Introdução
Junho chega trazendo cores, sons, sabores e lembranças. As bandeirinhas enfeitam o céu, a fogueira ilumina a noite, a sanfona chama para a dança e a poesia encontra um lugar especial no coração das crianças.
A Festa Junina é uma das festas mais queridas do Brasil. Ela aparece nas escolas, nas famílias, nas comunidades e nas memórias de quem já viveu uma noite de arraial, com quadrilha, comidas típicas, roupas coloridas, música e muita alegria.
Nesta postagem, reunimos poesias e músicas que celebram esse universo encantador. São textos que falam de fogueira, balão, quadrilha, São João, Santo Antônio, São Pedro, vestidos de chita, chapéus de palha, recordações e amores nascidos ao som da sanfona.
O caderno traz poemas como “Festa Junina”, de Nadir A. D’Onofrio, “Recordando São João”, de Raquel Caminha, “Festa dus Intêriô”, de Marcial Salaverry, “São João”, de Augusta Schimidt, além de letras de músicas tradicionais de Festa Junina, como “Capelinha de Melão”, “Pedro, Antônio e João”, “Pula a Fogueira”, “Sonho de Papel”, “Cai, Cai, Balão”, “Isto é Lá com Santo Antônio”, “Noites de Junho” e “Olha Pro Céu Meu Amor”.
Nesta postagem, além das poesias e músicas tradicionais, também trago uma música de minha autoria criada especialmente para celebrar esse clima de arraial: “Balancê Balanceado”.
Essa música chega para completar a proposta, trazendo o ritmo da quadrilha, a alegria da dança e o convite para entrar na festa com o coração cheio de entusiasmo.
A poesia no clima da Festa Junina
A poesia junina tem cheiro de milho assado, som de sanfona e brilho de fogueira. Ela guarda a alegria das festas populares e transforma em versos aquilo que muitas pessoas já viveram: a ansiedade pelo arraial, a roupa preparada com carinho, a dança da quadrilha, a música tocando, as brincadeiras e os encontros.
Nos poemas de Festa Junina, a infância aparece misturada à memória. A criança observa o colorido das bandeirinhas, o movimento da festa, os casais dançando, os fogos no céu e a beleza de uma noite cheia de tradição.
Esses textos também mostram como a Festa Junina é feita de pequenos encantos: uma fogueira acesa, um vestido rodado, uma música conhecida, um olhar ao redor da festa, uma lembrança que fica guardada para sempre.
POEMAS DE FESTA JUNINA:
Hoje tem festa no arraial!
Vestido de chita, todo enfeitado,
Fogueira dança e balão!
Tem noivos, padre e padrinho...
Quadrilha, pipoca e quentão...
E, lá se vai a moçada,
Tentar a sorte grande...
Quem sabe, arranje um Antonio,
Pedro ou João, p’ra realizar o casório...
Na fazenda do Bento
Até ao final de Dezembro...
Bolo de fubá, amendoim e pinhão,
Eitaa....gente... haja quentão!
Rojões explodindo,
Corre pessoal...olha o buscapé!
Nhô Zé...só alimentava a fogueira...
Nessa dança gostosa
Me encanto com o moreno
Escapamos da quadrilha
P’ra namorar escondido
Atrás do enorme Bambuzal...
Abençoado Bambuzal!
Que serviu de cortina
Acobertou nosso amor acontecer...
Agora, com essa enorme barriga
Só, esperando o Tiãozinho nascer...
Vai ser, um macho bonito!
Peão dos bons...
Pele queimada olhos, cor de avelã!
Malandro...
Parecido com o pai!
Quanta recordação!
Eu menina de trança,
vestido rodado
bordadinho com balões.
Ficava ansiosa quando se
aproximava junho
para brincar o São João.
A fogueira queimando,
fogos pelo ar, vejo um belo
rapaz ao redor da fogueira
a me olhar.
O céu todo estrelado, a música a tocar...
samba, xote e baião,
pulamos de mãos dadas,
a recordar os anteriores São João.
Lembro daquela faísca, que bateu em
meu rosto, pulei de desgosto,
mas foi ela que fez acender,
o nosso amor até hoje.
Nóis qué convidá oceis
prum rastapé qui vai contecê
nu fim du meis...
vai de um tudo aqui tê...
tem muié bunita como quê....
também vai tê tudo di bão prá cumê...
todos vão se adeverti, cê vai vê...
tem churrasco, qui é prá mode
u bucho enchê...
e pinga da boa prá tudo nóis bebê...
adispois veim u sanfonero prá tocá...
prá mode nóis dançá...
as muié nóis pode garrá...
só num pode singraçá...
carece di respeitá...
pruque si fizé farseta...
vacilô... vai casá...
Intão tá tudu convidadu... podi si achegá...
Festa caipira num teim hora di começá...
e meno inda di cabá...
vai durando inquanto nóis guentá...
nóis gosta di vivê, di comê, di bebê, i di dançá...
vamu si achegando moçada...
qui as moça tá tudu arrupiada...
vai entrá sortera, i saí casada...
adispois, é só cuidá da fiarada..
Lua cheia iluminando o céu
Fogueira ardendo na terra
Corações entrelaçados
Abraços apertados
No arrasta pé da paixão
Era noite de São João.
Damas vestidas de chita
Cavalheiros com chapéu na mão
A quadrilha marcava a festa
Como manda a tradição
E ao som da velha sanfona
Que não parava de tocar
Trocavam juras de amor
Esperando o sol raiar.
Tem festança lá no arraial
com bandeirinha colorida.
E uma variedade de comidas.
Quadrilhas se apresentando.
Todos juntos cantando.
A fogueira todos rodeando
o crepitar de lenha vibrando.
Nesta mês tem dia de
Stº Antônio,stºJoão. stºPedro
Stº Paulo um fascínio
imaginem até barraquinha
de beijo tem
E não se vá de cobrar
nenhum vintém
Com muita música típica e animada.
Levantando a moçada.
As moças rodando as saias de babados.
Os moços o barulho com o sapatos.
A criançada espera o casamento.
Que este ano é de noivo sargento
sua noiva é filha do velho rabugento.
Que ansioso espera pelo momento.
Afinal a festa ainda estar só no começo.
Ainda vai ter muita festa, reconheço.
Vale a pena ficar, deixando contagiar.
Em todos á alegria vibrar até o sol raiar.
O que os poemas dizem?
Os poemas reunidos neste caderno mostram que a Festa Junina é mais do que uma comemoração. Ela é encontro, memória, alegria, tradição e cultura popular.
Em alguns textos, a festa aparece como um momento de diversão, com quadrilha, comidas típicas, fogueira, rojões, vestidos de chita e muita animação. Em outros, aparece como lembrança afetiva, trazendo de volta a infância, os vestidos rodados, o brilho da fogueira e a emoção de uma noite especial.
Há também poemas que brincam com a linguagem do interior, aproximando a escrita da fala popular e criando um clima caipira cheio de humor, ritmo e musicalidade. Essa forma de escrever ajuda o leitor a imaginar a voz das pessoas no arraial, como se estivesse ouvindo a festa acontecer.
O que os poemas nos fazem sentir?
Esses poemas nos fazem sentir alegria, saudade, encanto e vontade de participar da festa.
Eles despertam lembranças de escola, de família, de comunidade, de danças, músicas e comidas típicas. Também nos fazem perceber como uma festa popular pode carregar muitos sentimentos: alegria de estar junto, saudade de outros tempos, emoção diante das tradições e carinho pelas memórias da infância.
A leitura desses textos convida a criança a imaginar o arraial, ouvir a sanfona, ver as bandeirinhas balançando e sentir o calor simbólico da fogueira iluminando a noite.
Conversando sobre os poemas
Depois da leitura, vale conversar com as crianças:
Qual poema mais combinou com a Festa Junina?
Que palavras lembram o arraial?
Que imagem veio à sua cabeça durante a leitura?
O poema fala mais de alegria, saudade, brincadeira ou tradição?
Você já participou de uma Festa Junina parecida com as que aparecem nos poemas?
Qual música junina você conhece?
Que comida típica você mais gosta?
Essas perguntas ajudam a aproximar a poesia da vida das crianças, mostrando que os poemas não estão distantes do cotidiano. Eles podem falar de festas, lembranças, brincadeiras e momentos que fazem parte da nossa história.
As músicas de Festa Junina
Além das poesias, o caderno também reúne letras de músicas tradicionais que fazem parte do repertório junino brasileiro.
Canções como “Capelinha de Melão”, “Pula a Fogueira”, “Cai, Cai, Balão” e “Olha Pro Céu Meu Amor” atravessam gerações e continuam presentes nas festas escolares e comunitárias. Muitas crianças aprendem essas músicas na escola, cantam nas apresentações e acabam levando essas melodias para a memória afetiva.
As músicas juninas ajudam a dar ritmo à festa. Elas convidam para cantar, dançar, brincar e celebrar. Por isso, combinam tão bem com a poesia: ambas usam som, ritmo, imagem e emoção.
Letras de Músicas de Festa Junina
Capelinha de melão
é de São João.
É de cravo, é de rosa, é de manjericão.
São João está dormindo,
não me ouve não.
Acordai, acordai, acordai, João.
Atirei rosas pelo caminho.
A ventania veio e levou.
Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor.
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Com a filha de João
Antônio ia se casar,
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar.
A fogueira está queimando,
o balão está subindo,
Antônio estava chorando
e Pedro estava fugindo.
E no fim dessa história,
ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio,
que caiu na bebedeira.
Venha cá, meu balãozinho.
Diga aonde você vai.
Vou subindo, vou pra longe, vou pra casa dos meus pais.
Ah, ah, ah, mas que bobagem.
Nunca vi balão ter pai.
Fique quieto neste canto, e daí você não sai.
Toda mata pega fogo.
Passarinhos vão morrer.
Se cair em nossas matas, o que pode acontecer.
Já estou arrependido.
Quanto mal faz um balão.
Ficarei bem quietinho, amarrado num cordão.
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O balão vai subindo, vem caindo a garoa.
O céu é tão lindo e a noite é tão boa.
São João, São João!
Acende a fogueira no meu coração.
Sonho de papel a girar na escuridão
soltei em seu louvor no sonho multicor.
Oh! Meu São João.
Meu balão azul foi subindo devagar
O vento que soprou meu sonho carregou.
Nem vai mais voltar.
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PULA A FOGUEIRA
autor: João B. Filho
Pula a fogueira Iaiá,
pula a fogueira Ioiô.
Cuidado para não se queimar.
Olha que a fogueira já queimou o meu amor.
Nesta noite de festança
todos caem na dança
alegrando o coração.
Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça
em louvor a São João.
Nesta noite de folguedo
todos brincam sem medo
a soltar seu pistolão.
Morena flor do sertão, quero saber se tu és
dona do meu coração.
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Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
São João disse que não!
São João disse que não!
Isto é lá com Santo Antônio!
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho num sorriso:
Minha gente, eu sou chaveiro!
Nunca fui casamenteiro!
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio
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Noite fria, tão fria de junho
Os balões para o céu vão subindo
Entre as nuvens aos poucos sumindo
Envoltos num tênue véu
Os balões devem ser com certeza
As estrelas aqui desse mundo
As estrelas do espaço profundo
São os balões lá do céu
Balão do meu sonho dourado
Subiste enfeitado, cheinho de luz
Depois as crianças tascaram
Rasgaram teu bojo de listas azuis
E tu que invejando as estrelas
Sonhavas ao vê-las ser astro no céu
Hoje, balão apagado, acabas rasgado
Em trapos ao léu.
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Olha pro céu meu amor
Veja como ele está lindo
Olha pra'quele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Foi numa noite
Igual a esta
Que tu me deste
O teu coração
O céu estava
Todinho em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
Que incendiou meu coração
Atenção sobre os balões
Algumas músicas antigas falam de balões, pois eles fazem parte da memória das festas juninas de outros tempos. Hoje, porém, é importante lembrar que soltar balões é perigoso e proibido, porque pode causar incêndios, acidentes e destruição da natureza.
Por isso, ao cantar ou ler músicas que citam balões, podemos explicar às crianças que o balão deve ficar apenas na poesia, na música, nos desenhos e na imaginação.
Sugestão para leitura com as crianças
A leitura dos poemas pode ser feita em voz alta, com calma e expressividade. Primeiro, o adulto pode ler para apresentar o texto. Depois, as crianças podem escolher versos para repetir, declamar ou ilustrar.
Também é possível organizar uma pequena roda de poesia junina. Cada criança escolhe um poema, uma música ou uma quadrinha para apresentar. O momento pode ser simples, bonito e cheio de encanto.
Ideias para trabalhar a postagem
As crianças podem desenhar a cena que imaginaram ao ouvir o poema.
Podem criar uma quadrinha sobre Festa Junina.
Podem escolher palavras juninas e montar um mural poético.
Podem declamar versos em uma roda de leitura.
Podem cantar uma música tradicional e conversar sobre o que ela diz.
Podem criar bandeirinhas com palavras como alegria, tradição, poesia, fogueira, sanfona, arraial, infância e São João.
Para pensar
A Festa Junina ensina que a cultura popular vive nas músicas, nos poemas, nas danças, nas comidas, nas roupas, nas brincadeiras e nas lembranças.
Quando uma criança lê um poema sobre Festa Junina, ela não está apenas lendo palavras. Ela está entrando em um mundo de cores, sons, gestos e memórias.
A poesia ajuda a guardar esse mundo.
Caderno de poesias
Preparei este caderno com poesias e músicas de Festa Junina para celebrar a beleza dessa tradição tão presente em nossas escolas e comunidades. Que cada poema seja um convite para ler, cantar, recordar e viver o encanto do arraial.
Podcast sobre festa junina
A Festa Junina é uma das festas mais queridas do Brasil. Ela
reúne cultura, memória, música, dança, poesia e muita alegria. É uma festa que
passa de geração em geração, entrando na infância de muitas pessoas como uma
lembrança bonita e cheia de encanto. Esse podcast fala sobre isso.
Créditos
As poesias e músicas reunidas neste material pertencem aos seus respectivos autores e compositores. A postagem tem finalidade cultural, educativa e literária, valorizando a leitura, a música, a infância e as tradições populares brasileiras.
Conclusão
As poesias de Festa Junina nos mostram que o arraial também pode ser lugar de leitura, imaginação e encantamento.
Entre bandeirinhas, fogueiras simbólicas, sanfonas, vestidos coloridos, chapéus de palha e noites estreladas, a poesia encontra espaço para celebrar a alegria do povo, a memória da infância e a beleza da cultura popular.
Que essas poesias possam alegrar as crianças, inspirar professores e encantar todos aqueles que guardam no coração uma lembrança bonita de São João.
Encantos da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida
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