domingo, 27 de julho de 2014

O vaga- lume- Fagundes Varela

O Vaga -lume

–
(Cantiga)
—
Fagundes Varela
—-
Quem és tu, pobre vivente,
Que vagas triste e sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?
—-
A noite é negra;  raivosos
Os ventos correm do sul;
Não temes que eles te apaguem
A tua lanterna azul?
—
Quando tu passas, o lago
De estranhos fogos esplende,
Dobra-se a clícia amorosa,
E a fronte mimosa pende.
—
As folhas brilham, lustrosas,
Como espelhos de esmeralda;
Fulge o iris nas torrentes
Da serrania na fralda.
—-
O grilo salta das sarças;
Piam aves nos palmares;
Começa o baile dos silfos
No seio dos nenufares.
—
A tribo das mariposas,
Das mariposas azuis,
Segue teus giros no espaço,
Mimosa gota de luz!
—
São elas flores sem  haste;
Tu és estrela sem céu;
Procuram elas as chamas;
Tu amas da sombra o véu!
—
Quem és tu, pobre vivente,
Que vagueias tão sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?

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