sexta-feira, 28 de março de 2014

Abril- Olavo Bilac

Abril
              Coro de crianças:

Passem os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Dancemos todos,escutando
O que nos conta cada mês!

              Abril:

Eu sou Abril! O seio
Tenho cheiroso, e cheio
De frutos, e de flores.
Abril o outono encerra:
Já pesam sobre a terra
Os últimos calores.
Foi neste mês que, um dia,
O ódio da tirania
Um mártir consagrou.
Saudai o Tiradentes,
E os sonhos resplandentes
Que o seu Ideal sonhou!
Quis ver a Pátria amada
Do jugo libertada,
Digna do seu amor...
— Vós, decorai-lhe a história,
Honrando-lhe a memória!
Saudai o Sonhador!

       Coro das crianças:

Um novo passo agora ensaio:
Dancemos todos outra vez!
Entre na toda o mês de Maio,
Saia da roda o quarto mês.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O trabalho- Olavo Bilac

O Trabalho
            Olavo Bilac
Tal como a chuva caída
Fecunda a terra, no estio,
Para fecundar a vida
O trabalho se inventou.
Feliz quem pode, orgulhoso,
Dizer: “Nunca fui vadio:
E, se hoje sou venturoso,
Devo ao trabalho o que sou!”
É preciso, desde a infância,
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro;
E, para ter a colheita,
É preciso semear...

terça-feira, 25 de março de 2014

A velhice- Olavo Bilac

A Velhice
Olavo Bilac
                   O neto:
Vovó, por que não tem dentes?
Por que anda rezando só.
E treme, como os doentes
Quando têm febre, vovó?
Por que é branco o seu cabelo?
Por que se apóia a um bordão?
Vovó, porque, como o gelo,
É tão fria a sua mão?
Por que é tão triste o seu rosto?
Tão trêmula a sua voz?
Vovó, qual é seu desgosto?
Por que não ri como nós?
                A Avó:
Meu neto, que és meu encanto,
Tu acabas de nascer...
E eu, tenho vivido tanto
Que estou farta de viver!
Os anos, que vão passando,
Vão nos matando sem dó:
Só tu consegues, falando,
Dar-me alegria, tu só!
O teu sorriso, criança,
Cai sobre os martírios meus,
Como um clarão de esperança,
Como uma benção de Deus!

  1. Olavo Bilac - Poesias Infantis - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=nhd6Kbbjh2E
    02/09/2009 - Vídeo enviado por cadublanco
    OLAVO BILAC - POESIAS INFANTIS: OUTRO SUCESSO QUE A EDITORA EMPÓRIO DO LIVRO LEVA ...

segunda-feira, 24 de março de 2014

Infãncia- Olavo Bilac

Infância
Olavo Bilac

O berço em que, adormecido,
Repousa um recém-nascido,
Sob o cortinado e o véu,
Parece que representa,
Para a mamãe que o acalenta,
Um pedacinho do céu.
Que júbilo, quando, um dia,
A criança principia,
Aos tombos, a engatinhar...
Quando, agarrada às cadeiras,
Agita-se horas inteiras
Não sabendo caminhar!
Depois, a andar já começa,
E pelos móveis tropeça,
Quer correr, vacila, cai...
Depois, a boca entreabrindo,
Vai pouco a pouco sorrindo,
Dizendo: mamãe... papai...
Vai crescendo. Forte e bela,
Corre a casa, tagarela,
Tudo escuta, tudo vê...
Fica esperta e inteligente...
E dão-lhe, então, de presente
Uma carta de A.B.C...

domingo, 16 de março de 2014

O outono -Olavo Bilac

O  Outono
Olavo Bilac
Coro das quatro estações:
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram  frutos das flores!
                  O Outono :
Sou a estação mais rica:
A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,    
A gente satisfeita
Saúda a Criação,
Concede a Natureza 
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como o galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai ...
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças! 
Os frutos apanhai!
Coro das quatro estações:
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram  frutos das flores!

domingo, 2 de março de 2014

O Pássaro Cativo- Olavo Bilac

O Pássaro Cativo
Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
             A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
             O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar ?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender ;
             Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
             “Não quero o teu alpiste !
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
             Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
             Tenho frutos e flores,
             Sem precisar de ti !
Não quero a tua esplêndida gaiola !
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...
             Solta-me ao vento e ao sol !
Com que direito à escravidão me obrigas ?
Quero saudar as pompas do arrebol !
             Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas !
Por que me prendes ? Solta-me covarde !
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
             Quero voar ! voar ! ... “
Estas cousas o pássaro diria,
             Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
             Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
             A porta da prisão ...

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...