terça-feira, 24 de setembro de 2013

Poesias de Roseana Murray extraídas da internet- 2ª parte

          AS SEREIAS


                                                  Navegar, navegar pelos sete mares,
atravessar montanhas de água,             florestas de águas
para encontrar a pedra azul
onde dormem as sereias                  
                                                 
  In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte,
   sonhos, reedição , 2011                         
     
UMA BALEIA

Uma baleia,
apesar do seu tamanho,
é mais leve
que uma nuvem,
é mais leve
que um mistério,
é quase uma música pousada
em cima do horizonte.

In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte, reedição,20

PALAVRAS ANTIGAS

Astrolábios, sextantes,
alfarrábios,
arrumo nas minhas estantes
e cartas antigas,
roídas pelo tempo.
Arrumo luas e ventos,
todos os velhos instrumentos
para enfrentar o sol e a tempestade,
os rumos mais variados.
Parto nesse meu barco
para o país do amor.
Quantos homens, desde o início do mundo,
partiram, assim como eu,
uma bússola e um desejo,
o coração em sobressalto.
Quem, ancorado no cais,
esperará por mim?

In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte, reedição,2011


O MÁGICO


Na noite do circo, o mágico
desperta estrelas, descostura
os fios do impossível,
acende com cuidado uma surpresa
a cada passo...
E logo um lenço vira laço,
o circo todo vira magia,
vira dança.
In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011


DENTRO DE UMA ÁRVORE

Existo dentro de uma árvore,
em seu oco,
em seu silêncio, sou sua seiva
enquanto fabrica sementes.
Os pés se misturam
com as raízes,
caminham dentro da terra,
reconhecem o rumor
da noite subterrânea.
Os braços são galhos,
as mãos se balançam
ao redor do vento:
eu e a árvore
o mesmo pensamento.
Minha imobilidade
dura alguns séculos.

in Carteira de Identidade, ed. Lê.


VELUDO ÁSPERO

Para falar do medo
chamo a noite,
seu veludo áspero
na garganta.
Chamo as raízes
apodrecidas no cerne
da terra,
chamo as notas
estridentes
de um violino quebrado.
Para falar do medo,
escrevo no quadro-negro
a palavra mortal.

in Carteira de Identidade, ed. Lê.


ESTRELA CADENTE

Quando eu estiver
com o olhar distante,
maninha,
com um jeito esquisito
de quem não está presente,
não se assuste,
ó maninha,
fui logo ali,
no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.

Poemas de Céu, ed. paulinas. 



Um comentário:

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