sexta-feira, 26 de junho de 2026

Carlos Drummond de Andrade: poesia, infância, memória e encantamento

 


 Introdução

A poesia de Carlos Drummond de Andrade atravessa gerações e continua despertando sentimentos, lembranças e reflexões.

Em seus versos, situações simples do cotidiano transformam-se em poesia: uma rua que muda, uma cidade tranquila, uma mulinha que leva leite, uma palavra misteriosa, um “bom dia” ou uma lembrança familiar.

Ao longo dos anos, o blog Encantos da Infância: poesias e músicas infantis publicou diversos poemas do autor, acompanhados de reflexões, atividades, vídeos, podcasts e materiais para leitura.

Nesta homenagem especial, reunimos parte desse acervo em uma experiência literária e audiovisual, com caderno de poesias, vídeos, podcasts, apresentação, música e uma narração preparada especialmente para celebrar a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade.


 Carlos Drummond de Andrade: poeta das coisas simples

🧒 O Menino de Itabira
Drummond nasceu no dia 31 de outubro de 1902 em uma cidadezinha mineira chamada Itabira. A cidade era cercada por muito verde e grandes montanhas de ferro. Ele cresceu em uma família grande e adorava brincar ao ar livre, além de observar tudo ao seu redor. 
🎒 O Estudante "Rebelde"
Quando cresceu, foi estudar em um colégio interno. Ele era muito inteligente, mas também muito questionador. Certa vez, acabou sendo expulso de uma escola de padres porque discutiu com um professor! Isso mostra que ele tinha uma imaginação que não gostava de ficar presa. 
📝 Um Sonho com Palavras
Apesar de sua família querer que ele fosse farmacêutico (o que ele até chegou a estudar), o seu coração batia mais forte pela literatura. Ele começou a trabalhar como funcionário público e, nas horas vagas, escrevia poemas que encantavam o país. [
🌟 O Poeta Brincalhão
Drummond escrevia sobre tudo o que via: o cotidiano, as ruas, o amor e até sobre bichos. Ele tinha um talento especial para falar de coisas simples com muito humor, carinho e um pouquinho de ironia. Seus versos ficaram tão famosos que hoje viraram músicas e até estátuas, como a sua famosa escultura na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. 
📖 Drummond para os Pequenos
Você sabia que ele também escreveu livros pensados especialmente para o público infantil? Obras como História de dois amores, O elefante e Coração numeroso mostram o lado mágico e sensível do autor ao se comunicar com os pequenos leitores.

  Análise de poemas infantis de Carlos Drummond de Andrade

📚1- Apresentação do autor

Carlos Drummond de Andrade é um dos maiores poetas da literatura brasileira. Embora seja muito conhecido por seus poemas voltados ao público adulto, sua obra também dialoga com o universo infantil por meio de temas simples, sensíveis e próximos do cotidiano.

Seus textos exploram:

  • a infância
  • a imaginação
  • os sentimentos
  • situações do dia a dia

com uma linguagem clara, reflexiva e muitas vezes bem-humorada.

📖 O que os poemas infantis de Drummond discutem?

De forma geral, seus poemas abordam:

  • 👦 A infância e suas descobertas
  • 🌍 O olhar curioso sobre o mundo
  • 💭 Sentimentos e pensamentos
  • 🏡 Situações simples do cotidiano
  • 🤔 Reflexões sobre a vida, mesmo em pequenas coisas

Essa abordagem favorece uma leitura que vai além do texto, levando o leitor a pensar e sentir.

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Meu podcast: uma homenagem a Drummond

Carlos Drummond de Andrade faz parte da memória literária de muitas gerações. Seus poemas nos ensinam que a poesia pode nascer das coisas mais simples: uma rua, uma cidade, uma lembrança, uma palavra ou um sentimento.

Neste podcast, compartilho um pouco da trajetória do poeta, das características de sua obra e da experiência de reunir seus poemas no blog Encantos da Infância: poesias e músicas infantis.

Mais do que apresentar um grande escritor brasileiro, esta narração é uma homenagem à poesia que continua viva, atravessando o tempo e encontrando novos leitores.




Podcast narrado por Maria Aparecida de Almeida
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Música em homenagem a Carlos Drummond de Andrade

Para tornar esta homenagem ainda mais especial, foi criada uma música inspirada no universo poético de Carlos Drummond de Andrade.

A composição procura reunir elementos presentes em sua obra: Minas Gerais, a infância, a memória, as palavras, as ruas, as cidades pequenas e a poesia encontrada nas coisas simples.

  • Letra da música: Maria Aparecida de Almeida.
    Melodia e interpretação criadas com auxílio da plataforma Mureka AI.
    Organização e edição: Maria Aparecida de Almeida.
    Produção com finalidade educativa, cultural e de homenagem ao poeta.

Nas palavras de Drummond

Nas ruas quietas de Minas,
uma história começou,
entre montanhas e lembranças,
um grande poeta sonhou.

Viu poesia em uma pedra,
numa rua, num quintal,
numa cidade tão pequena,
num gesto simples e especial.

Refrão

Drummond, poeta das palavras,
da memória e do coração,
fez do cotidiano um verso,
fez da vida uma canção.

Drummond, poeta das palavras,
seu caminho não terminou,
cada vez que alguém lê seus versos,
sua poesia despertou.

Uma mulinha caminhava
levando o leite à cidade,
uma rua acordou diferente
diante da curiosidade.

Uma palavra ainda dormia
na sombra de um livro raro,
e o poeta continuava
procurando o seu significado.

Refrão

Drummond, poeta das palavras,
da memória e do coração,
fez do cotidiano um verso,
fez da vida uma canção.

Drummond, poeta das palavras,
seu caminho não terminou,
cada vez que alguém lê seus versos,
sua poesia despertou.

Falou de mãe, falou da infância,
da saudade e do interior,
de um simples e tímido “bom dia”
que escondia tanto amor.

E nas coisas mais pequenas,
que ninguém mais percebeu,
encontrou a poesia
que para sempre escreveu.

Refrão final

Drummond, poeta das palavras,
das montanhas e da emoção,
seus poemas seguem vivos
em cada nova geração.

Drummond, poeta das palavras,
sua voz ainda se escutou:
na criança que abre um livro
e descobre o que você sonhou.



 Vídeo geral sobre o poeta

Neste vídeo, a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade são apresentadas por meio de imagens, poemas, narração e reflexões. É um convite para conhecer o poeta que transformou cenas comuns em experiências literárias profundas.




 Cadernos de poesias de Carlos Drummond de Andrade

Para reunir parte dos poemas já publicados no blog, foi preparado um caderno especial dedicado a Carlos Drummond de Andrade.

O material apresenta poemas, imagens, análises, perguntas para reflexão e sugestões de atividades. Pode ser utilizado por professores, famílias, estudantes e leitores interessados em conhecer melhor a poesia do autor.



Os poemas de Drummond no blog

Infância e olhar sobre o mundo

  • Infância

Infância


Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
 Minha mãe ficava sentada cosendo.
 Meu irmão pequeno dormia. 
Eu sozinho menino entre mangueiras.
lia a história de Robinson Crusoé, 
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala
nunca se esqueceu chamava para o café. Café preto que nem a preta velha café gostoso café bom. Minha mãe ficava sentada cosendo olhando para mim: 
- Psiu...Não acorde o menino. Para o berço onde pousou um mosquito. 
E dava um suspiro...que fundo! 
 Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda. 
 E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


  • Banho de bacia
No meio do quarto a piscina móvel tem o tamanho do corpo sentado. 
Água tá pelando! mas quem ouve o grito deste menino condenado ao banho? 
Grite à vontade. Se não toma banho não vai passear. 
E quem toma banho em calda de inferno? 
Mentira dele, água tá morninha, só meia chaleira, o resto é de bica. 
Arrisco um pé, outro pé depois. 
Vapor vaporeja no quarto fechado ou no meu protesto.
 A água se abre à faca do corpo e pula, se entorna em ondas domésticas. 
Em posição de Buda me ensabôo,
Resignado me contemplo. 
O mundo é estreito. 
Uma prisão de água envolve o ser, uma prisão redonda. 
Então me faço prisioneiro livre.
Livre de estar preso. 
Que ninguém me solte deste círculo de água, na distância de tudo mais. 
O quarto. O banho. O só. 
O morno. O ensaboado. O toda-vida.
Podem reclamar, 
podem arrombar a porta.
Não me entrego ao dia e seu dever.


  • O relógio

          Nenhum igual àquele,

          a hora na parede da sala  é calma,

          a hora na incidência da luz é silenciosa.

 

          Mas a hora no relógio da Matriz é grave

          como a consciência.

 

          E repete.Repete.

 

          Impossível dormir, se não escuto.

          Fico acordado, sem sua batida.

          Existir, se ela emudece.

 

          Cada hora é fixada no ar, na alma,

          continua soando surdez.

          Onde não há mais ninguém, ela chega e avisa.

          varando o pedregal da noite.

 

          Som para ser ouvido no longilonge

          do tempo da vida.

          Imenso

          no pulso

          este relógio vai comigo.



Cotidiano e vida no interior

  • Mulinha




Poema: Mulinha


A mulinha carregada de latões
vem cedo para a cidade
vagamente assistida pelo leiteiro
Pára à porta dos fregueses
Sem necessidade de palavra
Ou chicote.
Aos pobres serve de relógio.
Só não entrega ela mesma a cada um o seu leite
para não desmoralizar o leiteiro.

Sua cor é sem cor.
Seu andar, o andar de todas as mulas de Minas.
Não tem idade – vem de sempre e de antes – nem nome: é a mulinha do leite.
É o leite, cumprindo ordem do pasto.


( Carlos Drummond de Andrade)
  • Cidadezinha Qualquer

Cidadezinha Qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar… as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
  • O Doce


Autor: Carlos Drummond de Andrade

Aquele doce que ela faz
quem mais saberia fazê-lo?
Tentam. Insistem, caprichando.
Mandam vir o leite mais nobre.
Ovos de qualidade são os mesmos,
manteiga, a mesma,
iguais açúcar e canela.
E tudo igual. As mãos (as mães?)
são diferentes.

Carlos Drummond de Andrade
  • Campo Chinês e Sono



A João Cabral de Melo Neto

O chinês deitado
no campo. O campo é azul,
roxo também. O campo,
o mundo e todas as coisas
têm ar de um chinês
deitado e que dorme.
Como saber se está sonhando?
O sono é perfeito. Formigas
crescem, estrelas latejam,
Peixes são fluidos.
E árvores dizem qualquer coisa
que não entendes. Há um chinês
dormindo no campo. Há um campo
cheio de sono e antigas confidências.

Debruça-te no ouvido, ouve o murmúrio
do sono em marcha. Ouve a terra, as nuvens.
O campo está dormindo e forma um chinês
de suave rosto inclinado
no vão do tempo.

Palavras, poesia e descobertas

  • A Palavra Mágica

📖 Poema

A Palavra Mágica

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procure sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
  • Certas Palavras

Certas palavras não podem ser ditas 
em qualquer lugar e hora qualquer. 
Estritamente reservadas 
para companheiros de confiança, 
devem ser sacralmente pronunciadas 
em tom muito especial 
lá onde a polícia dos adultos 
não adivinha nem alcança. 

Entretanto são palavras simples: 
definem 
partes do corpo, movimentos, actos 
do viver que só os grandes se permitem 
e a nós é defendido por sentença 
dos séculos. 
E tudo é proibido. Então, falamos. 
  • Poesia



          Gastei uma hora pensando um verso
          que a pena não quer escrever.
          No entanto ele está cá dentro
          inquieto, vivo.
          Ele está cá dentro
          e não quer sair.
          Mas a poesia deste momento
          inunda minha vida inteira.


  • No meio do caminho

                                                           No meio do caminho
                       Carlos Drummond de Andrade

          No meio do caminho tem uma pedra.
          Tinha uma pedra no meio do caminho.
          Tinha uma pedra
          no meio do caminho.
          Tinha uma pedra.

          Nunca me esquecerei desse acontecimento
          na vida de minhas retinas tão fatigadas.
          Nunca me esquecerei que no meio do caminho.
           Tinha uma pedra.
          Tinha uma pedra no meio do caminho.
          No meio do caminho tinha uma pedra.

Família, amor e sentimentos

  • Para sempre




                                            Para sempre
                           Carlos Drummond de Andrade

          Por que Deus permite
          que as mães vão se embora?
          Mãe não tem limite,
          é tempo sem hora,
          luz que não apaga
          quando sopra o vento
          e chuva desaba,
          Veludo escondido
          na pele enrugada,
          água pura, ar puro
          puro pensamento.

          Morrer acontece
          com o que é breve e passa
          sem deixar vestígio
          mãe, na sua desgraça,
          é eternidade.
          Por que Deus se lembra
          mistério profundo
          de tirá-la um dia?
          Fosse eu Rei do Mundo,
          baixava uma lei:
          mãe não morre nunca,
          mãe ficará sempre
          junto de seu filho
          e ele, velho embora
          será pequenino
          feito grão de milho.
  • Quero me casar

Quero me casar 
na noite na rua 
no mar ou no céu 
quero me casar. 

Procuro uma noiva 
loura morena 
preta ou azul 
uma noiva verde 
uma noiva no ar 
como um passarinho. 

Depressa, que o amor 
não pode esperar! 

  • Canção para álbum de moça

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Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ela nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia.
Bom-dia sempre: se acaso
a resposta vier fria ou tarde vier,
contudo esperarei o bom-dia.
E sobre casas compactas
sobre o vale e a serrania
irei repetindo manso
a qualquer hora: bom dia.
Nem a moça põe reparo
não sente, não desconfia
o que há de carinho preso
no cerne deste bom-dia.
Bom dia: repito à tarde
à meia-noite: bom dia.
E de madrugada vou
pintando a cor de meu dia
que a moça possa encontrá-lo
azul e rosa: bom dia.
Bom dia: apenas um eco na mata
(mas quem diria)
decifra minha mensagem,
deseja bom o meu dia.
A moça, sorrindo ao longe
não sente, nessa alegria,
o que há de rude também
no clarão deste bom-dia.
De triste, túrbido, inquieto,
noite que se denuncia
e vai errante, sem fogos,
na mais louca nostalgia.
Ah, se um dia respondesses
Ao meu bom-dia: bom dia!
Como a noite se mudara
no mais cristalino dia!
Parêmia

PARÊMIA DE CAVALO

Cavalo ruano corre todo o ano
Cavalo baio mais veloz que o raio
Cavalo branco veja lá se é manco
Cavalo pedrês compro dois por mês
Cavalo rosilho quero com filho
Cavalo alazão a minha paixão
Cavalo inteiro amanse primeiro
Cavalo de sela mas não pra donzela
Cavalo preto chave de soneto
Cavalo de tiro não rincho, suspiro
Cavalo de circo não corre uma vírgula
Cavalo de raça rolo de fumaça
Cavalo de pobre é vintém de cobre
Cavalo baiano eu dou pra fulano
Cavalo paulista não abaixa a crista
Cavalo mineiro dizem que é matreiro
Cavalo do sul chispa até no azul
Cavalo inglês fica pra outra vez.
Verbo ser
 
           

               

          Que vai ser quando crescer?
          Vivem perguntando em redor.Que é ser?
          É ter um corpo, um jeito, um nome?
          Tenho os três. Eu sou?
          Tenho de mudar quando crescer?
          Usar outro nome, corpo e jeito?
          Ou a gente só principia a ser quando cresce?
          É terrível?Dói? É triste?
          Ser pronuncia tão depressa, e cabe tantas coisas?
           Repito. Ser. Ser., er.r
          Que vou ser quando crescer
          Não dá para entender .Vou ser.
          Vou crescer assim mesmo
          Sem ser esquecer.

Rua diferente


                                                         Rua diferente
                        Carlos Drummond de Andrade
      

Na minha rua estão cortando árvores

botando trilhos
construindo casas.

Minha rua acordou mudada.
Os vizinhos não se conformam.
Eles não sabem que a vida
tem dessas exigências brutas.

Só minha filha goza o espetáculo
e se diverte com os andaimes,
a luz da solda autógena
e o cimento escorrendo nas fôrmas.

Brincar na Rua
      

Tarde?
O dia dura menos que um dia.
O corpo ainda não parou de brincar
e já estão chamando da janela:

É tarde.

Ouço sempre este som: é tarde, tarde.
A noite chega de manhã?
Só existe a noite e seu sereno?

O mundo não é mais, depois das cinco?

É tarde.

A sombra me proíbe.
Amanhã, mesma coisa.
Sempre tarde antes de ser tarde.     

Lagoa      
      
                   Foto da lagoa do Piau-Caratinga-MG
                     

Lagoa
~~~~~~~~~
Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.

Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
e calma também.

Na chuva de cores
da tarde que explode
a lagoa brilha
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa...
                  
Sesta


A mineira Família
ESTÁ quentando sol
sentada no Chão
calada e feliz.
O filho Mais moço
Olha Para O Céu,
PARA O sol NÃO
PARA O cacho de bananas.
Corta ELE, pai!
O pai corta o cacho
e Distribui Para Todos.
A Família mineira
ESTÁ Comendo a banana .
um Filha Mais Velha
Coca uma pereba
Bem Acima do Joelho.
a saia NÃO esconde
um cocha morena
Sólida construida,
mas ninguem Repara.
Os Olhos se perdem
na Linha ondulada
fazer Próximo horizonte
(a cerca da horta).
a Família mineira
Olha Para Dentro .
O filho Mais Velho
canta Uma cantiga
NEM triste NEM alegre,
Uma cantiga APENAS
toupeira that adormece.
Só hum mosquito Rápido
Mostra Inquietação.
O filho Mais moço
Ergue o Braço rudes
enxota o importuno.
A Família mineira
ESTÁ Dormindo AO SOL.

 Cortesia

Mil novecentos e pouco.
Se passava alguém na rua
sem lhe tirar o chapéu
Seu Inacinho lá do alto
de suas cãs e fenestra
murmurava desolado
― Este mundo está perdido!
Agora que ninguém porta
nem lembrança de chapéu
e nada mais tem sentido,
que sorte Seu Inacinho
já ter ido para o céu.

Lira Romantiquinha

Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres,
deixando o alarme
(ai! Deus mulheres!),
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem perfume
e agressívas,
flores do ciúme?

Acaso ignoras
por que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
em minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?

Visita a casa de Tátá

A casa de Tatá é um silêncio perto da igreja.
Silêncio de lençóis engomados para sua única pessoa.
A viuvez tão antiga que virou de nascença derrama brancura em tudo.
O presépio de Tatá emerge de Belém como flor cheirando a cânfora e alfazema.
Na ordem dos anjos e animais, a ordem estrita de Deus.
O melhor da casa é a arca,
O melhor da arca, suspiros
feitos da brancura mesma de Tatá,
brancura surda.

(Carlos Drummond de Andrade)

Lembranças do mundo antigo

Resultado de imagem para moça e crianças em um jardim

Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de Clara.

As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!

Cortar o tempo


    Cortar o tempo
                                Carlos Drummond de Andrade

          Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias
          a que se deu o nome  de ano
          foi um indivíduo genial
          industrializou a esperança fazendo funcionar
no limite exausto.

          Doze meses dão para qualquer ser humano
cansar e entregar os pontos

          Aí entra o milagre da renovação 
           e tudo começa outra vez 
         com outro número e outra vontade
         de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.




9. Podcasts já produzidos

Podcast para professores

.

Podcasts sobre poemas específicos

  • Cidadezinha Qualquer;
Vídeo: A Engenharia da Besta


Podcast: A Palavra Mágica

🎙️ Sobre o podcast

Além do vídeo, o uso do podcast amplia ainda mais a experiência com a poesia.
Ao ouvir a leitura do poema, o leitor desenvolve a escuta sensível, a interpretação e a percepção dos sentimentos presentes nos versos.

O podcast é um recurso muito rico para o trabalho com literatura, podendo ser utilizado tanto em sala de aula quanto em momentos individuais de apreciação.

  • Quero me casar;

  • outros materiais disponíveis.

O podcast a seguir traz uma mensagem especial sobre o amor de mãe.

Ao ouvir, pense em como as mães demonstram carinho no dia a dia e na importância desses gestos em nossas vidas.

💡 Depois, converse com alguém da sua família sobre essa mensagem.

Podcast: Canção para álbum de  moça

🎧 Sobre o podcast Canção para álbum de moça

O podcast apresenta uma leitura expressiva do poema Canção para álbum de moça, explorando sua musicalidade e sua carga emocional.

A repetição da expressão “bom dia” ganha força ao longo da narração, revelando um sentimento persistente de afeto e expectativa. A ausência de resposta da moça evidencia um contraste entre o desejo de aproximação e a distância emocional.

Ao final, o podcast conduz o ouvinte à reflexão sobre como pequenos gestos podem carregar grandes significados, destacando o poder da palavra, do silêncio e da sensibilidade humana.

PODCAST PARA PROFESSORES

Este podcast faz uma análises das obras de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores nomes da literatura brasileira. Os conteúdos exploram poemas icônicos como "Infância", que contrasta a pacatez doméstica com a aventura literária, e "No meio do caminho", famoso por sua repetição reflexiva. Vídeos educativos e recitações examinam temas recorrentes do autor, incluindo a memória afetiva, o cotidiano das cidades do interior e a busca metafísica pela palavra. Além disso, as transcrições destacam a musicalidade e a estrutura de textos clássicos, como "José" e "Cidadezinha Qualquer", enfatizando o sentimento de melancolia e a universalidade de sua poesia. O conjunto dos materiais oferece uma visão abrangente do legado poético de Drummond, abordando desde sua formação em Minas Gerais até a profundidade lírica de suas reflexões sobre a vida e a morte.



10. Vídeos e animações

O poema Mulinha, de Carlos Drummond de Andrade, apresenta de forma simples e sensível a rotina do campo e o papel dos animais no cotidiano das pessoas.

Para tornar esse momento mais significativo, elaboramos uma versão narrada e ilustrada da história, facilitando a compreensão das crianças e incentivando a escuta e a imaginação.

Moral da história: "Mesmo sem falar e sem aparecer muito, a mulinha ajudava todo mundo.

Cada um tem um papel importante, mesmo que pareça pequeno."

🎥 Vídeo animado: Cidadezinha QualquerCarlos Drummond de Andrade



Para enriquecer ainda mais a experiência com o poema Cidadezinha Qualquer, apresentamos um vídeo animado que traduz, de forma visual, o ritmo e a simplicidade dos versos de Carlos Drummond de Andrade.

A animação contribui para que o leitor perceba com mais clareza a repetição e a lentidão presentes no poema, características que reforçam a ideia de uma rotina calma e quase parada no tempo.



Shorts feito para o poema: O doce


Vídeo: A mecânica da Sabedoria






🎥 Vídeo animado: E agora, José?Carlos Drummond de Andrade

A poesia de Carlos Drummond de Andrade continua encantando leitores de todas as idades.
Neste vídeo animado, o poema E agora, José? ganha vida de forma sensível e acessível, permitindo que o leitor ou espectador reflita sobre sentimentos como dúvida, solidão e a busca por sentido na vida.

A animação é um excelente recurso pedagógico, pois aproxima a linguagem poética do público, especialmente dos estudantes, tornando a leitura mais envolvente e significativa.

Para Sempre

Para celebrar o amor de mãe, preparamos um momento especial com música e animação.

💛 Assista com carinho e, se puder, compartilhe com sua família.




Hora do desenho animado

Agora vamos assistir a um desenho especial da Strawberry Shortcake para celebrar o Dia das Mães 💐

Ao longo da história, vemos momentos de amizade, carinho e cuidado. E, no final, há uma música muito especial preparada com amor para homenagear as mães.

💛 Preste atenção na música e na mensagem que ela transmite!




Vídeo: Quero me Casar

Vídeo: Canção para álbum de moça

🎥 Sobre o vídeo Canção para álbum de moça

O vídeo do poema Canção para álbum de moça, de Carlos Drummond de Andrade, apresenta de forma sensível a repetição do “bom dia” como um gesto carregado de significado.

Ao longo da leitura, é possível perceber a delicadeza do eu lírico ao tentar se aproximar da moça, mesmo diante do silêncio e da distância. A entonação e o ritmo ajudam a destacar a musicalidade do poema, reforçando a ideia de insistência, carinho e espera.

O vídeo convida o espectador a refletir sobre os sentimentos que podem estar escondidos em palavras simples do cotidiano, valorizando a sensibilidade e a profundidade da linguagem poética.

Vídeo: Rua diferente- Carlos  Drummons Andrade
Sobre o vídeo:

 

Vídeo: Rua diferente- Carlos  Drummons Andrade
Sobre o vídeo:

 🎬 Uma forma de ver a rua com os olhos da infância.

No vídeo, a rua ganha novos significados: enquanto os adultos se incomodam com as mudanças, o olhar da criança se enche de curiosidade e encanto.

A poesia revela, assim, que o cotidiano pode ser visto de maneiras diferentes — e que a sensibilidade transforma o simples em especial.

Neste vídeo, apresento uma introdução à obra de Carlos Drummond de Andrade, destacando a importância da poesia na formação de leitores sensíveis e reflexivos.

A proposta é mostrar, de forma simples e acessível, como os poemas do autor dialogam com o cotidiano, os sentimentos e o olhar curioso sobre o mundo — elementos essenciais para o desenvolvimento da leitura literária.


11. Conversando sobre os poemas

A infância

  • A infância é um tema central, frequentemente revisitado através do pretérito imperfeito, indicando ações habituais e costumeiras.
    • Existe um contraponto entre a vida doméstica plácida (o pai no campo, a mãe cosendo) e as aventuras literárias de Robinson Crusoé. A análise observa que tanto o eu lírico quanto Crusoé são, essencialmente, solitários.
    • ______________________________________________________________________________________
    • Mulinha

      O poema fala de uma mulinha que todos os dias leva leite

      para a cidade. Mesmo sem falar, ela sabe exatamente onde parar e o que fazer.

      Ela ajuda o leiteiro e também as pessoas, especialmente as mais pobres, que usam sua passagem como referência de horário.

    • ____________________________________________________________________________________

    • A Bacia

    • O poema fala sobre um momento simples do cotidiano — o banho — que se transforma em algo muito maior. No início, há resistência, reclamação e até revolta do menino diante da água quente. Mas, aos poucos, esse momento se transforma em um espaço de silêncio, reflexão e até prazer.

      O banho deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser um lugar de isolamento do mundo, onde o sujeito se encontra consigo mesmo. A ideia de “prisão de água” revela esse paradoxo: estar preso, mas ao mesmo tempo livre. O poema mostra como, mesmo em situações comuns, é possível criar um espaço de liberdade interior.

    • _______________________________________________________________________________

    • Cidadezinha qualquer
    • O poema “Cidadezinha Qualquer” retrata a simplicidade da vida no interior, marcada por um ritmo lento, repetitivo e contemplativo. A cena construída por Drummond apresenta um cotidiano tranquilo, quase imóvel, onde tudo parece acontecer “devagar”.

      A repetição da palavra devagar reforça essa ideia de tempo desacelerado, típico de pequenas cidades, onde não há pressa e os acontecimentos são simples e cotidianos.

      Ao mesmo tempo, o poema traz uma reflexão sutil: o olhar do eu lírico pode carregar certa ironia ou até um leve incômodo, expresso no verso final — “Eta vida besta, meu Deus.” Esse fechamento abre espaço para diferentes interpretações: pode indicar monotonia, tédio ou apenas uma observação bem-humorada sobre a rotina.

      A construção do poema é marcada pela ausência de pontuação complexa e pela organização em imagens simples, o que aproxima o texto da oralidade. Essa escolha reforça a naturalidade da cena e valoriza o cotidiano como matéria poética.

    • ______________________________________________________________________________________

    • Campo Chinês
    • Esse poema, dedicado a João Cabral de Melo Neto, apresenta uma construção imagética rica e profundamente simbólica. A análise pode ser organizada em três eixos: imagética, temática e linguagem/estilo.
    • 📌 1. Imagética (construção de imagens)

      O poema se estrutura a partir de uma imagem central:
      ➡️ “o chinês deitado no campo”

      Essa imagem é ambígua e visualmente sugestiva. O campo passa a ser percebido como o corpo de um homem deitado — uma espécie de metáfora visual (ou imagem projetiva).

      • O campo não é apenas cenário, ele se transforma em figura humana.
      • Há uma fusão entre:
        • natureza (campo, árvores, formigas, nuvens)
        • figura humana (o chinês)
        • cosmos (estrelas)

      👉 Isso cria um efeito de unidade entre homem, natureza e universo.


      📌 2. Temática (o que o poema discute)

      🌙 a) O sono e o sonho

      O poema gira em torno da dúvida:

      “Como saber se está sonhando?”

      Aqui, o sono não é apenas físico — ele representa:

      • um estado de suspensão da realidade
      • uma dimensão onde tudo se transforma

      Elementos reforçam isso:

      • “formigas crescem”
      • “estrelas latejam”
      • “peixes são fluidos”

      👉 O mundo segue uma lógica não racional, típica do sonho.


      🌍 b) Unidade do universo

      O poema sugere que:

      • o campo = o mundo = o corpo = o sonho

      Tudo está interligado. Não há separação clara entre:

      • sujeito e objeto
      • natureza e ser humano
      • realidade e imaginação

      👉 Isso aproxima o texto de uma visão quase filosófica ou existencial.


      ⏳ c) Tempo e eternidade

      O verso final:

      “no vão do tempo”

      indica:

      • um tempo suspenso
      • um espaço entre passado e presente

      👉 O poema sugere uma experiência atemporal, como se o sono fosse eterno.


      A palavra Mágica
    • Este poema fala sobre a busca constante por sentido na vida. A “palavra mágica” pode representar sonhos, respostas, conhecimento ou até mesmo aquilo que cada pessoa deseja encontrar.

      Drummond nos mostra que o mais importante não é apenas encontrar essa palavra, mas não desistir da busca. A persistência, o desejo de aprender e a esperança são os verdadeiros caminhos que dão significado à vida.

      A linguagem é simples, mas cheia de profundidade, convidando o leitor a refletir sobre suas próprias buscas e descobertas.

    • Certas Palavras

    • O poema fala sobre as proibições impostas pelos adultos e sobre como certas palavras e temas são considerados inadequados, especialmente para as crianças. Mesmo sendo palavras simples, elas carregam um peso cultural e social. O texto mostra que, apesar dessas proibições, existe uma necessidade natural de falar, de descobrir e de compreender o mundo.
    • Poesias

    • O poema fala sobre o processo de criação poética e a dificuldade de transformar sentimentos em palavras. O eu lírico sente que o verso existe dentro dele, vivo e inquieto, mas não consegue colocá-lo no papel. Mesmo sem ser escrito, esse verso já ocupa seu interior e revela que a poesia vai além da escrita: ela é vivida, sentida e experimentada.

    • No meio do Caminho
    • O poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, discute os obstáculos que surgem ao longo da vida e que deixam marcas profundas em nossa memória.

      A pedra representa uma dificuldade, um problema ou uma situação inesperada que interrompe o caminho. A repetição dos versos reforça a ideia de que certos acontecimentos não são esquecidos facilmente e continuam presentes em nossos pensamentos.

      O poema também mostra que a vida nem sempre segue de maneira simples. Em algum momento, todos encontramos uma “pedra” no caminho. Essa pedra pode significar medo, perda, decepção, mudança ou qualquer desafio que precisamos enfrentar.

    • Para sempre

    • Este poema fala sobre o amor eterno de mãe.
      O eu lírico questiona por que as mães precisam partir um dia, já que o amor delas parece infinito.

      A mãe é apresentada como:

      • luz que nunca apaga
      • proteção constante
      • carinho que permanece mesmo com o tempo

      Mesmo quando envelhecemos, dentro de nós continuamos sendo pequenos diante do amor materno.

      👉 É um poema que mistura:

      • amor
      • saudade
      • reflexão sobre a vida
    • Quero me Casar

    • Neste poema, Carlos Drummond de Andrade apresenta o desejo de se casar de forma leve, imaginativa e cheia de liberdade.

      O casamento aparece não como algo formal, mas como uma expressão do sentimento, que pode acontecer em qualquer lugar: na rua, no mar ou até no céu.

    • Canção para álbum de moça

    • Neste poema, Carlos Drummond de Andrade transforma uma saudação simples em uma expressão profunda de sentimento.

      O “bom dia” deixa de ser apenas cumprimento e passa a representar:

      • desejo de aproximação
      • carinho silencioso
      • esperança de ser correspondido
    • Parêmia
    • O poema “Parêmia de cavalo” apresenta diferentes tipos de cavalos por meio de versos curtos, rimados e bem-humorados. Cada animal recebe uma característica própria, relacionada à cor, à origem, ao uso ou ao comportamento.

      A palavra parêmia significa uma frase breve, semelhante a um provérbio ou dito popular. No poema, Drummond brinca justamente com essa ideia: cria pequenas afirmações sobre os cavalos, usando rimas, ritmo e associações inesperadas.

      O texto discute a diversidade dos animais e também valoriza a sonoridade das palavras. Mais do que contar uma história, o poema convida o leitor a brincar com a linguagem, perceber as rimas e imaginar cada cavalo descrito.

      O humor aparece nas comparações exageradas e nas observações curiosas. Assim, o poema aproxima a poesia das cantigas, dos trava-línguas e dos ditos populares, tornando a leitura leve e divertida

    • Rua difrente

    • O poema apresenta as transformações do cotidiano, mostrando como a rua, antes conhecida, passa por mudanças que nem todos conseguem aceitar.

      Enquanto os adultos se incomodam com as alterações, o olhar da criança revela curiosidade e encantamento diante do novo.

      Assim, o texto nos convida a refletir sobre as diferentes formas de perceber o mundo.

    • Brincar na Rua
    • O poema “Brincar na rua”, de Carlos Drummond de Andrade, discute a infância, o desejo de continuar brincando e a sensação de que o tempo passa depressa demais.

      A criança ainda está envolvida na brincadeira quando escuta alguém chamando da janela e dizendo que já é tarde. Para ela, esse chamado parece chegar cedo demais, como se o dia terminasse antes que pudesse aproveitar tudo o que desejava.

      O poema mostra o contraste entre o tempo dos adultos e o tempo das crianças. Para os adultos, existe a hora de voltar para casa. Para a criança, porém, a brincadeira poderia continuar, porque ainda há energia, curiosidade e vontade de permanecer na rua.

      A repetição da expressão “é tarde” reforça a frustração da criança diante do fim da brincadeira. A sombra e a chegada da noite representam o limite imposto ao seu desejo de liberdade.

      Ao final, o poema revela que essa situação se repete todos os dias: sempre parece tarde antes de a criança sentir que realmente chegou a hora de parar.

    • Lagoa

    • O poema “Lagoa”, de Carlos Drummond de Andrade, fala sobre a beleza daquilo que está perto de nós e que conhecemos de verdade.

      O eu lírico afirma que nunca viu o mar e, por isso, não sabe se ele é bonito ou bravo. Em vez de lamentar essa ausência, valoriza a lagoa que conhece, observa e admira.

      A lagoa é apresentada como grande, calma, brilhante e cheia de cores, especialmente ao entardecer. Assim, o poema mostra que não precisamos conhecer lugares distantes para encontrar beleza e encantamento. Muitas vezes, aquilo que faz parte do nosso cotidiano pode ser tão especial quanto algo famoso ou grandioso.

      O poema também discute a importância do olhar pessoal. Para o eu lírico, a lagoa tem valor porque faz parte de sua experiência, de sua memória e de sua paisagem.

    • Sesta

    • O poema “Sesta” discute o descanso depois do almoço, aquele momento de silêncio e tranquilidade em que o corpo pede uma pausa.

      A sesta aparece como um tempo de repouso, mas também de afastamento das preocupações e das tarefas do dia. Tudo parece ficar mais lento: a casa, a rua, os sons e até o pensamento.

      O poema valoriza esse instante simples do cotidiano, mostrando que descansar não é perder tempo. É recuperar as forças, acalmar a mente e perceber a quietude ao redor.

      Também pode transmitir uma sensação de aconchego e memória, lembrando tardes calmas do interior, o calor do dia, a sombra das árvores e a paz de uma casa silenciosa.

    • Cortesia

    • O poema “Cortesia”, de Carlos Drummond de Andrade, discute as mudanças nos costumes e nas formas de demonstrar respeito ao longo do tempo.

      No passado, tirar o chapéu ao encontrar alguém era considerado um gesto de educação. Seu Inacinho acreditava que, quando uma pessoa deixava de fazer isso, era sinal de que “o mundo estava perdido”.

      Com humor e ironia, o poema mostra que os hábitos mudam. Atualmente, quase ninguém usa chapéu, mas isso não significa necessariamente que a cortesia tenha desaparecido. Ela apenas passou a ser demonstrada de outras maneiras.

      O texto também convida o leitor a refletir sobre o conflito entre gerações. Muitas vezes, as pessoas mais velhas consideram que os costumes antigos eram melhores, enquanto os mais jovens criam novas formas de convivência.

      A cortesia não depende de um chapéu. Ela pode aparecer em atitudes simples, como cumprimentar, agradecer, respeitar, ouvir e ajudar o outro.

    • Lira Romantiquinha

    • O poema “Lira romantiquinha”, de Carlos Drummond de Andrade, discute o amor marcado pelo ciúme, pela insegurança e pelo desejo de ser correspondido.

      O eu lírico fala diretamente com a pessoa amada e tenta convencê-la de que seu sentimento é verdadeiro. Ele não entende por que ela se mostra desconfiada, distante e dominada pelo ciúme, mesmo diante de tantas declarações de amor.

      O poema também apresenta uma mistura de ternura, humor e sofrimento. O título já indica esse tom: a palavra “romantiquinha” diminui a solenidade da declaração amorosa e dá ao texto um caráter mais leve, delicado e até brincalhão.

      Ao mesmo tempo, existe uma tristeza verdadeira. O eu lírico sente-se angustiado porque suas juras não são plenamente aceitas. Por isso, transforma sua dor em versos, na esperança de sensibilizar a pessoa amada.

    • Visita à casa de Tatá

    • O poema “Visita à casa de Tatá”, de Carlos Drummond de Andrade, descreve uma casa marcada pelo silêncio, pela limpeza, pela religiosidade e pela solidão de sua moradora.

      Tatá é uma viúva que vive sozinha perto da igreja. Sua viuvez é tão antiga que parece fazer parte de sua própria natureza. A cor branca aparece em toda a casa: nos lençóis engomados, nos objetos e até nos suspiros guardados na arca. Essa brancura representa organização, pureza e cuidado, mas também sugere silêncio, ausência e solidão.

      O presépio, cuidadosamente organizado, revela a fé de Tatá e seu respeito por uma ordem religiosa rigorosa. Os cheiros de cânfora e alfazema ajudam a criar a atmosfera de uma casa antiga, muito limpa e preservada.

      Assim, o poema transforma uma simples visita em um retrato delicado de uma mulher solitária, religiosa e presa às lembranças e aos costumes do passado. A expressão “brancura surda” reforça a sensação de um ambiente puro e tranquilo, mas também silencioso e melancólico.

    • Lembrança do mundo antigo

    • O poema “Lembrança do mundo antigo”, de Carlos Drummond de Andrade, apresenta a recordação de um tempo aparentemente mais tranquilo, simples e harmonioso.

      O poeta imagina um mundo em que as pessoas viviam com menos medo e menos pressa, as relações eram mais próximas e a natureza fazia parte da vida cotidiana. Esse passado é lembrado com ternura, quase como um lugar de paz que já não existe.

      Ao mesmo tempo, o poema transmite certa tristeza, porque esse “mundo antigo” aparece distante e perdido. Assim, ele discute a passagem do tempo, a saudade, a perda da simplicidade e as transformações da vida moderna.

      Em resumo, o poema fala de um passado idealizado, lembrado com carinho e melancolia, em contraste com um presente mais agitado e menos humano.

    • Cortar o tempo

    • O poema “Cortar o tempo” apresenta uma reflexão bem-humorada e esperançosa sobre a divisão do tempo em anos.

      O poeta imagina que foi uma ideia genial “cortar o tempo em fatias” e dar a cada uma delas o nome de ano. Durante os doze meses, as pessoas enfrentam dificuldades, ficam cansadas, desanimadas e podem até sentir vontade de desistir.

      Entretanto, quando chega um novo ano, acontece o que o poema chama de “milagre da renovação”. A mudança do número no calendário desperta novamente a esperança e a vontade de acreditar que a vida poderá ser diferente.

      Assim, o poema fala sobre a passagem do tempo, o cansaço humano, a esperança e a possibilidade de recomeçar. Ele mostra que, mesmo quando nada muda imediatamente, a chegada de um novo ciclo nos ajuda a recuperar os sonhos e a confiança no futuro.

12. Propostas de atividades

Ilustrando Drummond

Escolher um poema e criar uma ilustração.

Minha cidadezinha

Descrever ou desenhar a cidade onde vive.

A rua acordou diferente

Imaginar uma mudança ocorrida na rua ou no bairro.

Minha palavra mágica

Escolher uma palavra importante e explicar seu significado.

Memória afetiva

Escrever sobre uma comida, pessoa, lugar ou situação que desperte lembranças.

Transformando o cotidiano em poesia

Observar um objeto ou uma cena comum e escrever um pequeno poema.


13. Créditos

Poemas: Carlos Drummond de Andrade.

Pesquisa, seleção dos poemas, organização pedagógica, análises, atividades, narração e apresentação: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encantos da Infância: poesias e músicas infantis.

Na música, os créditos devem indicar claramente:

  • autoria da letra;
  • ferramenta utilizada para criar a melodia ou interpretação;
  • edição do vídeo;
  • finalidade educativa e cultural.

14. Conclusão

Carlos Drummond de Andrade mostrou que a poesia pode nascer das pequenas coisas: uma lembrança, uma rua, uma cidade, uma palavra, um gesto de carinho ou uma pergunta ainda sem resposta.

Ao reunir poemas, vídeos, podcasts, música e materiais de leitura, esta homenagem procura manter viva a obra do poeta e aproximá-la de novas gerações.

Que cada leitor encontre, nos versos de Drummond, uma lembrança, uma emoção ou uma nova maneira de observar o mundo.


15. Assinatura

Encantos da Infância: poesias e músicas infantis
Maria Aparecida de Almeida



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