sábado, 11 de abril de 2026

O relógio- Carlos Drummond de Andrade



          Nenhum igual àquele,
          a hora na parede da sala  é calma,
          a hora na incidência da luz é silenciosa.

          Mas a hora no relógio da Matriz é grave
          como a consciência.

          E repete.Repete.

          Impossível dormir, se não escuto.
          Fico acordado, sem sua batida.
          Existir, se ela emudece.

          Cada hora é fixada no ar, na alma,
          continua soando surdez.
          Onde não há mais ninguém, ela chega e avisa.
          varando o pedregal da noite.

          Som para ser ouvido no longilonge
          do tempo da vida.
          Imenso
          no pulso
          este relógio vai comigo.

          

💭 O que o poema discute?

O poema fala sobre o tempo e a forma como ele é sentido de maneira profunda e interior. Não se trata apenas do tempo marcado pelos relógios, mas de um tempo que ecoa na consciência e na existência. O “relógio da Matriz” aparece como algo mais solene e intenso, quase como uma voz interior que não pode ser ignorada. O poema mostra que o tempo não é apenas medido — ele é vivido, sentido e, muitas vezes, inquietante.


🌿 Leitura sensível

É um poema que transmite silêncio e, ao mesmo tempo, inquietação. A repetição do som do relógio cria uma sensação de presença constante, como se o tempo estivesse sempre chamando, sempre lembrando algo. Há uma solidão nesse cenário, mas também uma consciência profunda da vida passando. No final, o tempo deixa de estar fora e passa a acompanhar o próprio sujeito — como um pulso que nunca se interrompe.


✨ Destaque do poema

“Imenso
no pulso
este relógio vai comigo.”


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2 comentários:

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