quinta-feira, 2 de maio de 2013

Indivisíveis- Mário Quintana


                                                                 Indivisíveis
                                      Mário Quintana

          O meu primeiro amor sentávamos numa pedra
          Que havia num terreno baldio entre as nossas
casas.
          Falávamos de coisas bobas,
          Isto é, que a gente grande achava bobas
          Como qualquer troca de confidências entre
crianças de cinco anos.

          Crianças...
          Parecia que entre um e outro nem havia ainda
          separação de sexos
          A não ser o azul imenso dos olhos dela,
          Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
          Nem no cachorro e no gato da casa,
          Que apenas tinham a mesma fidelidade sem
compromisso.
          E a mesma animal- ou celestial - inocência ,
          Porque o azul dos olhos dela tornava mais
azul o céu:
          Não, não importava as coisas bobas que dis-
séssemos.
          Éramos um desejo de estar perto, tão perto
          Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
          Mas um único amor sentado sobre uma tosca
pedra.
          Enquanto a gente grande passava, caçoava,    
ria- se, não sabia
          Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...       

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