segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A avó- Bastos Tigre



                                 A avó
                                     Bastos Tigre
          A vovó também é velha,
          Franzidinha como quê.
          Passa os dias lá na rede,
          Entretida no crochê.

          Às vezes fica zangada
          Com o barulho que faço.
          Pega na chinela, eu me rio, 
          Ela ri e lá vem um abraço.

          Um dia virou a casa
          Para os óculos achar.
          Remexeu canto por canto
          E queria me culpar.

          Bem que eu sabia de tudo,
          Mas aquilo era uma festa,
          Pois a vovó tinha os óculos
          Presos no alto da testa

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O remédio- Bastos Tigre



          Eu vou contar um segredo
          Aos guris da minha idade;
          Não é nada de brinquedo,
          Mas de toda seriedade.

          A mamãe, de vez em quando
          Embora boa pareça
          Vai pra cama se queixando
          Que está com dor de cabeça.

          Tenho um remédio na exata
          Que a põe boa de uma vez
          Receita muito barata
          Que eu vou dizer a vocês.

          Quando ela vai se deitar
          E que não quer ver ninguém,
          Eu abro a boca a chorar
          Sentindo uma dor também.

          Dor nos olhos, dor nos ouvidos,
          Nos dentes, no pé, na mão...
          Solto gritos e gemidos
          Que é de cortar coração.

          Pois olhem que até me espanta!
          Com este remédio à toa,
          Como a mamãe se levanta,
          Como fica boa!
  

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Livros e Flores- Machado de Assis

Livros e flores


Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor, 
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

domingo, 14 de setembro de 2014

O vestido de Laura- Cecília Meireles

O vestido de Laura

 
  O vestido de Laura,
  é de três babados,
  todos bordados.
 
  O primeiro, todinho,
  todinho de flores
  de muitas cores.
 
  No segundo, apenas
  borboletas voando,
  num fino bando.
 
  O terceiro, estrelas,
  estrelas de renda
  -- talvez de lenda...
 
  O vestido de Laura
  vamos ver agora,
  sem mais demora!
 
  Que as estrelas passam,
  borboletas, flores
  perdem suas cores.
 
  Se não formos depressa,
  acabou-se o vestido
  todo bordado e florido!

   CECÍLIA MEIRELES

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O que é Simpatia-(a uma menina)- Casimiro de Abreu

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.


Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.


São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.


Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agôsto,
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é - quase amor!
Casimiro de Abreu

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O sonho de Olga- Cecília Meireles

Sonho de Olga 
      Cecília Meireles




A espuma escreve

com letras de alga

o sonho de Olga.


Olga é a menina que o céu cavalga

em estrela breve.

Olga é a menina que o céu afaga

e o seu cavalo em luz se afoga

e em céu se apaga.

A espuma espera

o sonho de Olga.

A estrela de Olga chama-se Alfa.

Alfa é o cavalo de estrela de Olga.

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...