terça-feira, 28 de abril de 2026

Canção para álbum de moça- Carlos Drummond de Andrade


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Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ela nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia.
Bom-dia sempre: se acaso
a resposta vier fria ou tarde vier,
contudo esperarei o bom-dia.
E sobre casas compactas
sobre o vale e a serrania
irei repetindo manso
a qualquer hora: bom dia.
Nem a moça põe reparo
não sente, não desconfia
o que há de carinho preso
no cerne deste bom-dia.
Bom dia: repito à tarde
à meia-noite: bom dia.
E de madrugada vou
pintando a cor de meu dia
que a moça possa encontrá-lo
azul e rosa: bom dia.
Bom dia: apenas um eco na mata
(mas quem diria)
decifra minha mensagem,
deseja bom o meu dia.
A moça, sorrindo ao longe
não sente, nessa alegria,
o que há de rude também
no clarão deste bom-dia.
De triste, túrbido, inquieto,
noite que se denuncia
e vai errante, sem fogos,
na mais louca nostalgia.
Ah, se um dia respondesses
Ao meu bom-dia: bom dia!
Como a noite se mudara
no mais cristalino dia!

🌼 O que o poema discute

Neste poema, Carlos Drummond de Andrade transforma uma saudação simples em uma expressão profunda de sentimento.

O “bom dia” deixa de ser apenas cumprimento e passa a representar:

  • desejo de aproximação
  • carinho silencioso
  • esperança de ser correspondido
Vídeo e podcast sobre o poema:




🎥 Sobre o vídeo

O vídeo do poema Canção para álbum de moça, de Carlos Drummond de Andrade, apresenta de forma sensível a repetição do “bom dia” como um gesto carregado de significado.

Ao longo da leitura, é possível perceber a delicadeza do eu lírico ao tentar se aproximar da moça, mesmo diante do silêncio e da distância. A entonação e o ritmo ajudam a destacar a musicalidade do poema, reforçando a ideia de insistência, carinho e espera.

O vídeo convida o espectador a refletir sobre os sentimentos que podem estar escondidos em palavras simples do cotidiano, valorizando a sensibilidade e a profundidade da linguagem poética.


🎧 Sobre o podcast

O podcast apresenta uma leitura expressiva do poema Canção para álbum de moça, explorando sua musicalidade e sua carga emocional.

A repetição da expressão “bom dia” ganha força ao longo da narração, revelando um sentimento persistente de afeto e expectativa. A ausência de resposta da moça evidencia um contraste entre o desejo de aproximação e a distância emocional.

Ao final, o podcast conduz o ouvinte à reflexão sobre como pequenos gestos podem carregar grandes significados, destacando o poder da palavra, do silêncio e da sensibilidade humana.



🌫️ A distância que dói

A moça está distante — não apenas fisicamente, mas emocionalmente.
Ela sorri, mas não responde.

Esse detalhe constrói um cenário de:

  • afeto não correspondido
  • solidão delicada
  • espera persistente

🎨 A poesia do cotidiano

Drummond trabalha com imagens suaves:

  • “vale e serrania”
  • “eco na mata”
  • “azul e rosa”

Essas imagens mostram como o sentimento do eu lírico se espalha pelo mundo, tornando o simples “bom dia” algo poético e quase mágico.


⚖️ Entre carinho e dor

O poema revela uma dualidade:

  • há ternura no gesto
  • mas também frustração e dor

O “bom dia” carrega, ao mesmo tempo:
👉 amor
👉 silêncio
👉 ausência de resposta


🌙 O desejo de reciprocidade

No final, tudo se concentra em um desejo simples:

ser respondido.

Se isso acontecesse, tudo mudaria:

  • a noite viraria dia
  • a tristeza se transformaria em luz

💛 Para refletir

Um gesto pequeno pode carregar grandes sentimentos.

Às vezes, um simples “bom dia” é:

  • um pedido de atenção
  • uma forma de carinho
  • uma tentativa de conexão

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Canção para álbum de moça

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Canção para álbum de moça.docx



✍️ Assinatura

Encanto da infância: poesias e músicas infantis
Maria Aparecida de Almeida

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