quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Na rua do sabão- Manuel Bandeira


                                Na  Rua do Sabão
                                 Manuel Bandeira

          Cai cai balão
          Cai cai balão
          Na rua do Sabão!

          O que custou arranjar aquele balãozinho de 
papel!
          Quem fez foi o filho da lavadeira.
          Um que trabalha na composição do jornal tosse muito.
          Comprou o papel de seda, cortou- o com 
amor,compôs os gomos oblongos...
          Depois ajustou o morrão de pez ao bocal de
arame.
          Ei-lo agora que sobe- pequena coisa tocante
na escuridão do céu.

          Levou tempo para criar fôlego.
          Bambeava, tremia todo e mudava de cor.
          A molecada da rua do sabão
          Gritava com maldade:
          Cai cai balão!
          Subitamente , porém , entesou, enfunou-se  e
arrancou das mãos que tenteavam.

          E foi subindo...
          para longe...
          Serenamente...
          Como se o enchesse o soprinho tísico do José.

          Cai cai balão!

          A molecada salteou-o
          com atiradeiras assobios apupos pedradas

          Cai cai balão!

          Um senhor advertiu que os balões são proibidos pelas posturas municipais.
          Ele foi subindo...muito serenamente...para
muito longe...

          Não caiu na rua do Sabão.
          Caiu muito longe... caiu no mar-nas águas
puras do mar alto.


   

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