Quem és tu, pobre vivente,
Que passas triste sozinho,
Trazendo os raios da estrela
E as asas do passarinho?
.
A noite é negra, raivosos
Os ventos sopram do sul;
Não temes, doido que apaguem
A tua lanterna azul?
.
Quando apareces o lago
De estranhas luzes fulgura;
Os mochos voam medrosos,
Buscando a floresta escura.
.
As folhas brilham, refletem,
Como espelhos de esmeralda:
Fulge o iris nas torrentes
Da serrania na fralda.
.
O grilo salta das sarças,
Pulam gênios nos palmares,
Começa o baile dos silfos,
no seio dos nenufares.
.
A tribo das borboletas,
Das borboletas azuis,
Segue teus giros no espaço,
Mimosa gota de luz.
.
São elas flores sem haste,
Tu és estrela sem céu;
Procuram elas as chamas,
Tu amas da noite o véu.
.
Onde vais, pobre vivente,
Onde vais triste, mesquinho,
Levando os raios da estrela
Nas asas do passarinho?
.
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