No rumo certo do vento,
amigo é nau de se chegar
em lugar azul.
Amigo é esquina
onde o tempo para
e a Terra não gira,
antes paira,
em doçura contínua.
Oceano tramando sal,
mel inventando fruta,
amigo é estrela sempre
no rumo certo do vento,
com todas as metáforas,
luzes, imagens
que sua condição de estrela contém.
Poemas de Céu, ed. Paulinas.
| RIACHINHO As águas claras me contam segredos de sol, de céu, de ar e cantam acalantos de ninar enquanto correm ligeiras da montanha para o mar. Fardo de carinho, ed. Lê. HORIZONTE Se eu apagasse a fina linha do horizonte será que o céu cairia no mar? E as estrelas e a lua começariam a navegar? Ou será que o mar viraria céu e os peixes aprenderiam a voar? Fardo de carinho, ed. Lê. TRANSFORMAÇÃO Fabrico uma árvore com uma simples semente, terra escura e quieta, umas gotas de água. Pouco a pouco, de lua em lua, de folha em folha, enquanto o tempo desenha arabescos em meu rosto, minha árvore se transforma em poema vivo, suas letras são flores, são frutos, são música Fábrica de poesia, Ed. Scipione, 2008 COMIDA DE SEREIA O que será que a sereia come em seu castelo de areia? Enquanto penteia os cabelos a panela esquenta na cozinha: será que a sereia come anêmonas, ostras, cavalos-marinhos? Ou delicados peixinhos de olhos dourados? Algas marinhas, lulas, sardinhas? Polvos, mariscos, enguias, ou será que a sereia come poesia ELFOS Elfos comem o perfume das flores trazido pelo vento, comem os mais belos pensamentos, e as cores do dia que o galo faz. Comem o canto do galo, as melodias dos pássaros azuis, comem a luz que cintila na folha cheia de orvalho. Elfos comem a sombra da lua, o brilho da estrela que já não existe mais. Poemas e Comidinhas, Ed. Paulus, 2008
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