A borboleta
Trazendo
uma borboleta,
Volta
Alfredo para casa.
Como
é linda! é toda preta,
Com
listas douradas na asa.
Tonta,
nas mãos de criança,
Batendo
as asas, num susto,
Quer
fugir, porfia, cansa,
E
treme, e respira a custo.
Contente,
o menino grita:
“É
a primeira que apanho,
Mamãe!vê
como é bonita!
Que
cores e que tamanho!
Como
voava no mato!
Vou
sem demora pregá-la
Por
baixo do meu retrato,
Numa
parede da sala.”
Mas
a mamãe, com carinho,
Lhe
diz: “Que mal te fazia,
Meu
filho, esse animazinho,
Que
livre e alegre vivia?
Solta
essa pobre coitada!
Larga-lhe
as asas, Alfredo!
Vê
como treme assustada...
Vê
como treme de medo...
Para
sem pena espetá-la
Numa
parede, menino,
É
necessário matá-la:
Queres
ser um assassino?”
Pensa
Alfredo... E, de repente,
Solta
a borboleta... E ela
Abre
as asas livremente,
E
foge pela janela.
“Assim,
meu filho! perdeste
A
borboleta dourada,
Porém
na estima crescente
De
tua mãe adorada...
Que
cada um cumpra a sorte
Das
mãos de Deus recebida:
Pois
só pode dar a Morte
Aquele
que dá a Vida.”
|
Poesia e música tornam a infância mais criativa e feliz. Este blog reúne canções e poemas para a educação infantil e os anos iniciais, com sugestões de autores reconhecidos.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A borboleta- Olavo Bilac
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