sábado, 21 de dezembro de 2013

A seca- Marilene Godinho



                       A   Seca

          O sol queimava forte a terra ressequida.
          O vento balançava os ramos vez em quando.
          O solo se partia suplicando vida,
          a passarada inquieta esvoaçava em brando.

          O campo, outrora verde, já amarelecia,
          O gado vislumbrava lentamente a morte.
          O rio, estrada seca, já não mais corria,
          boiada que restava, magra, ia pro corte.

          Morria o arroz, o milho, até o feijão morria,
          o sino da capela do arraial chorava,
          mamãe rezando o terço, em pranto, noite e dia,
          meu pai estava triste, mas não reclamava.
  
          Carro de boi parado, engenho não rodava,
          monjolo emudecido sem roer fubá.
          Se não chovesse, logo , o adeus nos acenava,
          pensei: a dor como esta de partir não há.



          Pra contemplar de frente e bem o longo estio,
          era subir, à noite, o alto da colina.
          Fazia pena ver todo curral vazio,
          a casa iluminada à luz de lamparina.

          Os dias eram longos e jogavam malha
          pra conceder ao tempo, o tempo de passar,
          de resto Belarmindo , estórias pra contar.

          A seca.Agonizava lento o meu sertão.
          A chuva se escondendo dali o ano inteiro.
          O povo se ajuntou com fé em procissão
          levando pedras, preces, ao pé do cruzeiro.

          O céu ficou escuro, imensidão escura,
          relâmpagos no ar. Ouvi vento e trovão.
          A chuva-bem de Deus! caia com fartura,
          meu pai, na tempestade, ajoelhou no chão!
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A terra em que nasceste

  Introdução O poema “Pátria” , de Olavo Bilac , convida a criança a olhar com amor, orgulho e admiração para a terra em que nasceu. Em ver...