quinta-feira, 30 de junho de 2016

Lira Romantiquinha- Carlos Drummond de Andrade


Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres,
deixando o alarme
(ai! Deus mulheres!),
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem perfume
e agressívas,
flores do ciúme?

Acaso ignoras
por que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
em minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?

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