A Seca
O sol queimava forte a terra ressequida.
O vento balançava os ramos vez em quando.
O solo se partia suplicando vida,
a passarada inquieta esvoaçava em brando.
O campo, outrora verde, já amarelecia,
O gado vislumbrava lentamente a morte.
O rio, estrada seca, já não mais corria,
boiada que restava, magra, ia pro corte.
Morria o arroz, o milho, até o feijão morria,
o sino da capela do arraial chorava,
mamãe rezando o terço, em pranto, noite e dia,
meu pai estava triste, mas não reclamava.
Carro de boi parado, engenho não rodava,
monjolo emudecido sem roer fubá.
Se não chovesse, logo , o adeus nos acenava,
pensei: a dor como esta de partir não há.
Pra contemplar de frente e bem o longo estio,
era subir, à noite, o alto da colina.
Fazia pena ver todo curral vazio,
a casa iluminada à luz de lamparina.
Os dias eram longos e jogavam malha
pra conceder ao tempo, o tempo de passar,
de resto Belarmindo , estórias pra contar.
A seca.Agonizava lento o meu sertão.
A chuva se escondendo dali o ano inteiro.
O povo se ajuntou com fé em procissão
levando pedras, preces, ao pé do cruzeiro.
O céu ficou escuro, imensidão escura,
relâmpagos no ar. Ouvi vento e trovão.
A chuva-bem de Deus! caia com fartura,
meu pai, na tempestade, ajoelhou no chão!
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