domingo, 31 de agosto de 2014

Berço- B. Lopes

BERÇO 
B. Lopes

Recordo: um largo verde e uma igrejinha,
Um sino, um rio, um pontilhão e um carro
De três juntas bovinas que ia e vinha
Rinchando alegre, carregando barro.
Havia a escola, que era azul, e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus! que é isto, que emoção a minha,
Quando estas coisas tão singelas narro?)
Seu Alexandre, um bom velhinho rico
Que hospedara a Princesa, o tico-tico
Que me acordava de manhã, e a serra...
Com seu nome de amor Boa Esperança,
Eis tudo quanto guardo na lembrança
Da minha pobre e pequenina terra!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cromo II- B. Lopes

                                                 Cromo II

                             B. Lopes
          A casinha- o sol dobrando,
          Projeta sombra na frente,
          Onde o casal inocente
          Está sorrindo e brincando.

           Vai menina cantando,
           Medita o irmão... de repente
          Safa-se aos pulos, contente
          Como graúna de um bando.

          Chega ao portal pequenino
          A mãe, que a olhar, quase cai,
          Soltando, pálida, um grito...

          É que o travesso menino
          Com as chinelas do pai
          Tenta montar cabrito.



domingo, 24 de agosto de 2014

Cromo- B. Lopes

Cromo


A garça branca ergue muito o pescoço
E olha do alto, solene, a vaca preta.
A vaca pasta com resignação
O capim verde à beira do mato.

Perto, com seus espinhos, um pé de limão.
A água corre escondida, não muito longe.
Um tucano passa agitado, aos gritos.
Dois coqueiros se ajeitam entre as árvores.

Nuvens brancas esparsas no céu azul
Lembram a paina das paineiras nuas
Ou a lã das ovelhas tosquiadas.
Quase as ouço balir à distância.

Os cavalos pastam sossegados:
Sabem que o verde nunca terá fim.
Os cachorros descansam à sombra
E prossegue o trabalho das formigas.

_________

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Música e Letra Saci Pererê- Jorge Ben Jor

  1. "Saci Pererê", Jorge Ben (Pirlimpimpim, 1982) - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=lGh8iCx7FaI
    18/07/2009 - Vídeo enviado por Davi Miranda
    Em 1982, por ocasião do centenário de Monteiro Lobato, a Rede Globo produziu um especial infantil ..

  2. .Sasaci Pererê
    Sasaci Sasaci Pererê
    Saci, Saci Pererê
    Pula, brinca e joga
    Que eu quero ver
    Dona Cuca vai querer fazer
    Uma aposta com você
    E essa aposta
    Você vai ter que ganhar
    Não pode perder não pode perder
    Sasaci Sasaci Pererê
    Saci, Saci Pererê
    Pula, brinca e joga
    Que eu quero ver
    Pererê, Pererê
    Dona Cuca vai querer
    Que você aposte
    O seu cachimbo e seu chapéu mágico
    Contra uma torta de giló, melancia e alho
    Cuidado Saci, cuidado com a toca
    Treine bem e não se compromete
    Pois esta aposta consiste
    Em que você ande
    Pelo sítio de patinete
    Saci Pererê, Saci Pere


domingo, 17 de agosto de 2014

Sapo Cururu- Manuel Bandeira

Sapo-cururu

Sapo-cururu
Da beira do rio.
Oh que sapo gordo!
Oh que sapo feio!

Sapo-cururu
Da beira do rio.
Quando o sapo coaxa,
Povoléu tem frio.

Que sapo mais danado,
Ó maninha, ó maninha!
Sapo-cururu é o bicho
Pra comer de sobreposse.
Sapo-cururu
Da barriga inchada.
Vôte! Brinca com ele...
Sapo-cururu é senador da República.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pobre Sementinha

POBRE SEMENTINHA

Pobre sementinha com tanta alegria, vou deitar te agora sobre a terra escura, mas não te abandono
virei todo dia ,sobre seu canteiro deitar água fria,
Dorme sementinha , fica bem quietinha, que sem te esquecer , cuidarei de ti ,e no seio amigo desta nova terra, uma vida nova encontrarás ali.
Talvez se entisteça minha prisioneira, pois ouvir eu penso este queixume seu, nunca mais verá a luz doce fagueira ,nem o sol brilhante,nem o azu do céu.
Dorme sementinha fica bem quietinha, que logo,logo sairá de ti, uma vida nova,uns brotos, galhos,
uma flôr doce e singela ,colorida e bela que alguem logo à deitará por terra .
E.....assim sempre será!!!

sábado, 9 de agosto de 2014

A órfã na costura - Junqueira Freire

Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era todo o meu amor. 
Seu cabelo era tão louro, 
Que nem uma fita de ouro 
Tinha tamanho esplendor.
Suas madeixas lúcidas 
Lhe caíam tão compridas, 
Que vinham-lhe os pés beijar. 
Quando ouvia as minhas queixas, 
Em suas áureas madeixas 
Ela vinha me embrulhar.
Também quando toda fria 
A minha alma estremecia, 
Quando ausente estava o sol, 
Os seus cabelos compridos, 
Como fios aquecidos, 
Serviam-me de lençol.
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era todo o meu amor. 
Seus olhos eram suaves, 
Como o gorjeio das aves 
Sobre a choça do pastor.
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu! 
Tenho em meu peito guardadas 
Suas palavras sagradas 
Co'os risos que ela me deu.
Os meus passos vacilantes 
Foram por largos instantes, 
Ensinados pêlos seus. 
Os meus lábios mudos, quedos 
Abertos pêlos seus dedos, 
Pronunciaram-me: — Deus!
Mais tarde — quando acordava 
Quando a aurora despontava, 
Erguia-me sua mão. 
Falando pela voz dela, 
Eu repetia singela 
Uma formosa oração.
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu l 
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era tudo e tudo meu.
Este pontos que eu imprimo, 
Estas quadrinhas que eu rimo, 
Foi ela que me ensinou. 
As vozes que eu pronuncio, 
Os cantos que eu balbucio, 
Foi ela quem mos formou.
Minha mãe'. — diz-me esta vida, 
Diz-me também esta lida, 
Este retroz, esta lã. 
Minha mãe! — diz-me este canto, 
Minha mãel — diz-me este pranto, 
— Tudo me diz: — minha mãe! —
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu! 
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era tudo e tudo meu


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Café com pão- Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu presciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
Manuel Bandeira



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

´Sinhá Marreca- Paraná

Lá vem a Sinhá Marreca
Com seu samburá na mão
Lá vem a Sinhá Marreca
Com seu samburá na mão

Ela disse que vem vendendo
"Padinhas" de camarão
Ela disse que vem vendendo
"Padinhas" de camarão

Quem quiser dançar miudinho
Vai na casa do seu Chiquinho
Quem quiser dançar miudinho
Vai na casa do seu Chiquinho

Ele pula, ele dança
Ele faz um requebradinho
Ele pula, ele dança
Ele faz um requebradinho

As Empadinhas de Sinhá Marreca - Disquinho - Completa ...

www.youtube.com/watch?v=FJPhZhnJmB4
26/03/2012 - Vídeo enviado por GoodBrainstorms
As Empadinhas de Sinhá Marreca narrada e musicada na maravilhosa Coleção Disquinho para cri

Roseana Murray: poesia, infância, natureza e delicadeza em forma de palavra

  Introdução Roseana Murray é uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea voltada também para o universo infantil. Sua obra apr...