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sábado, 1 de agosto de 2026

Casimiro de Abreu: infância, saudade e natureza em versos

 


Introdução

Há poetas que escrevem sobre grandes acontecimentos, aventuras e personagens extraordinários. Casimiro de Abreu, porém, encontrou poesia nas lembranças mais simples: as brincadeiras da infância, as tardes entre árvores, o carinho da mãe, a saudade da terra natal e os sonhos da juventude.

Seus versos atravessaram gerações porque falam de sentimentos que muitas pessoas conhecem: a vontade de voltar a um tempo feliz, o amor pela família, a admiração pela natureza e a saudade dos lugares onde vivemos momentos especiais.

Nesta postagem, vamos conhecer um pouco da vida e da poesia de Casimiro de Abreu por meio de poemas, vídeos, música e lembranças que continuam vivas na literatura brasileira.


Quem foi Casimiro de Abreu?



Casimiro José Marques de Abreu nasceu em 4 de janeiro de 1839, em Barra de São João, no estado do Rio de Janeiro. Viveu apenas 21 anos, mas deixou uma obra que se tornou uma das mais conhecidas do Romantismo brasileiro.

Ainda jovem, viajou para Portugal, onde iniciou sua atividade literária. Depois de retornar ao Brasil, publicou, em 1859, o livro As Primaveras, que reúne grande parte de sua produção poética.

Casimiro de Abreu faleceu em 18 de outubro de 1860. Atualmente, é o patrono da cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras.

Vídeo: vida e obra de Casimiro de Abreu




A poesia das lembranças

A poesia de Casimiro de Abreu é marcada pela saudade. O poeta recorda a infância, a família, a natureza, a terra natal e os momentos felizes que ficaram no passado.

Sua linguagem é simples, sonora e emotiva. Essa musicalidade tornou seus poemas fáceis de ler, declamar e memorizar.

Entre os temas mais presentes em sua obra estão a nostalgia da infância, o amor pela pátria, a devoção à mãe, a natureza, a juventude e a idealização do amor.


“Meus oito anos”: saudades da infância

O poema mais conhecido de Casimiro de Abreu é “Meus oito anos”. Nele, o poeta recorda com ternura as brincadeiras, as paisagens, as árvores e a liberdade de sua infância.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Os versos transformaram-se em uma das mais conhecidas representações da infância na literatura brasileira. A lembrança aparece como um espaço de alegria, inocência e contato com a natureza.

O que o poema discute?

O poema fala sobre a passagem do tempo e sobre as lembranças que guardamos da infância. Para o poeta, esse período é representado como uma época de liberdade, sonhos, brincadeiras e felicidade.

As bananeiras, os laranjais, o céu azul e as tardes alegres ajudam a construir uma paisagem afetiva. Não se trata apenas de recordar um lugar, mas de recordar os sentimentos vividos naquele lugar.

Para pensar

Quais são as lembranças mais bonitas da sua infância?

Existe algum lugar, brinquedo, brincadeira, cheiro ou música que faz você recordar momentos felizes?





A infância como um mundo encantado

Nos versos de Casimiro de Abreu, a infância aparece como uma espécie de mundo encantado. Nela, a natureza parece mais bonita, os dias são mais leves e os sonhos estão presentes em todos os lugares.

O poeta não descreve apenas fatos do passado. Ele recria sensações: o aconchego da casa, as brincadeiras ao ar livre, a sombra das árvores, o canto dos pássaros e a proteção da família.

Por isso, sua poesia continua despertando identificação. Cada leitor pode encontrar nos versos uma parte de suas próprias memórias.


O amor e a gratidão pela mãe

Outro tema importante na poesia de Casimiro de Abreu é o amor materno. No poema “Minha mãe”, o poeta recorda os cuidados, as cantigas e o carinho recebidos durante a infância.

A mãe surge como presença protetora, ligada ao lar, ao berço e às primeiras lembranças da vida.

O que o poema discute?


O poema apresenta a mãe como símbolo de cuidado, proteção e amor. Mesmo estando distante, o poeta conserva sua imagem dentro do coração.

A lembrança materna também se relaciona com a saudade da casa e da infância.

Para pensar

Por que as pessoas que cuidam de nós ocupam um lugar tão importante em nossas lembranças?

Que gesto de carinho recebido na infância você nunca esqueceu?


A natureza nos poemas de Casimiro de Abreu

A natureza ocupa um lugar especial em sua poesia. Árvores, flores, pássaros, rios, céu e mar aparecem associados aos sentimentos do poeta.

A paisagem não funciona apenas como cenário. Ela participa das lembranças e ajuda a expressar alegria, saudade, esperança ou tristeza.

Quando o poeta fala dos laranjais e das bananeiras, por exemplo, está também falando de liberdade, brincadeira e felicidade.

O que os poemas discutem?

Os poemas mostram como a natureza pode guardar nossas memórias. Um jardim, uma árvore ou um rio podem nos fazer recordar pessoas, lugares e acontecimentos importantes.

Para pensar

Existe algum elemento da natureza que lembra um momento especial de sua vida?


A musicalidade dos versos

Os poemas de Casimiro de Abreu possuem ritmo, repetições e palavras que produzem uma leitura suave e melodiosa. Por essa razão, muitos de seus textos podem ser declamados, cantados ou transformados em apresentações musicais.

Essa musicalidade aproxima poesia e canção. Quando um poema recebe melodia, suas palavras ganham novas formas de chegar ao público.


PODCAST PARA CRIANÇAS SOBRE CASIMIRO DE ABREU:



Vídeo especial: Poesia de Casimiro de Abreu


Neste vídeo, palavras, imagens e sons se encontram para apresentar a sensibilidade de Casimiro de Abreu. Seus versos nos convidam a olhar novamente para a infância, para a natureza e para as lembranças que permanecem guardadas dentro de nós.


Música: Pátria Jamais Esquecida

Pátria Jamais Esquecida




O amor pela terra natal também ocupa um lugar importante na poesia de Casimiro de Abreu. A distância despertava no poeta lembranças da paisagem brasileira, da família e dos lugares de sua infância.

A música “Pátria Jamais Esquecida” dialoga com esse sentimento de pertencimento. Ela mostra que podemos nos afastar fisicamente de um lugar, mas continuar levando sua memória no coração.

Para pensar

O que faz um lugar se tornar parte da nossa história?

É possível amar e sentir saudade de uma cidade, de uma casa ou de uma paisagem?


Outros poemas para conhecer



Meus oito anos

Infância, brincadeiras, liberdade e saudade.

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!



Amor materno, proteção e lembranças familiares.

Da pátria formosa,
distante e saudoso,
chorando e gemendo
meus cantos de dor,
eu guardo no peito
a imagem querida
do mais verdadeiro,
do mais santo amor:

— Minha mãe!

Nas horas caladas
das noites de estio,
sentado sozinho,
com a face na mão,
eu choro e soluço
por quem me chamava:

— Oh, filho querido
do meu coração!

— Minha mãe!

No berço, pendente
dos ramos floridos,
em que eu, pequenino,
feliz dormitava,
quem era que esse berço,
com todo o cuidado,
cantando cantigas
alegre embalava?

— Minha mãe!

Feliz o bom filho
que pode contente,
na casa paterna,
de noite e de dia,
sentir as carícias
do anjo de amores,
da estrela brilhante
que a vida nos guia!

— Minha mãe!

Por isso, agora,
na terra do exílio,
sentado sozinho,
com a face na mão,
suspiro e soluço
por quem me chamava:

— Oh, filho querido
do meu coração!

— Minha mãe!


A casa como lugar de acolhimento e afeto.

Longe da pátria, sob um céu diverso
Onde o sol como aqui tanto não arde,
Chorei saudades do meu lar querido
— Ave sem ninho que suspira à tarde. —

No mar — de noite — solitário e triste
Fitando os lumes que no céu tremiam,
Ávido e louco nos meus sonhos d’alma
Folguei nos campos que meus olhos viam.

Era pátria e família e vida e tudo,
Glória, amores, mocidade e crença,
E, todo em choros, vim beijar as praias
Porque chorara nessa longa ausência.

Eis-me na pátria, no país das flores,
— O filho pródigo a seus lares volve,
E concertando as suas vestes rotas,
O seu passado com prazer revolve! —

Eis meu lar, minha casa, meus amores,
A terra onde nasci, meu teto amigo,
A gruta, a sombra, a solidão, o rio
Onde o amor me nasceu — cresceu comigo.

Os mesmos campos que eu deixei criança,
Árvores novas... tanta flor no prado!...
Oh! como és linda, minha terra d’alma,
— Noiva enfeitada para o seu noivado! —

Foi aqui, foi ali, além... mais longe,
Que eu sentei-me a chorar no fim do dia;
— Lá vejo o atalho que vai dar na várzea...
Lá o barranco por onde eu subia!...

Acho agora mais seca a cachoeira
Onde banhei-me no infantil cansaço...
— Como está velho o laranjal tamanho
Onde eu caçava o sanhaçu a laço!...

Como eu me lembro dos meus dias puros!
Nada m’esquece!... e esquecer quem há de?...
— Cada pedra que eu palpo, ou tronco, ou folha,
Fala-me ainda dessa doce idade!

Eu me remoço recordando a infância,
E tanto a vida me palpita agora
Que eu dera oh! Deus! a mocidade inteira
Por um só dia do viver d’outrora!

E a casa?... as salas, estes móveis... tudo,
O crucifixo pendurado ao muro...
O quarto do oratório... a sala grande
Onde eu temia penetrar no escuro!...

E ali... naquele canto... o berço armado
E minha mana, tão gentil, dormindo!
E mamãe a contar-me histórias lindas
Quando eu chorava e a beijava rindo!

Oh! primavera! oh! minha mãe querida
Oh! mana! — anjinho que eu amei com ânsia —
Vinde ver-me, em soluços — de joelhos —
Beijando em choros este pó da infância!

II

Meu Deus! eu chorei tanto lá no exílio!
Tanta dor me cortou a voz sentida,
Que agora neste gozo de proscrito
Chora minh’alma e me sucumbe a vida!

Quero amor! quero vida! e longa e bela
Que eu, Senhor! não vivi — dormi apenas!
Minh’alma que s’expande e se entumece
Despe o seu luto nas canções amenas.

Que sede que eu sentia nessas noites!
Quanto beijo roçou-me os lábios quentes!
E, pálido, acordava no meu leito
— Sozinho — e órfão das visões ardentes!

Quero amor! quero vida! aqui, na sombra,
No silêncio e na voz desta natura;
— Da primavera de minh’alma os cantos
Caso co’as flores da estação mais pura.

Quero amor! quero vida! os lábios ardem.
Preciso as dores dum sentir profundo!
— Sôfrego a taça esgotarei dum trago
Embora a morte vá topar no fundo.

Quero amor! quero vida! Um rosto virgem,
— Alma de arcanjo que me fale amores,
Que ria e chore, que suspire e gema
E doure a vida sobre um chão de flores.

Quero amor! quero amor! — Uns dedos brancos
Que passem a brincar nos meus cabelos;
Rosto lindo de fada vaporosa
Que dê-me vida e que me mate em zelos!

— Oh! céu de minha terra — azul sem mancha —
Oh! sol de fogo que me queima a fronte,
Nuvens douradas que correis no ocaso,
Névoas da tarde que cobris o monte;

Perfumes da floresta, vozes doces,
Mansa lagoa que o luar prateia,
Claros riachos, cachoeiras altas,
Ondas tranqüilas que morreis na areia;

Aves dos bosques, brisas das montanhas,
Bem-te-vis do campo, sabiás da praia,
— Cantai, correi, brilhai — minh’alma em ânsias
Treme de gozo e de prazer desmaia!

Flores, perfumes, solidões, gorjeios,
Amor, ternura — modulai-me a lira!
— Seja um poema este ferver de idéias
Que a mente cala e o coração suspira.

Oh! mocidade! bem te sinto e vejo!
De amor e vida me trasborda o peito...
— Basta-me um ano!... e depois... na sombra...
Onde tive o berço quero ter meu leito!
 
Eu canto, eu choro, eu rio, e grato e louco
Nos pobres hinos te bendigo, oh! Deus!
Deste-me os gozos do meu lar querido...
Bendito sejas! — vou viver c’os meus!


Natureza, espiritualidade e contemplação.

Eu me lembro! eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
"Que pode haver maior que o oceano,
"Ou que seja mais forte do que o vento?!" -

Minha mãe a sorrir olhou p'r'os céus
E respondeu: - Um Ser que nós não vemos
"É maior do que o mar que nós tememos,
"Mais forte que o tufão! Meu filho, é - Deus!" 

Sentimentos da juventude, timidez e idealização amorosa.



I

Quanto eu te fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
"- Meu Deus! que gelo, que frieza aquela."

Como te enganas! meu amor é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores,
A luz da aurora me intumesce os seios,
E ao vento fresco do cair das tardes
Eu me estremeço de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea - ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia,
Diz: - que seria da plantinha humilde
Que à sombra dele tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho,
E a pobre nunca reviver pudera
Chovesse embora paternal orvalho!

II
Ai! se eu te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas!...

Ai! se eu te visse, Magdalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos - palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: - que seria da pureza d'anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
- Tu te queimaras, a pisar descalça,
- Criança louca, - sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
- Olhos pisados - como um vão lamento,
Tu perguntaras: - qu'é da minha c'roa?...
Eu te diria: - desfolhou-a o vento!...


Oh! não me chames coração de gelo!

Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito,
És bela - eu moço; tens amor, eu - medo!..



Saudade, solidão e sensibilidade.

I
Minh'alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.

E, como a rola que perdeu o esposo,
Minh'alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endecha
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minh'alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que o prazer consiste.
- Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei porque - mas a minh'alma é triste!

II
Minh'alma é triste como a voz do sino
Carpindo o morto sobre a laje fria;
E doce e grave qual no templo um hino,
Ou como a prece ao desmaiar do dia.

Se passa um bote com as velas soltas,
Minh'alma o segue n'amplidão dos mares;
E longas horas acompanha as voltas
Das andorinhas recortando os ares.

Às vezes, louca, num cismar perdida,
Minh'alma triste vai vagando à toa,
Bem como a folha que do sul batida
Bóia nas águas de gentil lagoa!

E como a rola que em sentida queixa
O bosque acorda desde o albor da aurora,
Minh'alma em notas de chorosa endecha
Lamenta os sonhos que já tive outrora.

Dizem que há gozos no correr dos anos!...
Só eu não sei em que o prazer consiste.
- Pobre ludíbrio de cruéis enganos,
Perdi os risos - a minh'alma é triste!

III
Minh'alma é triste como a flor que morre
Pendida à beira do riacho ingrato;
Nem beijos dá-lhe a viração que corre,
Nem doce canto o sabiá do mato!

E como a flor que solitária pende
Sem ter carícias no voar da brisa,
Minh'alma murcha, mas ninguém entende
Que a pobrezinha só de amor precisa!

Amei outrora com amor bem santo
Os negros olhos de gentil donzela,
Mas dessa fronte de sublime encanto
Outro tirou a virginal capela.

Oh! quantas vezes a prendi nos braços!
Que o diga e fale o laranjal florido!
Se mão de ferro espedaçou dois laços
Ambos choramos mas num só gemido!

Dizem que há gozos no viver d'amores,
Só eu não sei em que o prazer consiste!
- Eu vejo o mundo na estação das flores...
Tudo sorri - mas a minh'alma é triste!

IV
Minh'alma é triste como o grito agudo
Das arapongas no sertão deserto;
E como o nauta sobre o mar sanhudo,
Longe da praia que julgou tão perto!

A mocidade no sonhar florida
Em mim foi beijo de lasciva virgem:
- Pulava o sangue e me fervia a vida,
Ardendo a fronte em bacanal vertigem.

De tanto fogo tinha a mente cheia!...
No afã da glória me atirei com ânsia...
E, perto ou longe, quis beijar a s'reia
Que em doce canto me atraiu na infância.

Ai! Loucos sonhos de mancebo ardente!
Esp'ranças altas... Ei-las já tão rasas!...
- Pombo selvagem, quis voar contente...
Feriu-me a bala no bater das asas!

Dizem que há gozos no correr da vida...
Só eu não sei em que o prazer consiste!
- No amor, na glória, na mundana lida,
Foram-se as flores - a minh'alma é triste!

Um poeta que continua presente

Apesar de sua breve existência, Casimiro de Abreu deixou versos que continuam sendo lidos, declamados e transformados em músicas.

Sua poesia permanece viva porque fala de experiências universais: crescer, sentir saudade, amar a família, contemplar a natureza e recordar momentos que não voltam mais.

Ao ler seus poemas, percebemos que a infância pode terminar no calendário, mas continua existindo dentro das lembranças.


Conclusão

Casimiro de Abreu transformou suas recordações em poesia. Em seus versos, a infância surge cercada de árvores, flores, pássaros, brincadeiras e afetos.

Sua obra nos ensina que as experiências mais simples também merecem ser guardadas e contadas. Uma tarde no quintal, uma cantiga de mãe, uma árvore conhecida ou uma brincadeira entre amigos podem tornar-se parte da nossa história.

Ler Casimiro de Abreu é abrir uma janela para o passado e, ao mesmo tempo, olhar para dentro de nossas próprias lembranças.


Encerramento 

Que os versos de Casimiro de Abreu nos ajudem a conservar a delicadeza, a imaginação e a capacidade de encontrar poesia nas pequenas coisas da vida.

E você, de qual momento da infância sente mais saudade?


Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida







quarta-feira, 1 de julho de 2026

Marilene Godinho: poesia, infância, natureza e encantamento

 



Introdução

A poesia tem o poder de transformar lembranças simples em encantamento. Nas palavras de Marilene Godinho, a infância, a roça, a lua, os animais, a escola, a família e a natureza aparecem como pequenas janelas abertas para a imaginação.

Nesta postagem, o blog Encanto da Infância: poesias e músicas infantis apresenta um material especial dedicado à escritora caratinguense Marilene Godinho, poeta e educadora que soube aproximar a criança do universo da leitura por meio da sensibilidade, da musicalidade e da fantasia.

Seus poemas falam de coisas simples, mas cheias de beleza: a lamparina que iluminava a casa, a viola que consola a saudade, a boneca feita de retalhos, a primavera na roça, a lua doce como rapadura e tantos outros elementos que fazem parte de um mundo afetivo, poético e encantador.

Quem é Marilene Godinho?



Marilene Godinho é poeta, educadora e escritora de Caratinga, Minas Gerais. Sua obra dialoga com a infância, com a cultura regional, com a vida no campo, com a memória e com o prazer de ler.

Em seus textos, as palavras parecem brincar com as crianças. A leitura deixa de ser apenas uma tarefa escolar e passa a ser uma aventura. Como aparece no relatório estudado, em sua obra a leitura pode ser vista como um verdadeiro “passeio de pipa”, capaz de levar a criança a viajar pela imaginação.

Marilene Godinho também criou um universo poético em que o alfabeto, a natureza e as lembranças ganham vida. Suas poesias mostram que ler é abrir portas para um castelo encantado, onde cada palavra pode revelar uma nova descoberta.

A poesia de Marilene Godinho e o olhar da criança

Os poemas reunidos neste material mostram uma escrita cheia de ternura, humor, memória e musicalidade. Em alguns textos, encontramos a vida simples da roça, com fogão de lenha, lamparina, bica, primavera, lua e terra. Em outros, aparecem personagens e situações próximas do universo infantil, como boneca, festa no galinheiro, bicho de pé e dente de ouro.

A criança, ao entrar em contato com esses poemas, pode perceber que a poesia não está apenas nos livros. Ela também está no quintal, no céu, nos animais, nas brincadeiras, na saudade, nas histórias da família e nas pequenas cenas do cotidiano.

Poemas presentes no material

O caderno preparado para esta postagem reúne poemas de Marilene Godinho que valorizam a infância, a natureza, a cultura popular e a memória afetiva. Entre eles estão textos como Terra Braba, A Seca, Viola, Nêga Bá, Menino da Lua, Porteira, Lamparina, Felisbela, Festa no Galinheiro, Fogão de Lenha, Boneca, Bicho de Pé, Bica, Primavera e Lua de Rapadura.

Cada poema pode ser trabalhado de forma sensível, permitindo que as crianças escutem, imaginem, conversem, desenhem, cantem e descubram a beleza das palavras.

O que os poemas nos fazem sentir?

Os poemas de Marilene Godinho nos fazem sentir saudade, alegria, ternura, curiosidade e encantamento. Eles despertam lembranças de casa simples, quintal, lua cheia, histórias contadas, cheiro de comida no fogão, sons da natureza e brincadeiras de criança.

Mesmo quando falam de temas mais sérios, como a seca, a vida do homem do campo ou a partida de alguém querido, os poemas mantêm uma força poética que ajuda a criança a compreender sentimentos humanos de maneira sensível.

Conversando sobre os poemas

Depois da leitura dos poemas, o professor ou a família pode conversar com as crianças sobre as imagens que apareceram nos textos.

Que poema mais chamou sua atenção?

Que palavras fizeram você imaginar uma cena?

Você já viu uma lamparina, uma bica, um fogão de lenha ou uma porteira?

Como você imagina a “lua de rapadura”?

Qual poema parece mais alegre?

Qual poema parece mais saudoso?

Que desenho você faria inspirado nesses poemas?

Essas perguntas ajudam a criança a perceber que a poesia também nasce da escuta, da memória, da observação e da imaginação.

Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho

Para tornar o material ainda mais encantador, foi criada uma música inspirada em alguns poemas de Marilene Godinho. A letra da música é de autoria de Maria Aparecida de Almeida e nasceu a partir da leitura sensível desses poemas.

A canção tem um tom romântico, afetivo e nostálgico, lembrando o estilo de músicas populares brasileiras marcadas por emoção, memória e delicadeza. Ela não copia os poemas, mas conversa com eles, transformando sentimentos, imagens e lembranças em melodia.

Saudade de Mim - Versão 1


Saudade de Mim- Versão 2


LETRA DA MÚSICA : SAUDADE DE MIM

Música inspirada nos poemas de Marilene Godinho

Ah! Que Saudade de Mim

Nêga Bá, cê me criou,
o tempo não te levou,
e eu já sei bem o porquê:
quando abraço na saudade,
todo bem que foi verdade,
lembrança busca “vancê”.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Quando em meu peito
saudade se aninha,
encontro um só jeito:
cantar a modinha.

Eu pego a viola
e canto na tarde,
e lamento,
e amanso a saudade.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Você me ensinou
a olhar a lua,
sentir poesia
na noite fria.

Com você aprendi
que lua derrama prata,
serena estrelas,
passeia no céu.

Ah! Que saudade!
A lua não me escuta,
mas lembrança me vê.
Ah! Que saudade de mim,
quando eu tinha você.

Letra: Maria Aparecida de Almeida
Inspirada em poemas de Marilene Godinho


Podcast para crianças

Este material também contará com um podcast infantil sobre Marilene Godinho. A proposta é apresentar a escritora de forma leve, como uma contadora de encantos, mostrando às crianças que seus poemas falam da lua, da roça, dos animais, das lembranças, das brincadeiras e da beleza escondida nas coisas simples.

O podcast poderá começar com uma saudação carinhosa às crianças e seguir explicando, em linguagem simples, quem é Marilene Godinho, por que seus poemas são importantes e como a poesia pode transformar a leitura em uma viagem pela imaginação.



Vídeos, slides e caderno de poesias

Alguns materiais também poderão ser transformados em vídeos para enriquecer a postagem. Os slides com poemas, imagens, música e apresentação da autora podem ser usados como recursos audiovisuais para o blog e para o canal.









Sugestões de atividades

As crianças podem ouvir a leitura de um poema e desenhar a cena que imaginaram.

Podem escolher uma palavra bonita do poema e explicar por que gostaram dela.

Podem criar uma pequena ilustração para a “lua de rapadura”.

Podem conversar sobre as lembranças da vida no campo, da casa dos avós, dos animais ou da natureza.

Podem ouvir a música inspirada nos poemas e dizer que sentimentos ela despertou.

Podem criar, coletivamente, um mural com desenhos, palavras e frases inspiradas na poesia de Marilene Godinho.

Para pensar

A poesia de Marilene Godinho nos ensina que a beleza pode estar nas coisas simples. Uma porteira, uma boneca de retalhos, uma lamparina, uma bica ou uma lua no céu podem se transformar em poesia quando olhamos para elas com carinho.

Ler seus poemas é como entrar em um mundo onde a memória, a infância e a natureza caminham de mãos dadas.

Materiais desta postagem

Caderno de poesias de Marilene Godinho. https://www.youtube.com/watch?v=drrIwa_vL6E

Slides sobre Marilene Godinho. https://canva.link/9yibri70u948awv

https://canva.link/zm1klkjle3ybjn3

https://canva.link/l6fvd8f1kq9n6i6

https://canva.link/cdg5nr1uwvs7b6s

Música inspirada em alguns poemas da autora. 

https://www.youtube.com/watch?v=2JDHsLaCqZc

https://www.youtube.com/watch?v=LMS3Hq2PCvc

Podcast infantil sobre Marilene Godinho.

 https://www.youtube.com/watch?v=EoMLuuA5oL4

Vídeos produzidos a partir dos materiais. 

https://www.youtube.com/watch?v=E80h2KHaBvE

https://www.youtube.com/watch?v=drrIwa_vL6E

Créditos

Poemas: Marilene Godinho.

Letra da música inspirada nos poemas: Maria Aparecida de Almeida.

Organização do material: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis.

Conclusão

Marilene Godinho nos mostra que a poesia pode nascer da terra, da lua, da casa simples, da lembrança, da infância e do coração. Seus poemas aproximam as crianças da leitura de uma forma bonita, afetiva e encantadora.

Que este material ajude professores, famílias e crianças a descobrirem a alegria de ler, ouvir, cantar e sentir poesia.

Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Olavo Bilac: poesia, infância, natureza e encantamento

 




Introdução

Olavo Bilac é um dos grandes nomes da poesia brasileira. Seus versos são marcados pela musicalidade, pelo cuidado com as palavras e por temas que dialogam muito bem com o universo infantil, como a natureza, a casa, a família, o trabalho, a pátria, o tempo, os animais e os sentimentos.

Nesta postagem do blog Encantos da infância: poesias e músicas infantis, reunimos poemas de Olavo Bilac em um caderno de poesias, slides e músicas inspiradas em seus versos. A proposta é aproximar as crianças da literatura brasileira de forma sensível, poética e encantadora.

Ler Bilac com as crianças é uma oportunidade de perceber como a poesia pode ensinar a observar o mundo com mais atenção: o sol que ilumina, a casa que acolhe, as flores que alegram, o tempo que passa, a liberdade dos pássaros e o amor pela terra onde vivemos.

O que encontramos neste material

Neste material, o leitor encontrará uma seleção de poemas de Olavo Bilac apresentados de forma acessível para o trabalho com crianças. Entre os textos selecionados estão poemas que falam do amor à terra natal, da casa, da mãe, do sol, das flores, do tempo, da liberdade e de valores importantes para a convivência humana.

O caderno de poesias traz poemas e adaptações explicativas que ajudam a criança a compreender melhor os temas presentes na obra de Bilac. Os slides ajudam na apresentação visual dos textos, enquanto as músicas inspiradas nos poemas tornam a experiência mais lúdica e envolvente.

Poemas presentes no caderno

O caderno apresenta poemas como “Pátria”, que fala do amor à terra em que nascemos; “À minha mãe”, que aborda ternura, saudade e amor materno; “A Casa”, que valoriza o lar e o carinho familiar; e “O Sol”, que mostra a natureza iluminada pela vida e pelo trabalho.

Também aparecem poemas e textos relacionados a temas como flores, avós, fábulas, bandeira, liberdade, tempo, universo, cotidiano e trabalho, ampliando as possibilidades de leitura e conversa com as crianças.

Música e poesia

A música pode ser uma ponte muito bonita para aproximar as crianças da poesia. Quando os versos ganham melodia, a escuta se torna mais envolvente e a criança percebe melhor o ritmo, a repetição, a sonoridade e as imagens poéticas.

As músicas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac não substituem os poemas originais. Elas funcionam como uma releitura poética e musical, criada para dialogar com os textos e despertar o interesse das crianças pela leitura.

 Apresentação do autor

👤 Sobre o autor: Olavo Bilac

Olavo Bilac foi um importante poeta brasileiro, conhecido pela beleza, musicalidade e cuidado com as palavras. Sua poesia apresenta versos marcantes, linguagem expressiva e grande valorização da pátria, da natureza, da infância e da língua portuguesa.

Em muitos de seus poemas, Bilac convida o leitor a observar o mundo com sensibilidade, admiração e respeito.

 Apresentação do caderno de poesias

Preparei um caderno de poesias com textos de Olavo Bilac selecionados para leitura, apreciação e conversa com as crianças. O material pode ser usado em rodas de leitura, aulas de Língua Portuguesa, momentos de poesia, projetos literários ou atividades interdisciplinares.



 Slides com poemas

Os slides foram preparados para facilitar a apresentação dos poemas em sala de aula ou em momentos de leitura compartilhada. Eles podem ser utilizados pelo professor, pela família ou pelo mediador de leitura para tornar a experiência mais visual e atrativa.

Vídeo: O ciclo das estações

A música apresentada nesse vídeo faz uma relação entre os meses e as estações do ano.


Vídeo: Os Meses
Neste vídeo tem a letra  da música Meses. Esse vídeo apresenta os meses do ano.





 Músicas inspiradas nos poemas

Além da leitura dos poemas, também foram criadas músicas inspiradas nos versos de Olavo Bilac. As canções ajudam a aproximar as crianças da poesia por meio da musicalidade, da escuta e da sensibilidade.





 Conversando sobre os poemas

Depois da leitura, conversar com as crianças:

O que o poema nos faz imaginar?

Que sentimentos aparecem nos versos?

Que elementos da natureza são citados?

O poema fala de casa, família, liberdade, trabalho ou amor à pátria?

Qual imagem do poema ficou mais bonita na sua imaginação?

Se esse poema virasse desenho, como ele seria?

Orientação ao professor

Antes de apresentar os poemas às crianças, o professor pode fazer uma breve conversa sobre Olavo Bilac, explicando que ele foi um poeta brasileiro que escreveu versos marcados pela musicalidade, pela beleza das palavras e pelo amor à natureza, à infância, à família e à pátria.

A leitura pode ser feita de forma pausada e expressiva, permitindo que as crianças percebam o ritmo dos versos, imaginem as cenas descritas e compartilhem os sentimentos despertados por cada poema.

 Atividades sugeridas

Leitura em roda

O professor ou mediador pode ler o poema em voz alta, valorizando a entonação, as pausas e a musicalidade dos versos.

POEMAS DE OLAVO BILAC

A Pátria

Olavo Bilac

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

 

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

 

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

Quem com seu suor a fecunda e umedece,

vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!




Para experimentar Octávio, o mestre
Diz: “Já que tudo sabe, venha cá!
Diga em que ponto da extensão terrestre
Ou da extensão celeste Deus está!”

A casa

Olavo Bilac

Vê como as aves têm, debaixo d’asa,

O filho implume, no calor do ninho!...

Deves amar, criança,a  tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!

Dentro da casa em que nasceste és tudo...

Como tudo é feliz, no fim do dia,

Quando voltas das aulas e do estudo!

Volta, quando tu voltas, a alegria!

Aqui deves entrar como num templo,

Com a alma pura, e o coração sem susto:

Aqui recebes da Virtude o exemplo,

Aqui aprendes a ser meigo e justo.

Ama esta casa! Pede a deus que a guarde,

Pede a Deus que a proteja eternamente!

Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,

Te vejas, triste, d’esta casa ausente...

E, já homem, já velho e fatigado,

Te lembrarás da casa que perdeste,

E hás de chorar, lembrando o teu passado...

— Ama, criança, a casa em que nasceste!

 



Salve, sol glorioso ! Ao teu clarão fecundo,

A natureza canta e se extasia o mundo.

Que tristeza, que dó, quando desapareces !

Vens, e a terra estragada e feia reverdeces;

Abres com o teu calor as sebes perfumadas;

Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;

Os ninhos aquecendo, as  gargantas das aves

Dás gorjeios de amor, e harmonias suaves;

E, cintilando sobre os tufos de verdura,

Em cada ramo põe uma fruta madura.

A noite é como a morte; o dia é como a vida.

Ó Sol, quando te vais, a alma vaga perdida ...

Os pensamentos mais são os filhos da treva:

Fogem, quando a brilhar, no horizonte se eleva

O Sol, pai to trabalho, o Sol, pai da alegria ...

Salve, anúncio da Vida, e portador do Dia !

Passem os meses desfilando!

Venha cada um por sua vez!




Não sejas nunca medroso!

Fraco embora, tem coragem!

Para fazer a viagem

Da vida, sem hesitar,

É preciso, de alma forte,

Sem ostentar valentia,

Dominar a covardia,

Para o perigo enfrentar.

O medo é próprio do pérfido,

Do pecador, do malvado:

Quem não se entrega ao pecado

Não receia a punição.

Não tem medo quem caminha

Com a consciência tranqüila,

Quem o inimigo aniquila

Com a força da razão!

Não abuses da bravura;

Não afrontes o inimigo;

Não procures o perigo;

Prega o amor! e prega a paz!

Mas, se isso for impossível,

Não fujas! cai batalhando!

E, se morreres lutando,

Morre! feliz morrerás.



Se a todos os condiscípulos

Te julgas superior,

Esconde o mérito, e cala-te

Sem ostentar teu valor.

Valem mais que a inteligência,

A constância e a aplicação:

Sê modesto! estuda, aplica-te,

E foge da ostentação!

Mais vale o mérito próprio

Sentir, guardar e ocultar:

Porque o verdadeiro mérito

Não gosta de se mostrar.



Este, que, desde a sua mocidade,

Penou, suou, sofreu, cavando a terra,

Foi robusto e valente, e, em outra idade,

Servindo à Pátria, conheceu a guerra.

Combateu, viu a morte, e foi ferido;

E, abandonando a carabina e a espada,

Veio, depois do seu dever cumprido,

Tratar das terras, e empunhar a enxada.

Hoje, a custo somente move os passos...

Tem os cabelos brancos; não tem dentes...

Porém remoça, quando tem nos braços

Os dois netos queridos e inocentes.

Conta-lhes os seus anos de alegria,

Os dias de perigos e de glórias,

As bandeiras voando, a artilharia

Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...

E fica alegre quando vê que os netos,

Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,

Batem palmas, extáticos, e inquietos,

Amando a Pátria sem temer a morte




Salve, lindo pendão da esperança!

Salve, símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul,

A verdura sem par destas matas,

E o esplendor do Cruzeiro do Sul...

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,

Compreendemos o nosso dever:

E o Brasil, por seus filhos amado,

Poderoso e feliz há de ser!

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa nação brasileira,

Nos momentos de festa ou de dor,

Paira sempre, sagrada bandeira,

Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!




Deus ao mundo deu a guerra,

A doença, a morte, as dores;

mas, para alegrar a terra,

Basta haver-lhe dado as flores.

Umas, criadas com arte,

Outras, simples e modestas,

Há flores por toda a parte

Nos enterros e nas festas,

Nos jardins, nos cemitérios,

Nos paúes e nos pomares;

Sobre os jazigos funéreos,

Sobre os berços e os altares,

Reina a flor! pois quis a sorte

Que a flor a tudo presida,

E também enfeite a morte,

Assim como enfeita a vida.

Amai as flores, crianças!

Sois irmãs nos esplendores,

Porque há muitas semelhanças

Entre as crianças e as flores...




Tal como a chuva caída

Fecunda a terra, no estio,

Para fecundar a vida

O trabalho se inventou.

Feliz quem pode, orgulhoso,

Dizer: “Nunca fui vadio:

E, se hoje sou venturoso,

Devo ao trabalho o que sou!”

É preciso, desde a infância,

Ir preparando o futuro;

Para chegar à abundância,

É preciso trabalhar.

Não nasce a planta perfeita,

Não nasce o fruto maduro;

E, para ter a colheita,

É preciso semear...


A Velhice

Olavo Bilac

                   O neto:

Vovó, por que não tem dentes?

Por que anda rezando só.

E treme, como os doentes

Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo?

Por que se apóia a um bordão?

Vovó, porque, como o gelo,

É tão fria a sua mão?

Por que é tão triste o seu rosto?

Tão trêmula a sua voz?

Vovó, qual é seu desgosto?

Por que não ri como nós?

             


Meu neto, que és meu encanto,

Tu acabas de nascer...

E eu, tenho vivido tanto

Que estou farta de viver!

Os anos, que vão passando,

Vão nos matando sem dó:

Só tu consegues, falando,

Dar-me alegria, tu só!

O teu sorriso, criança,

Cai sobre os martírios meus,

Como um clarão de esperança,

Como uma benção de Deus!

Infância

Olavo Bilac

 

O berço em que, adormecido,

Repousa um recém-nascido,

Sob o cortinado e o véu,

Parece que representa,

Para a mamãe que o acalenta,

Um pedacinho do céu.

Que júbilo, quando, um dia,

A criança principia,

Aos tombos, a engatinhar...

Quando, agarrada às cadeiras,

Agita-se horas inteiras

Não sabendo caminhar!

Depois, a andar já começa,

E pelos móveis tropeça,

Quer correr, vacila, cai...

Depois, a boca entreabrindo,

Vai pouco a pouco sorrindo,

Dizendo: mamãe... papai...

Vai crescendo. Forte e bela,

Corre a casa, tagarela,

Tudo escuta, tudo vê...

Fica esperta e inteligente...

E dão-lhe, então, de presente

Uma carta de A.B.C...


Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm...

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos...

Vou correndo sereno e constante:

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século, e passo adiante.

 

Trabalhai, porque  a vida é pequena,

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!     

A Vida

                                    Olavo Bilac

 

Na água do rio que procura o mar;

No mar sem fim; na luz que nos encanta;

Na montanha que aos ares se levanta;

No céu sem raias que deslumbra o olhar;

No astro maior, na mais humilde planta;

Na voz do vento, no clarão solar;

No inseto vil, no tronco secular,

— A vida universal palpita e canta!

Vive até, no seu sono, a pedra bruta...

Tudo vive! E, alta noite, na mudez

De tudo, – essa harmonia que se escuta

Correndo os ares, na amplidão perdida,

Essa música doce, é a voz, talvez,

Da alma de tudo, celebrando a Vida!


Da alma de tudo, celebrando a Vida!

O Universo

Olavo Bilac

(Paráfrase)

                          A Lua:

Sou um pequeno mundo;

Movo-me, rolo e danço

Por este céu profundo;

Por sorte Deus me deu

Mover-me sem descanso,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

A Terra:

Eu sou esse outro mundo;

A lua me acompanha,

Por este céu profundo...

mas é destino meu Rolar, assim tamanha,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Sol:

Eu sou esse outro mundo,

Eu sou o sol ardente!

Dou luz ao céu profundo...

Porém sou um pigmeu,

Que rolo eternamente

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

 O Homem:

Porque, no céu profundo,

Não há-de parar mais

O vosso movimento?

Astros! qual é o mundo,

Em torno ao qual rodais

Por esse firmamento?

Todos os Astros:

Não chega o teu estudo

Ao centro d’isso tudo,

Que escapa aos olhos teus!

O centro d’isso tudo,

Homem vaidoso, é Deus!


Domingo... Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

Todo um dia de ventura...

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

Também, meninos cansados,

Os vossos livros deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorri! Cantai!

Fechem-se as aulas! e o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou...


Ave Maria 

Olavo Bilac

 

Meu filho! termina o dia...

A primeira estrela brilha...

Procura a tua cartilha,

E reza a Ave Maria!

O gado volta aos currais...

O sino canta na igreja...

Pede a Deus que te proteja

E que dê vida a teus pais!

Ave Maria!... Ajoelhado,

Pede a Deus que, generoso,

Te faça justo e bondoso,

Filho bom, e homem honrado;

Que teus pais conserve aqui

Para que possas, um dia,

Pagar-lhes em alegria

O que sofreram por ti.

Reza, e procura o teu leito,

Para adormecer contente;

Dormirás tranqüilamente,

Se disseres satisfeito:

“Hoje, pratiquei o bem:

Não tive um dia vazio,

Trabalhei, não fui vadio,

E não fiz mal a ninguém.”

As formigas

Olavo Bilac

Cautelosas e prudentes,

O caminho atravessando,

As formigas diligentes

Vão andando, vão andando ...

Marcham em filas cerradas;

Não se separam; espiam

De um lado e de outro, assustadas,

E das pedras se desviam.

Entre os calhaus vão abrindo

Caminho estreito e seguro,

Aqui, ladeiras  subindo,

Acolá, galgando um muro.

Esta carrega a migalha;

Outra, com passo discreto,

Leva um pedaço de palha;

Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formiga

Aquilo que achou na estrada;

E nenhuma se fatiga,

Nenhuma para cansada.

Vede! enquanto negligentes

Estão as cigarras cantando,

Vão as formigas prudentes

Trabalhando e armazenando.

Também quando chega o frio,

E todo o fruto consome,

A formiga, que no estio

Trabalha, não sofre fome ...

Recorde-vos todo o dia

Das lições da Natureza:

O trabalho e a economia

São as bases da riqueza

A Avó

A avó, que tem oitenta anos,

Está tão fraca e velhinha!...

Teve tantos desenganos !

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala ...

Entram rindo e papagueiando :

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando ...

A velha acorda sorrindo.

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos doirados.

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita :

“Ó vovó ! conte uma história!

Conte uma história bonita!"

Então, com frases pausadas,

Conta histórias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas ...

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

- Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem ...



A Amelinha está doente,
Chora, tem febre, delira;
Em casa, está toda gente
Aflita, e geme, e suspira.
Chega o médico e a examina.
Tocando a fronte abrasada,
E o pulso da pequenina,
Diz alegre: "Não é nada!
Vou lhe dar uma receita.
Amanhã, o mais tardar,
Já de saúde perfeita
Há de sorrir e brincar."
Vem o remédio. Amelinha
grita, faz manha, esperneia:
"Não quero!"
O pai se avizinha,
Mostrando-lhe a colher cheia:

"Toma o remédio, querida!
Dar-te-hei como recompensa,
uma boneca vestida
De seda e rendas, imensa..."
-"Não quero!"
Chega a titia:
"Amélia é boa, não é?
Se fosse boa, teria
Toda uma arca de Noé..."
-"Não quero!"
Prometem tudo: 
Livros de figuras cheios,
Um vestido de veludo,
Brinquedos, jóias, passeios...
Teima Amelinha. faz manha.
E diz o pai, já com tédio:
-" Menina! você apanha,
Se não toma este remédio!"
E nada! a menina grita,
Sem querer obedecer.
Mas nisto, a mamãe aflita,
Põe-se a gemer e a chorar.
Logo Amelinha, calada,
Mansa, acolher segurando,
Sem já se queixar de nada,
Vai o remédio tomando.
-"Então? mau gosto sentiste?"
Diz o pai... E ela, apressada:
- "Para não ver mamãe triste,
Não sinto mau gosto em nada!"


O Rio

Olavo Bilac



Da mata no seio umbroso,
No verde seio da serra,
Nasce o rio generoso,
Que é a providência da terra.
Nasce humilde, e, pequenino,
Foge ao sol abrasador;
É um fio d’água, tão fino,
Que desliza sem rumor.
Entre as pedras se insinua,
Ganha corpo, abre caminho,
Já canta, já tumultua,
Num alegre burburinho.
Agora o sol, que o prateia,
Todo se entrega, a sorrir;
Avança, as rochas ladeia,
Some-se, torna a surgir.
Recebe outras águas, desce
As encostas de uma em uma,
Engrossa as vagas, e cresce,
Galga os penedos, e espuma.
Agora, indômito e ousado,
Transpõe furnas e grotões,
Vence abismos, despenhado
Em saltos e cachoeirões.
E corre, galopa. cheio
De força; de vaga em vaga,
Chega ao vale, larga o seio,
Cava a terra, o campo alaga...
Expande-se, abre-se, ingente,
Por cem léguas, a cantar,
Até que cai, finalmente,
No seio vasto do mar...
Mas na triunfal majestade
Dessa marcha vitoriosa,
Quanto amor, quanta bondade
Na sua alma generosa!
A cada passo que dava
O nobre rio, feliz
Mais uma árvore criava,
Dando vida a uma raiz.
Quantas dádivas e quantas
Esmolas pelos caminhos!
Matava a sede das plantas
E a sede dos passarinhos...
Fonte de força e fartura,
Foi bem, foi saúde e pão:
Dava às cidades frescura,
Fecundidade ao sertão...
E um nobre exemplo sadio
Nas suas águas se encerra;
Devemos ser como o rio,
Que é providência da terra:
Bendito aquele que é forte,
E desconhece o rancor,
E, em vez de servir a morte,

Ama a Vida, e serve o Amor


Um velho soldado
Um dia por terra
A espada atirou;
Da guerra cansado,
Com nojo da guerra.
As armas quebrou.
Entre elas estava
Trombeta esquecida:
Era ela que no ar
Os toques soltava,
E à luta renhida
Tocava a avançar.
E disse: “Meu dono,
É justo que a espada
Tu quebres assim!
Mas que, no abandono,
Fique eu sossegada!
Não quebres a mim!
Cantei tão somente...
Não sejas ingrato
Comigo também!
Eu sou inocente:
Não piso, não mato,
Não firo a ninguém...
Nas horas da luta
Alegre ficavas,
Ouvindo o meu som.
Atende-me! escuta!
Se então me estimavas,
Agora sê bom!”
E  o velho guerreiro
Lhe disse: “Maldita!
Prepara-te! sús!
Teu som zombeteiro
As gentes excita,
À guerra conduz!”
Terrível, irado,
Jogou-a por terra,
Sem dó a quebrou...
E o velho soldado,
Cansado da guerra
Por fim repousou.

A  BONECA
     Olavo Bilac


Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: “É minha!”
—  “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca…

Podcast sobre Olavo Bilac e seus poemas



Desenho poético

Após a leitura, as crianças podem desenhar a cena que imaginaram. Essa atividade combina literatura e arte, permitindo que cada criança expresse sua interpretação.

Poema musicado

Depois de ouvir a música inspirada no poema, as crianças podem conversar sobre as diferenças entre ler e ouvir o texto cantado.

Mural da poesia

A turma pode criar um mural com desenhos, frases dos poemas, palavras bonitas e pequenos comentários sobre o que sentiram durante a leitura.

Reescrita criativa


As crianças podem criar pequenos versos inspirados nos temas de Bilac: o sol, as flores, a casa, a mãe, os pássaros, o tempo, a natureza ou o lugar onde vivem.

Possibilidades pedagógicas

Este material pode ser utilizado em projetos de leitura, semanas literárias, rodas de poesia, atividades sobre literatura brasileira, trabalhos sobre natureza, família, pátria, tempo e valores humanos.

A proposta dialoga com Língua Portuguesa, Arte, História, Geografia e Educação Musical, pois envolve leitura, interpretação, oralidade, escuta, criação artística e valorização da cultura literária brasileira.

Para pensar

A poesia de Olavo Bilac nos convida a olhar o mundo com mais cuidado. Seus versos mostram que a beleza pode estar nas coisas simples: no sol, nas flores, na casa, no carinho da família, no trabalho, na liberdade dos pássaros e no tempo que passa.

Ler poesia com as crianças é abrir uma janela para a imaginação, para a sensibilidade e para o encantamento.

Materiais disponíveis nesta postagem

Caderno de poesias – Olavo Bilac: https://www.youtube.com/watch?v=890hcQhC_cM

Slides com poemas de Olavo Bilac: https://www.youtube.com/watch?v=z_R-Zm3b1Rk

https://www.youtube.com/watch?v=z_JCgOqZxJs

Músicas inspiradas nos poemas: https://www.youtube.com/watch?v=44bVIEB8hhg

https://www.youtube.com/watch?v=4C_l675yKCU


Créditos

Poemas: Olavo Bilac

Organização, seleção, atividades e materiais pedagógicos: Maria Aparecida de Almeida

Blog: Encantos da infância: poesias e músicas infantis

Observação: As músicas foram criadas como releituras poéticas inspiradas nos poemas de Olavo Bilac, com finalidade educativa e cultural.

Conclusão

Olavo Bilac continua encantando leitores de diferentes gerações. Sua poesia, cheia de imagens, musicalidade e sentimentos, pode tocar também o coração das crianças quando apresentada de forma leve, criativa e afetuosa.

Com o caderno de poesias, os slides e as músicas inspiradas nos poemas, esta postagem busca valorizar a literatura brasileira e mostrar que a poesia pode ser lida, ouvida, cantada, desenhada e sentida.

Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Maria Aparecida de Almeida


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