Introdução
A poesia infantil tem o poder de aproximar a criança da palavra, do ritmo, da imaginação e dos sentimentos. Nos poemas de Odete Rodrigues Baraúna, a linguagem aparece como brincadeira, música, descoberta e também como caminho para aprender valores importantes.
Sua escrita passeia por temas muito próximos do universo infantil: o Natal, a bandeira do Brasil, os animais, a primavera, a família, a professora, o trânsito, o consumo consciente e a preservação da natureza. São poemas que convidam a criança a cantar, observar, rir, pensar e participar.
Nesta postagem, vamos conhecer um pouco da poesia de Odete Rodrigues Baraúna e apresentar a música “Brincadeira com a Palavra”, inspirada em seus poemas.
Quem é Odete Rodrigues Baraúna
Odete Rodrigues Baraúna nasceu em Santos. Graduada em Letras, estudou Pedagogia e Estudos Sociais. Sua produção poética revela sensibilidade, ludicidade e atenção ao mundo da criança.
Em seus poemas, a autora trabalha com rimas, repetições, jogos sonoros, humor e temas educativos. A palavra não aparece apenas como conteúdo escolar, mas como experiência viva: palavra que dança, que canta, que ensina e que desperta encantamento.
A poesia como brincadeira
A obra de Odete Rodrigues Baraúna mostra que brincar com a palavra é uma forma de aprender. Quando a criança canta, repete, inventa sons, percebe rimas e acompanha o ritmo dos versos, ela amplia sua escuta, sua oralidade e sua imaginação.
Poemas como “Gato Burguês” trazem humor e fantasia. Já “Primavera” brinca com flores, cores e movimentos. Em “Mãe”, a autora explora a sonoridade da letra M, criando uma sequência afetiva de palavras ligadas à maternidade, à memória e ao carinho.
Temas presentes nos poemas
Infância, humor e fantasia
Em “Gato Burguês”, aparece um gato vaidoso, engraçado e cheio de pose. O poema brinca com a ideia de um gato elegante, que come caviar, tem bigode de chinês e mia em inglês. Esse tipo de construção aproxima a criança da literatura pelo riso e pela surpresa.
Era uma vez
Um gato burguês
Comia caviar
de barriga pro ar
Seu pêlo perfumado
Era sempre penteado
Bigode de chinês
Miava em inglês
Gostava de uma gata
Que não lhe dava a pata
Por ele suspirava
Sofria, até suava
O gato era burguês
E a gata era pedrês
Pintada em branco e preto
Vivia ao relento.
Para o burguês gabola
Ela não dava bola
Passava requebrando
baixinho ia miando
Miau, miau, miaaau
Cato cara-de-pau
Gato, enfezado
Miou atrapalhado
Gata exibida au au
Miau, ai live iuau
Natureza e encantamento
Em “Primavera” e “Mata-Desmata”, a natureza aparece como beleza, vida e também como alerta. A primavera surge cheia de flores, cores e movimento. Já o poema sobre a mata chama atenção para o desmatamento e para o sofrimento da natureza quando o ser humano não cuida do ambiente.
Margarida
Ri da vida
Enquanto
Gira, gira, o Sol
Gira-gira-girassol
Cidadania e cotidiano
Bandeira tão linda!
Bandeira do Brasil
É verde, amarela,
Azul de encantos mil.
No céu ,
No sol,
Nas matas,
As cores da Bandeira
Amemos com orgulho
A pátria brasileira.
No verde, nossas matas,
Tão pouco preservadas,
enfrentam tombamentos
e terríveis queimadas.
O amarelo é luz
O sol a aquecer a terra de Cabral
O Brasil tropical
Azul o nosso céu
Com aves a voar.
Se o ar é poluído,
O pássaro é ferido.
As brancas águas
Correm nos rios, nas cachoeiras,
trazendo higiene pra gente brasileira.
Cuidar da ecologia,
Amar sua bandeira,
viver cidadania
É semear estrela.
Educação para a vida
Poemas como “Rogerinho e a professora”, “Olho Nele!” e o texto sobre o trânsito trazem situações do cotidiano infantil. A autora fala de estudo, emoção, responsabilidade, consumo consciente, atenção ao troco, segurança no trânsito e respeito às pessoas.
Assim, sua poesia não fica presa apenas ao encantamento. Ela também educa para a vida.
Professora,
Minha doce professora,
A tarefa, eu não fiz,
Tabuada, não estudei,
Só por causa da Isabela.
Veja só o que ela fez:
Se ela passa,
O meu corpo todinho se arrepia,
Na barriga, eu sinto uma cosquinha,
E dispara, batendo o coração:
Isa-bela,
Isa- bela,
Isa, Isa, Isa-bela,
Na cabeça, não entra nada, não!(Bis)
Rogerinho,
Regue esta semente com carinho,
Pois o amor, quando pinta, é tão bom...
Nossa vida é feita de emoção.
Mas, cuidado, não perca a razão.
Tabuada, não deixe de estudar.
Quantos beijos saberá multiplicar...
Carinhos e tarefas dividir,
Tristezas poderá subtrair.
Mas, cuidado, para a bomba não explodir.
Professora, minha doce professora...
Rogerinho, regue essa semente com carinho...
Amor materno
O poema “Mãe”, de Odete Rodrigues Baraúna, valoriza uma das figuras mais presentes na formação afetiva da criança: a mãe. A poesia apresenta a maternidade como cuidado, ternura, proteção e presença amorosa. Em linguagem simples e delicada, o poema aproxima a criança de sentimentos como gratidão, carinho e reconhecimento.
Esse tipo de poema é importante porque ajuda os alunos a perceberem que a poesia também nasce das relações familiares e das emoções do cotidiano. Ao falar da mãe, a autora não fala apenas de uma pessoa, mas de um vínculo afetivo que acolhe, ensina, orienta e acompanha.
Na sala de aula ou em atividades de leitura, o poema pode abrir uma conversa sensível sobre família, amor, respeito e diferentes formas de cuidado. É importante lembrar que cada criança vive uma realidade familiar diferente; por isso, a leitura pode ser ampliada para falar das pessoas que cuidam, protegem e educam com carinho.
Para conversar sobre o poema “Mãe”
O que o poema nos faz sentir?
Que palavras lembram carinho e cuidado?
Quem são as pessoas que cuidam de nós no dia a dia?
Por que é importante demonstrar gratidão?
Como podemos homenagear quem nos ama?
Universo das brincadeiras
O poema “Boneco Dançolino”
O poema “Boneco Dançolino” revela o lado brincante e imaginativo da poesia de Odete Rodrigues Baraúna. O título já desperta curiosidade, pois une a imagem de um boneco ao movimento da dança, criando uma atmosfera lúdica, alegre e musical.
Nesse poema, a criança é convidada a entrar no universo da brincadeira, onde objetos ganham vida, personagens se movimentam e a imaginação transforma o cotidiano em encantamento. O boneco deixa de ser apenas brinquedo e passa a ser personagem poético, capaz de dançar, divertir e despertar fantasia.
A força do poema está justamente nessa aproximação entre poesia, infância e movimento. Ele pode ser trabalhado com leitura expressiva, dramatização, música, gestos e dança, permitindo que as crianças sintam o ritmo das palavras com o corpo. Assim, a poesia deixa de ser apenas leitura silenciosa e se transforma em experiência viva.
Para conversar sobre o poema “Boneco Dançolino”
O que o nome “Dançolino” sugere?
Como você imagina esse boneco?
Que ritmo combinaria com a dança dele?
O poema parece alegre, engraçado ou delicado?
Que outros brinquedos poderiam virar personagens de poesia?
Com os poemas “Mãe” e “Boneco Dançolino”, Odete Rodrigues Baraúna mostra duas faces importantes da infância: o afeto e a brincadeira. De um lado, a ternura familiar; de outro, a imaginação que faz o brinquedo ganhar vida. Assim, sua poesia conversa com o coração da criança, valorizando sentimentos, memórias, fantasia e o prazer de brincar com as palavras.
A poesia de Odete Rodrigues Baraúna nasce do encanto pelas palavras e pelo olhar sensível para a infância. Em seus poemas, a criança encontra afeto, brincadeira, imaginação, ritmo e alegria.
Entre a ternura de “Mãe”, a graça de “Gato Burguês”, a beleza de “A primavera”, o carinho por “A bandeira do Brasil”, a delicadeza de “Rogerinho e a professora” e a fantasia de “Boneco Dançolino”, a autora mostra que a poesia pode ser simples, musical e cheia de vida.
Ler Odete é entrar em uma roda de palavras onde tudo pode virar verso: o amor, a escola, a natureza, os brinquedos, os animais, a pátria e a infância. É descobrir que a poesia também brinca, canta, dança e abraça.
Música inspirada nos poemas
A música “Brincadeira com a Palavra” foi criada como uma costura poética entre diferentes textos de Odete Rodrigues Baraúna. O refrão funciona como convite:
“Na brincadeira com a palavra
vamos dançar a vida
acendendo risos
descobrindo magia do ritmo
da rima, da fantasia.”
Esse refrão combina com ciranda, roda, palmas e participação das crianças. A música pode ser usada como abertura da postagem, trilha para vídeo, apresentação escolar ou podcast infantil.
Caderno de poesias
Conversando sobre os poemas:
O que mais chamou sua atenção nos poemas de Odete Rodrigues Baraúna?
Qual poema parece mais engraçado?
Qual poema fala sobre cuidado com a natureza?
Que palavras rimam ou combinam entre si?
Por que brincar com as palavras também pode ser uma forma de aprender?
Para pensar
As palavras podem ensinar, emocionar e divertir. Quando a criança entra no mundo da poesia, ela aprende a olhar para as coisas simples com mais encanto: uma flor, um gato, uma bandeira, uma professora, uma mãe, uma estrada, uma mata.
Na poesia de Odete Rodrigues Baraúna, a palavra vira brinquedo, música, riso e reflexão.
Podcast sobre o poema
Materiais da postagem
Caderno de poemas de Odete Rodrigues Baraúna. https://www.youtube.com/watch?v=dikvTY9DtFI
Música “Brincadeira com a Palavra”. https://www.youtube.com/watch?v=00A0nBqja_8
https://www.youtube.com/watch?v=kdXrFBHmUco
Podcast sobre a autora. https://www.youtube.com/watch?v=AfAycugTdBs
Créditos
Poemas: Odete Rodrigues Baraúna.
Música inspirada nos poemas: Maria Aparecida de Almeida.
Organização do material pedagógico: Maria Aparecida de Almeida.
Blog: Encanto da Infância: poesias e músicas infantis
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