sábado, 11 de abril de 2026

Banho de bacia- Carlos Drummond de Andrade

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No meio do quarto a piscina móvel tem o tamanho do corpo sentado. 
Água tá pelando! mas quem ouve o grito deste menino condenado ao banho? 
Grite à vontade. Se não toma banho não vai passear. 
E quem toma banho em calda de inferno? 
Mentira dele, água tá morninha, só meia chaleira, o resto é de bica. 
Arrisco um pé, outro pé depois. 
Vapor vaporeja no quarto fechado ou no meu protesto.
 A água se abre à faca do corpo e pula, se entorna em ondas domésticas. 
Em posição de Buda me ensabôo,
Resignado me contemplo. 
O mundo é estreito. 
Uma prisão de água envolve o ser, uma prisão redonda. 
Então me faço prisioneiro livre.
Livre de estar preso. 
Que ninguém me solte deste círculo de água, na distância de tudo mais. 
O quarto. O banho. O só. 
O morno. O ensaboado. O toda-vida.
Podem reclamar, 
podem arrombar a porta.
Não me entrego ao dia e seu dever.

Esse poema apresenta uma riqueza muito grande para leitura — e combina perfeitamente com o estilo do seu blog. Vou organizar já no formato que você vem usando 👇


📖 Poema

(texto que você já trouxe — manter assim na postagem)


💭 O que o poema discute?

O poema fala sobre um momento simples do cotidiano — o banho — que se transforma em algo muito maior. No início, há resistência, reclamação e até revolta do menino diante da água quente. Mas, aos poucos, esse momento se transforma em um espaço de silêncio, reflexão e até prazer.

O banho deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser um lugar de isolamento do mundo, onde o sujeito se encontra consigo mesmo. A ideia de “prisão de água” revela esse paradoxo: estar preso, mas ao mesmo tempo livre. O poema mostra como, mesmo em situações comuns, é possível criar um espaço de liberdade interior.


🌿 Leitura sensível

É um poema que começa com barulho — grito, protesto — e termina em silêncio e contemplação. A água, que antes incomodava, vira abrigo. O quarto se fecha para o mundo, e o menino cria ali um refúgio só dele.

A imagem final é muito forte: ele não quer sair, não quer voltar ao “dia e seu dever”. Como se aquele instante fosse uma pausa da vida, um pequeno universo onde ele pode simplesmente existir.


✨ Destaque do poema

“Então me faço prisioneiro livre.”

Leve este poema com você:

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Banho de bacia.pdf


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 Banho de bacia.docx

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