domingo, 31 de agosto de 2014

Berço- B. Lopes

BERÇO 
B. Lopes

Recordo: um largo verde e uma igrejinha,
Um sino, um rio, um pontilhão e um carro
De três juntas bovinas que ia e vinha
Rinchando alegre, carregando barro.
Havia a escola, que era azul, e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus! que é isto, que emoção a minha,
Quando estas coisas tão singelas narro?)
Seu Alexandre, um bom velhinho rico
Que hospedara a Princesa, o tico-tico
Que me acordava de manhã, e a serra...
Com seu nome de amor Boa Esperança,
Eis tudo quanto guardo na lembrança
Da minha pobre e pequenina terra!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O laço de fita Castro Alves

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.


Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.


E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=482#ixzz3Bbzp2myX



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cromo II- B. Lopes

                                                 Cromo II

                             B. Lopes
          A casinha- o sol dobrando,
          Projeta sombra na frente,
          Onde o casal inocente
          Está sorrindo e brincando.

           Vai menina cantando,
           Medita o irmão... de repente
          Safa-se aos pulos, contente
          Como graúna de um bando.

          Chega ao portal pequenino
          A mãe, que a olhar, quase cai,
          Soltando, pálida, um grito...

          É que o travesso menino
          Com as chinelas do pai
          Tenta montar cabrito.



domingo, 24 de agosto de 2014

Cromo- B. Lopes

Cromo


A garça branca ergue muito o pescoço
E olha do alto, solene, a vaca preta.
A vaca pasta com resignação
O capim verde à beira do mato.

Perto, com seus espinhos, um pé de limão.
A água corre escondida, não muito longe.
Um tucano passa agitado, aos gritos.
Dois coqueiros se ajeitam entre as árvores.

Nuvens brancas esparsas no céu azul
Lembram a paina das paineiras nuas
Ou a lã das ovelhas tosquiadas.
Quase as ouço balir à distância.

Os cavalos pastam sossegados:
Sabem que o verde nunca terá fim.
Os cachorros descansam à sombra
E prossegue o trabalho das formigas.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Música e Letra Saci Pererê- Jorge Ben Jor

  1. "Saci Pererê", Jorge Ben (Pirlimpimpim, 1982) - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=lGh8iCx7FaI
    18/07/2009 - Vídeo enviado por Davi Miranda
    Em 1982, por ocasião do centenário de Monteiro Lobato, a Rede Globo produziu um especial infantil ..

  2. .Sasaci Pererê
    Sasaci Sasaci Pererê
    Saci, Saci Pererê
    Pula, brinca e joga
    Que eu quero ver
    Dona Cuca vai querer fazer
    Uma aposta com você
    E essa aposta
    Você vai ter que ganhar
    Não pode perder não pode perder
    Sasaci Sasaci Pererê
    Saci, Saci Pererê
    Pula, brinca e joga
    Que eu quero ver
    Pererê, Pererê
    Dona Cuca vai querer
    Que você aposte
    O seu cachimbo e seu chapéu mágico
    Contra uma torta de giló, melancia e alho
    Cuidado Saci, cuidado com a toca
    Treine bem e não se compromete
    Pois esta aposta consiste
    Em que você ande
    Pelo sítio de patinete
    Saci Pererê, Saci Pere


domingo, 17 de agosto de 2014

Sapo Cururu- Manuel Bandeira

Sapo-cururu

Sapo-cururu
Da beira do rio.
Oh que sapo gordo!
Oh que sapo feio!

Sapo-cururu
Da beira do rio.
Quando o sapo coaxa,
Povoléu tem frio.

Que sapo mais danado,
Ó maninha, ó maninha!
Sapo-cururu é o bicho
Pra comer de sobreposse.
Sapo-cururu
Da barriga inchada.
Vôte! Brinca com ele...
Sapo-cururu é senador da República.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pobre Sementinha

POBRE SEMENTINHA

Pobre sementinha com tanta alegria, vou deitar te agora sobre a terra escura, mas não te abandono
virei todo dia ,sobre seu canteiro deitar água fria,
Dorme sementinha , fica bem quietinha, que sem te esquecer , cuidarei de ti ,e no seio amigo desta nova terra, uma vida nova encontrarás ali.
Talvez se entisteça minha prisioneira, pois ouvir eu penso este queixume seu, nunca mais verá a luz doce fagueira ,nem o sol brilhante,nem o azu do céu.
Dorme sementinha fica bem quietinha, que logo,logo sairá de ti, uma vida nova,uns brotos, galhos,
uma flôr doce e singela ,colorida e bela que alguem logo à deitará por terra .
E.....assim sempre será!!!

sábado, 9 de agosto de 2014

A órfã na costura - Junqueira Freire

Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era todo o meu amor. 
Seu cabelo era tão louro, 
Que nem uma fita de ouro 
Tinha tamanho esplendor.
Suas madeixas lúcidas 
Lhe caíam tão compridas, 
Que vinham-lhe os pés beijar. 
Quando ouvia as minhas queixas, 
Em suas áureas madeixas 
Ela vinha me embrulhar.
Também quando toda fria 
A minha alma estremecia, 
Quando ausente estava o sol, 
Os seus cabelos compridos, 
Como fios aquecidos, 
Serviam-me de lençol.
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era todo o meu amor. 
Seus olhos eram suaves, 
Como o gorjeio das aves 
Sobre a choça do pastor.
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu! 
Tenho em meu peito guardadas 
Suas palavras sagradas 
Co'os risos que ela me deu.
Os meus passos vacilantes 
Foram por largos instantes, 
Ensinados pêlos seus. 
Os meus lábios mudos, quedos 
Abertos pêlos seus dedos, 
Pronunciaram-me: — Deus!
Mais tarde — quando acordava 
Quando a aurora despontava, 
Erguia-me sua mão. 
Falando pela voz dela, 
Eu repetia singela 
Uma formosa oração.
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu l 
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era tudo e tudo meu.
Este pontos que eu imprimo, 
Estas quadrinhas que eu rimo, 
Foi ela que me ensinou. 
As vozes que eu pronuncio, 
Os cantos que eu balbucio, 
Foi ela quem mos formou.
Minha mãe'. — diz-me esta vida, 
Diz-me também esta lida, 
Este retroz, esta lã. 
Minha mãe! — diz-me este canto, 
Minha mãel — diz-me este pranto, 
— Tudo me diz: — minha mãe! —
Minha mãe era mui bela, 
— Eu me lembro tanto dela, 
De tudo quanto era seu! 
Minha mãe era bonita, 
Era toda a minha dita, 
Era tudo e tudo meu


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Café com pão- Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu presciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
Manuel Bandeira



domingo, 3 de agosto de 2014

Deus- Olavo Bilac

Para experimentar Octávio, o mestre
Diz: “Já que tudo sabe, venha cá!
Diga em que ponto da extensão terrestre
Ou da extensão celeste Deus está!”

 
Por um momento apenas, fica mudo
Octávio, e logo esta resposta dá:
“Eu senhor mestre, lhe daria tudo,
Se me dissesse onde é que ele não está!”


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Vídeos da história da Dona Baratinha

  • Coleção Disquinho - Casamento da Dona Baratinha - parte 1

    www.youtube.com/watch?v=LEa17NS7Uok
    07/06/2008 - Vídeo enviado por van
    Coleção Disquinho - Casamento da Dona Baratinha - parte 1 .... adoooroo a história da dona ...
  • Coleção Disquinho - Casamento da Dona Baratinha - parte 2

    www.youtube.com/watch?v=BBDRb0mQEDk
    07/06/2008 - Vídeo enviado por van
    segunda e última parte da história da Dona Baratinha. Slisde de ... Coleção Disquinho - Festa no céu ...
  • Dona BaratinhaHistória - Coleção Disquinho - Completa ...

    www.youtube.com/watch?v=7u5KeaGZDas
    04/05/2012 - Vídeo enviado por GoodBrainstorms
    A História da Dona Baratinha narrada e musicada na maravilhosa ... Coleção Disquinho -
  • ´Sinhá Marreca- Paraná

    Lá vem a Sinhá Marreca
    Com seu samburá na mão
    Lá vem a Sinhá Marreca
    Com seu samburá na mão

    Ela disse que vem vendendo
    "Padinhas" de camarão
    Ela disse que vem vendendo
    "Padinhas" de camarão

    Quem quiser dançar miudinho
    Vai na casa do seu Chiquinho
    Quem quiser dançar miudinho
    Vai na casa do seu Chiquinho

    Ele pula, ele dança
    Ele faz um requebradinho
    Ele pula, ele dança
    Ele faz um requebradinho

    As Empadinhas de Sinhá Marreca - Disquinho - Completa ...

    www.youtube.com/watch?v=FJPhZhnJmB4
    26/03/2012 - Vídeo enviado por GoodBrainstorms
    As Empadinhas de Sinhá Marreca narrada e musicada na maravilhosa Coleção Disquinho para cri

    A terra em que nasceste

      Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...