sábado, 4 de julho de 2026

Bastos Tigre: poesia, infância, humor e ternura familiar

 




Introdução

A poesia infantil tem o poder de transformar pequenas cenas do dia a dia em momentos de encanto. Uma conversa com a mãe, uma avó fazendo crochê, uma criança cheia de imaginação ou um presente de Natal podem se tornar poesia quando vistos com sensibilidade.

Nos poemas de Bastos Tigre, a infância aparece com graça, espontaneidade e ternura. Seus versos aproximam o leitor de situações simples, mas cheias de vida: a criança que aprende boas maneiras, a avó que se zanga e abraça, a mãe que cuida mesmo cansada e o menino que sonha com um presente especial.

Nesta postagem, vamos conhecer alguns poemas de Bastos Tigre que revelam o encanto das relações familiares e o olhar divertido da criança sobre o mundo.

Bastos Tigre e a poesia da infância



Bastos Tigre foi poeta, escritor, jornalista e humorista brasileiro. Sua escrita se destaca pelo humor inteligente, pela leveza e pela capacidade de observar o cotidiano com graça.

Em seus poemas infantis, ele apresenta cenas familiares de forma simples e divertida. A criança, em seus versos, não aparece como alguém sem voz, mas como personagem esperta, curiosa e cheia de respostas inesperadas.

Sua poesia aproxima gerações, pois fala de casa, de mãe, de avó, de brincadeiras, de pequenos ensinamentos e de sentimentos que continuam vivos na memória afetiva.

O Caroço

Em “O Caroço”, Bastos Tigre apresenta uma cena muito comum: uma criança à mesa, aprendendo com a mãe uma regra de educação. Depois de comer uma empada com azeitona, o menino coloca o caroço sobre a toalha. A mãe, com carinho, explica que o caroço deve ser colocado em um cantinho do prato.

A graça do poema está na resposta da criança: se o prato é redondo, como pode ter cantinho?

O poema brinca com a lógica infantil. A criança escuta a orientação da mãe, mas interpreta tudo de forma muito concreta. É justamente essa sinceridade que dá leveza e humor ao texto.


   

         
           Eu comi ontem no almoço
           A azeitona de um empada;
           Depois botei o caroço
           Sobre a toalha engomada.

           Mas mamãe logo nota
           E me ensina com carinho:
           -O caroço não se bota
           Sobre a toalha, meu benzinho.

           O que ele me diz eu ouço
           Sempre, com toda atenção!
           A perguntei-lhe:- O caroço
           Mamãe, onde boto então?

           -Toda pessoa de linha,
           De educação. de recato
           O osso, o caroço, a espinha
           Põe num cantinho do prato.

           E eu então lhe respondo,
           Com respeitoso carinho:
           Mas meu prato é redondo,

           Meu prato não tem cantinho... 


O que o poema discute?

O poema fala sobre boas maneiras, educação familiar e o modo como a criança compreende o mundo. Também mostra que os ensinamentos podem acontecer com carinho e que a infância tem uma forma própria de pensar.

Para pensar

A criança muitas vezes vê as coisas de maneira diferente dos adultos. O poema nos lembra que a infância é feita de perguntas, descobertas e respostas inesperadas.

A Avó

Em “A Avó”, encontramos uma figura cheia de ternura: a vovó franzidinha, sentada na rede, entretida no crochê. Às vezes, ela se incomoda com o barulho da criança, mas a zanga logo se transforma em riso e abraço.

A parte mais divertida acontece quando a avó procura os óculos pela casa inteira, sem perceber que eles estão presos no alto da testa.

O poema une humor e carinho. A avó é retratada com delicadeza, e a convivência entre ela e a criança aparece como uma mistura de brincadeira, paciência, travessura e afeto.



          A vovó também é velha,
          Franzidinha como quê.
          Passa os dias lá na rede,
          Entretida no crochê.

          Às vezes fica zangada
          Com o barulho que faço.
          Pega na chinela, eu me rio, 
          Ela ri e lá vem um abraço.

          Um dia virou a casa
          Para os óculos achar.
          Remexeu canto por canto
          E queria me culpar.

          Bem que eu sabia de tudo,
          Mas aquilo era uma festa,
          Pois a vovó tinha os óculos
          Presos no alto da testa

O que o poema discute?

O poema fala sobre a relação entre avós e netos, sobre envelhecimento, memória, convivência e amor familiar. Também mostra que o riso pode fazer parte das relações de cuidado.

Para pensar

As avós e os avôs guardam histórias, gestos e lembranças. Muitas vezes, são eles que tornam a infância mais doce e cheia de memórias afetivas.



Em “O Remédio”, Bastos Tigre apresenta uma cena engraçada e muito expressiva. A criança conta que, quando a mãe vai para a cama dizendo que está com dor de cabeça, ele descobre uma maneira de fazê-la levantar: começa a chorar e a dizer que também está sentindo dores.

A mãe, preocupada, esquece a própria dor e corre para cuidar do filho.

O humor do poema nasce dessa esperteza infantil. A criança percebe o amor da mãe e entende que, diante do sofrimento do filho, ela se levanta imediatamente.

          A mamãe, de vez em quando
          Embora boa pareça
          Vai pra cama se queixando
          Que está com dor de cabeça.

          Tenho um remédio na exata
          Que a põe boa de uma vez
          Receita muito barata
          Que eu vou dizer a vocês.

          Quando ela vai se deitar
          E que não quer ver ninguém,
          Eu abro a boca a chorar
          Sentindo uma dor também.

          Dor nos olhos, dor nos ouvidos,
          Nos dentes, no pé, na mão...
          Solto gritos e gemidos
          Que é de cortar coração.

          Pois olhem que até me espanta!
          Com este remédio à toa,
          Como a mamãe se levanta,
          Como fica boa!

O que o poema discute?

O poema fala sobre o cuidado materno, a atenção que a criança deseja receber e a dedicação da mãe. Também revela, com humor, como as crianças observam os adultos e descobrem formas de chamar atenção.

Para pensar

O amor de mãe aparece nos pequenos gestos. Mesmo cansada, a mãe se preocupa, cuida e acolhe. O poema mostra essa relação com leveza e graça.

Presente de Natal

Em “Presente de Natal”, o pai diz ao menino que Papai Noel lhe dará um bebezinho. A criança fica feliz com a ideia de ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha, mas guarda um segredo: no fundo, preferia ganhar um cachorrinho bassê.

O poema é delicado e divertido porque mostra a sinceridade da infância. A criança entende a alegria da chegada de um bebê, mas seu desejo ainda está ligado ao universo infantil dos brinquedos, dos animais e dos presentes sonhados.




         
O papaizinho, outro dia,
          Me disse que, no Natal,
          Papai Noel me daria
          Um bebezinho.Que tal?

          -Um bebê? Disse eu, então,
          Pulando no seu pescoço.
          -Um bebezinho, pois não!
          Perfeito, de carne e osso!

          E pergunta o papaizinho,
          Sorrindo não sei por quê:
          -U'a maninha?Um maninho?
          Que é que prefere você?

          -Qualquer um, el lhe respondo
           No rosto dando- lhe um beijo.
          Mas a verdade eu lhe escondo
          Do que, de fato, desejo.

          Eu vou ter muita alegria
          Quando chegar o bebê.
          Mas sabe o que eu prefiria?
          -Um cachorrinho bassê!


    

O que o poema discute?

O poema fala sobre família, nascimento, expectativa, desejo infantil e sinceridade. Mostra que a criança pode amar a chegada de um novo membro da família, mas também ter seus próprios sonhos e vontades.

Para pensar

A infância é feita de imaginação e desejos simples. Às vezes, aquilo que parece pequeno para os adultos é muito importante para a criança.

Por que ler Bastos Tigre com as crianças?

Ler Bastos Tigre é aproximar as crianças de uma poesia leve, bem-humorada e cheia de afeto. Seus poemas falam de situações familiares, fáceis de compreender, mas ricas em sentido.

As crianças podem se reconhecer nas cenas, rir das situações e conversar sobre sentimentos, família, educação, cuidado e convivência.

A poesia de Bastos Tigre mostra que a literatura também mora dentro de casa: na mesa, na rede da avó, no quarto da mãe, no Natal e nas pequenas conversas do cotidiano.

Sugestões para famílias e professores

A leitura dos poemas pode ser feita em voz alta, valorizando o ritmo, as falas e o humor dos versos.

Depois da leitura, as crianças podem conversar sobre as cenas, contar experiências parecidas, desenhar o poema de que mais gostaram ou dramatizar os personagens.

Também é possível criar um pequeno mural com o tema: “Poesia, família e infância”, reunindo desenhos, frases e lembranças das crianças.

 Materiais Audiovisuais

Cadernos de poesias com os textos de Bastos Tigre.



Vídeo das versões da Música  Inspirada no poema de  Bastos Tigres




                              A letra da música é de autoria de Maria Aparecida de Almeida


Podcast leve sobre Bastos Tigre e a infância em seus poemas.


Conclusão

Os poemas de Bastos Tigre encantam porque falam de coisas simples: uma mãe ensinando, uma avó esquecida, uma criança esperta, um presente esperado. Mas, por trás dessas pequenas cenas, há muito afeto, humor e memória.

Sua poesia nos lembra que a infância é cheia de perguntas, respostas engraçadas, carinho familiar e descobertas. Ler seus poemas é voltar a esse tempo em que tudo podia virar história, riso e poesia.

Créditos

Poemas: Bastos Tigre.

Seleção, organização e apresentação literária: Maria Aparecida de Almeida.

Blog: Encanto da Infância — poesias e músicas infantis.

Assinatura

Com carinho,
Maria Aparecida de Almeida
Encanto da Infância: poesias e músicas infantis

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