Bica
Marilene Godinho
A Bica sempre cantando .
Fico de cá espiando
enxurrada dia inteiro.
Seu ciciar é cantiga
meio triste, dolorida,
entornando no terreiro.
Corre, bica, sem cessar.
Não ha jeito de parar,
Lava rosto, mata a sede,
eu vejo a minha rede
a água beijar o chão.
Acordo de madrugada,
já tão quieta a passarada,
borboletas a sonhar.
O sossego me acalanta.
é noite inteira a chorar.
Pra que fechar esta bica?
Se a terra aqui é tão rica?
Se a água aqui vai e vem?
A fonte brota na terra,
na mina do pé da serra,
quanto mais tira, mais tem.
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