terça-feira, 23 de junho de 2026

Poemas de Francisca Júlia e Júlio César

 


Francisca Júlia e Júlio César da Silva

O poema “Aspirações”, de Francisca Júlia e Júlio César da Silva, apresenta desejos delicados e generosos. O eu poético imagina que poderia ser sol, brisa, flor, estrela ou nuvem para espalhar calor, perfume, beleza, direção e alegria.

Ao longo dos versos, percebemos um sentimento muito bonito: a vontade de fazer o bem. Mas, no final, o poema revela um carinho ainda maior: o reconhecimento do amor da mãe, um amor tão grande que parece impossível retribuir completamente.




Se o Sol de inverno eu fosse,
amoroso e macio,
aqueceria com o meu raio doce
as criancinhas que tivessem frio.

Se fosse a brisa que erra,
solta, cheirosa e pura,
levaria a correr de terra em terra
aromas e frescura.

Se fosse a flor que cresce
com tão lindo recato,
gostaria que um crente me colhesse
para me pôr no altar, como ornato.

Se fosse astro ou estrela,
que brilha no céu puro,
daria direção à branca vela
que vai incerta pelo mar escuro.

Se nuvem fosse, iria
aos que têm mágoas
dar a imensa alegria
das minhas águas.

Tanto desejo cesse,
que não posso sequer
pagar a minha mãe, como merece,
todo o infinito bem que ela me quer.

Outros Poemas de Francisca Júlia e Jílio César:


                       I

          Um dia destes, á toa,
          A irmãzinha , que é tão boa,
          Torci as orelhas... pois
          A mamã, que estava ausente,
          Soube tudo infelizmente,
          Poucos  minutos depois.

          Não sabem por quê? São manhas
          Do dedinho tagarela
          Que lhe conta as artimanhas 
          Que faço na ausência dela.

                      II
          Um Mendigo de sacola
          Pediu-me  um tostão de esmola
          Que lhe dei esta manhã.
          Em si de alegre não coube;
          E pensam que ela não soube?
          Soube de tudo a mamã.

          Não sabem por quê? São manhas
          Do dedinho tagarela
          Que lhe conta as artimanhas
          Que faço na ausência dela.

                               III
          Mas notem: quando digo
          Dedinho, dedinho amigo
          Que sabe as coisas tão bem,
          (Escutem atentamente)
          Refiro-me unicamente
          Ao dedinho que ela tem.

          Porque meu dedo... essa é boa!
          É um dedo que anda no ar,
          É um dedinho muito á -toa
          Que nada sabe falar.  
 

 
Pintainho do pato
 Galante, amarelo e novo, 
Mal saiu da casca do ovo 
Busca as águas do regato 
 Todo ele, tão lindo e louro,
 Enquanto nas águas boia, 
Tem a graça de uma joia 
Feita em ouro.

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Sobre os autores

Francisca Júlia da Silva foi uma importante poeta brasileira, lembrada principalmente por sua participação no Parnasianismo, movimento literário que valorizava a beleza da forma, a escolha cuidadosa das palavras e a construção harmoniosa dos versos.

Além de sua produção poética para adultos, Francisca Júlia também escreveu textos voltados ao universo infantil e escolar, como o Livro da Infância, publicado em 1899.

Júlio César da Silva, irmão de Francisca Júlia, também foi poeta, escritor, cronista, dramaturgo e crítico literário. Ao lado da irmã, participou da criação da obra Alma Infantil, publicada em 1912, livro destinado às escolas e composto por poemas, diálogos, recitativos, hinos, cenas escolares e brincadeiras infantis.

Juntos, Francisca Júlia e Júlio César da Silva deixaram uma contribuição delicada para a literatura infantil brasileira, unindo poesia, sensibilidade, formação moral e beleza da linguagem.


O que o poema nos faz sentir?

ASPIRAÇÕES

O poema nos convida a imaginar coisas bonitas da natureza: o sol, a brisa, a flor, a estrela e a nuvem. Cada uma delas aparece ligada a uma ação de cuidado.

O sol aquece.
A brisa espalha perfume e frescor.
A flor enfeita o altar.
A estrela guia quem está perdido no mar.
A nuvem leva água e alegria.

Todas essas imagens mostram o desejo de ser útil, bondoso e acolhedor.

No final, o poema muda um pouco o olhar. Depois de desejar fazer tantas coisas boas, o eu poético percebe que nem assim conseguiria retribuir todo o amor recebido de sua mãe.

DEDINHO DE MAMÃE

O poema nos faz sentir alegria e curiosidade. De maneira divertida, ele mostra que as mães parecem descobrir tudo o que os filhos fazem, tanto as travessuras quanto as boas ações.

O “dedinho tagarela” representa a capacidade que a mãe tem de observar, conhecer e compreender seus filhos. O texto também nos leva a pensar que nossas atitudes, boas ou ruins, acabam sendo percebidas e que devemos assumir a responsabilidade por aquilo que fazemos.

O PATINHO- FRANCISCA JÚLIA

O poema transmite ternura, delicadeza e encantamento. O pequeno pato é apresentado como um animal recém-nascido, bonito, amarelo e cheio de vida, que logo procura as águas do regato.

Ao comparar o patinho a uma joia feita de ouro, a poetisa destaca sua beleza e seu brilho. O texto nos convida a observar com carinho os animais e as pequenas maravilhas da natureza.



Conversando sobre o poema

ASPIRAÇÕES

Este poema pode ser lido com as crianças em momentos de conversa sobre:

amor materno;
gratidão;
bondade;
natureza;
solidariedade;
gestos de carinho.

Também pode ser usado em atividades próximas ao Dia das Mães, mas não apenas nessa data. Ele fala de um sentimento que pode ser trabalhado durante todo o ano: o reconhecimento pelo cuidado recebido.

DEDINHO DE MAMÃE

1. Quem narra os acontecimentos do poema?

2.  O que a criança fez com a irmãzinha?

3. Que boa ação ela praticou durante a manhã?

4.  Quem contou à mãe tudo o que aconteceu?

5.  O “dedinho tagarela” realmente sabe falar?

6.  O que essa expressão representa no poema?

7.  Por que a mãe parece saber tudo o que o filho faz?

8.  Qual é a diferença entre a travessura da primeira parte e a atitude apresentada na segunda?

9.  Como devemos tratar nossos irmãos e as outras pessoas?

10.  Você já fez alguma boa ação sem que ninguém tivesse pedido? Conte como foi.

O PATINHO-FRANCISCA JÚLIA

 1. Como o patinho é descrito no poema?

2. De onde ele acabou de sair?

3.  O que o patinho procura assim que nasce?

4.  Onde ele começa a boiar?

5.  Qual é a cor do patinho?

6.  A que objeto precioso o patinho é comparado?

7.  Por que a poetisa diz que ele parece uma joia feita de ouro?

8. Quais palavras do poema revelam a beleza e a delicadeza do animal?

9.  Que sentimentos a imagem do patinho desperta em você?

10.Por que devemos cuidar dos animais e preservar os lugares onde eles vivem?


Música feita no site Mureka com a letra do poema

Versão 1:  Música Aspirações



Versão 2: Música Aspirações


Música Dedinho Tagarela- Versão 1

Música Dedinho Tagarela- Versão 2

Música Pintainho do pato- Versão 1



Música Pintainho do pato- Versão 2


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Sugestão de atividade

Depois da leitura do poema, as crianças podem completar a frase:

“Se eu fosse…”

Exemplos:

Se eu fosse uma estrela, eu iluminaria…
Se eu fosse uma flor, eu enfeitaria…
Se eu fosse uma nuvem, eu levaria…
Se eu fosse o sol, eu aqueceria…
Se eu fosse uma brisa, eu espalharia…

Em seguida, cada criança pode criar uma pequena estrofe inspirada no poema.


Para refletir

O poema “Aspirações” mostra que os maiores desejos podem nascer de sentimentos simples: cuidar, aquecer, alegrar, iluminar e agradecer.

É uma poesia suave, cheia de imagens bonitas, que ajuda a criança a perceber a delicadeza das palavras e a força dos sentimentos.


Blog Encanto da infância: poesias e músicas infantis
Por Maria Aparecida de Almeida


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