Menino da Lua
Marilene Godinho
Menino da lua,
menino da noite
você me acordou
para um sentimento
tão grande,
tão forte.
Doçura batendo
na corda do coração,
sem nome
sem explicação.
Não era amor
porque amor é coisa
de gente grande.
Não era amizade
porque amizade
não tem beijinho doce
nem aquele olhar
de indagação.
O que será , então?
Na escolinha
do povoado
aconteceu
a gente
se conheceu.
Descoberta
na certa.
vizinhos
de carteira
de terra
de serra.
No meio de arvoredo
com medo
a gente se via
e ouvia
a passarada.
Você era calado,
desconfiado,
mas sempre um dia
acontece
alegria.
Você escreveu
no tronco
da árvore
meu nome
junto ao seu.
Você me trazia
as flores que comia
no mato,
coroava-me
rainha da roça,
rainha de um mundo
no fundo
nós.
Você me ensinou
olhar a lua,
sentir poesia
na noite fria.
Com você aprendi
que lua derrama prata,
serena estrelas,
passeia no céu.
Lua é
Vela da noite,
fada- madrinha
que nos atende,
nós compreende.
Escuta os pedidos loucos,
os segredos toscos,
a voz do coração.
Quando o riacho
refletia a lua,
uma era minha,
outra era sua.
Que tempo- ternura
batia
no peito.
Eu era feliz
pra lua nenhuma
botar defeito.
Depois,
a distância
a cidade,
o adeus.
Nunca mais
o menino da lua.
Só lua sem menino.
A lágrima
embaçava a vista
ao olhar o céu
A lua
toda torta
nos olhos molhados
derramando-se
rosto abaixo.
Olhava a lua,
pedia
que me trouxesse o menino
no clarão.
E contava os segredos
e abria o coração.
Ela não trazia.
Eu não insistia
em tom choroso:
me leva, lua,
ao menino mentiroso.
Menino da lua,
em alguma rua
você está.
Ah! Que saudade!
A lua não me escuta
mas lembrança me vê.
Ah!Que saudade de mim
quando eu tinha você.
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