existência. O “relógio da Matriz” aparece como algo mais solene e intenso, quase como uma voz interior que não pode ser ignorada. O poema mostra que o tempo não é apenas medido — ele é vivido, sentido e, muitas vezes, inquietante.


🌿 Leitura sensível

É um poema que transmite silêncio e, ao mesmo tempo, inquietação. A repetição do som do relógio cria uma sensação de presença constante, como se o tempo estivesse sempre chamando, sempre lembrando algo. Há uma solidão nesse cenário, mas também uma consciência profunda da vida passando. No final, o tempo deixa de estar fora e passa a acompanhar o próprio sujeito — como um pulso que nunca se interrompe.


✨ Destaque do poema

“Imenso
no pulso
este relógio vai comigo.”


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Banho de bacia- Carlos Drummond de Andrade

Resultado de imagem para poesia banho de bacia carlos drummond
No meio do quarto a piscina móvel tem o tamanho do corpo sentado. 
Água tá pelando! mas quem ouve o grito deste menino condenado ao banho? 
Grite à vontade. Se não toma banho não vai passear. 
E quem toma banho em calda de inferno? 
Mentira dele, água tá morninha, só meia chaleira, o resto é de bica. 
Arrisco um pé, outro pé depois. 
Vapor vaporeja no quarto fechado ou no meu protesto.
 A água se abre à faca do corpo e pula, se entorna em ondas domésticas. 
Em posição de Buda me ensabôo,
Resignado me contemplo. 
O mundo é estreito. 
Uma prisão de água envolve o ser, uma prisão redonda. 
Então me faço prisioneiro livre.
Livre de estar preso. 
Que ninguém me solte deste círculo de água, na distância de tudo mais. 
O quarto. O banho. O só. 
O morno. O ensaboado. O toda-vida.
Podem reclamar, 
podem arrombar a porta.
Não me entrego ao dia e seu dever.

Esse poema apresenta uma riqueza muito grande para leitura — e combina perfeitamente com o estilo do seu blog. Vou organizar já no formato que você vem usando 👇


📖 Poema

(texto que você já trouxe — manter assim na postagem)


💭 O que o poema discute?

O poema fala sobre um momento simples do cotidiano — o banho — que se transforma em algo muito maior. No início, há resistência, reclamação e até revolta do menino diante da água quente. Mas, aos poucos, esse momento se transforma em um espaço de silêncio, reflexão e até prazer.

O banho deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser um lugar de isolamento do mundo, onde o sujeito se encontra consigo mesmo. A ideia de “prisão de água” revela esse paradoxo: estar preso, mas ao mesmo tempo livre. O poema mostra como, mesmo em situações comuns, é possível criar um espaço de liberdade interior.


🌿 Leitura sensível

É um poema que começa com barulho — grito, protesto — e termina em silêncio e contemplação. A água, que antes incomodava, vira abrigo. O quarto se fecha para o mundo, e o menino cria ali um refúgio só dele.

A imagem final é muito forte: ele não quer sair, não quer voltar ao “dia e seu dever”. Como se aquele instante fosse uma pausa da vida, um pequeno universo onde ele pode simplesmente existir.


✨ Destaque do poema

“Então me faço prisioneiro livre.”

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Roseana Murray: poesia, infância, natureza e delicadeza em forma de palavra

  Introdução Roseana Murray é uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea voltada também para o universo infantil. Sua obra apr...